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Edição 2000

21 de março de 2007
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Brasil
Enfim, um bom pacote

O governo lança pacote de 8 bilhões de reais
com boas idéias para melhorar o ensino no país


Marcos Todeschini

Ailton de Freitas/Ag. O Globo
Ladeado por Haddad e Dilma, Lula lança o plano: meritocracia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, na semana passada, um pacote de 8 bilhões de reais para tentar tirar a educação brasileira dos "piores lugares do mundo", como ele mesmo definiu com acerto a situação. O Brasil ocupa a incômoda rabeira nos rankings internacionais de ensino. O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), concebido pelo ministro Fernando Haddad, é um conjunto de quarenta medidas focadas em elevar o nível nas salas de aula do país, da pré-escola à universidade. A iniciativa chamou a atenção dos especialistas por uma boa razão: ao contrário da maioria dos planos anteriores, esse pacote tem o mérito de distanciar-se do discurso ideológico e de enfrentar as questões do ensino com objetividade, à luz de experiências que deram certo em outros países. Uma das principais medidas do pacotão rompe com um jeito antigo de determinar o repasse de verbas do governo federal às escolas estaduais e municipais. Segundo o velho sistema, o que importa para o cálculo é apenas o número de alunos matriculados e a região do país. Com a mudança prevista, a distribuição do dinheiro passará a levar em consideração a melhoria da qualidade do ensino em cada escola – sintetizada por um indicador que cruzará taxas como a de repetência e o resultado dos estudantes em exames oficiais. As escolas de melhor desempenho receberão mais verbas, como ocorre em países da Europa e nos Estados Unidos. Resume o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza: "O reconhecimento ao mérito funciona como incentivo à excelência acadêmica no mundo todo".


Washington Alves/AE
Crianças em fase de alfabetização: prova apontará deficiências


Um segundo avanço previsto no pacote oficial, que será colocado em prática a partir do mês que vem, é a criação de uma prova nacional para monitorar o aprendizado de crianças em fase de alfabetização, um dos piores e mais antigos nós da educação brasileira. Sabe-se que a maioria dos estudantes chega ao fim do ensino fundamental sem conseguir ler (e entender) o conteúdo de um texto curto. O novo exame dá um passo adiante porque faz um diagnóstico com base no qual as autoridades podem ajudar as crianças num momento em que ainda estão em processo de alfabetização – a tempo de evitar que acumulem lacunas básicas que repercutirão negativamente ao longo de sua vida escolar, como mostram as pesquisas. O ambicioso pacote apresentado por Lula tem o mérito de rever erros cometidos pelo próprio governo petista no passado recente. Um exemplo: contratar leigos para ensinar adultos analfabetos. Eles agora serão substituídos por profissionais com formação adequada à função. Findo o primeiro mandato, os especialistas, mesmo os de oposição, avaliam que finalmente o governo Lula conseguiu um plano factível capaz de ajudar o Brasil a não dar mais vexame em sala de aula.

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