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Edição 2000

21 de março de 2007
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EDIÇÕES 863 a 869 | 20/MAR a 1/MAI/1985
As sete estações da agonia

EBN - Empresa Brasileira de Notícias


Nenhum outro assunto ganhou tantas capas seguidas de VEJA quanto a agonia e morte de Tancredo Neves. Foram sete, retratando o extraordinário drama do primeiro presidente pós-regime militar, que, a apenas um dia da posse, foi operado às pressas, vitimado por um tumor perfurado no intestino, pela anarquia médica e pelo profundo pavor dos políticos de ter sua imagem tisnada por problemas de saúde. De figura simpática e atilada, com um sorriso avuncular, Tancredo foi alçado a herói e mártir, transformações que VEJA retratou – mas sempre concentrando a linha de fogo das reportagens em desvendar a teia de mentiras tecida para mascarar a sofrida jornada do presidente rumo ao fim. Semana após semana, comprovou-se como jornalistas competentes abominam enganações. "Tancredo Neves poderá completar em paz sua convalescença, calculada em oito dias, para então assumir o cargo que é seu", dizia a primeira capa, ressaltando, no entanto, que seu médico havia omitido "o dado essencial, de que ele tinha uma ameaçadora infecção no abdômen". Na segunda, o tom algo sarcástico que se tornou marca registrada de VEJA aflora com plena força: "Se cobrassem ingresso para entrar, o Hospital de Base de Brasília seria um circo na última semana. Se o cercassem, viraria um manicômio". Na quarta, a desesperança é inescapável: "Depois de seis cortes e diversas crises pulmonares e circulatórias, Tancredo terminou a sua terceira semana de sofrimento sem justificar as sucessivas recaídas de otimismo que se seguem às horas de dificuldades". A chamada da sétima capa, uma edição especial sobre sua morte, tinha uma única palavra: "Adeus". E uma comparação eloqüente, especialmente indicada para um conhecido admirador – a posteriori – dos personagens mencionados: "A morte de Tancredo foi o exato oposto do suicídio de Getúlio Vargas, em 1954. O ditador do Estado Novo matou-se quando boa parte da população queria vê-lo fora do Catete, enquanto Tancredo morreu diante de uma nação que desejava vê-lo na Presidência. O tiro que matou Vargas fortaleceu seus aliados (...). A infecção que matou Tancredo entregou a Sarney uma sociedade unida".

 
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