O maior fenômeno
econômico do planeta desde a reconstrução
nipo-européia pós-II Guerra Mundial ainda engatinhava
quando VEJA fez a primeira reportagem especial sobre as transformações
que "vêm alterando a face da secularmente misteriosa,
caudalosa e fascinante China". Para dar uma idéia
da ambição do projeto liberalizante, o leitor
era convidado a imaginar "uma Hong Kong, com seus 5 milhões
de habitantes, multiplicada por 200. Um Japão repetido
em dimensões continentais e com uma massa populacional
capaz de ocupar o planeta. É nessa direção
que miram os dirigentes chineses de hoje". Impressionante,
não?
JUL/85 | ABR/86
EDIÇÃO
913 | 5/MAR/1986 Da euforia à
decepção
Orlando Brito
Julio Jacobi
Em 1986, o Plano Cruzado levou o Brasil da euforia à
decepção. O congelamento de preços baixado
pelo governo José Sarney mereceu três
capas seguidas de VEJA. A edição de 12 de março
trazia um encarte com as novas regras da economia e foi a
primeira com tiragem de mais de 1 milhão de exemplares.
A revista apoiou o plano, mas deixou claro que ele de nada
adiantaria se não se atacasse a causa do surto inflacionário:
um estado falido e perdulário. Passados catorze meses,
VEJA constatava na capa o fracasso do plano. A inflação
era de 363% ao ano. Depois de vinte anos, o diagnóstico
do atraso brasileiro é o mesmo: um estado falido e
perdulário.