Hoje,
parece óbvio; mas foi uma ousadia dar na capa sobre a morte de Garrincha,
o anjo das pernas tortas, apenas essa mitológica parte de sua anatomia.
Já foi um choque naquele tempo; hoje, quando os grandes craques ou nem
tão grandes assim têm carreira garantida no exterior, soa mais melancólico
ainda que um gênio do futebol terminasse como Garrincha, devorado pelas
lesões, pelos demônios interiores e pelo conhaque Dubar.
JUN/82
| MAR/83
EDIÇÃO
762 | 13/ABR/1983 A segunda-feira dos
desesperados
Carlos
Fenerich
"Passarão
muitos e muitos anos antes que o dia 4 de abril de 1983 seja esquecido", disse
VEJA sobre a segunda-feira em que, a partir de uma manifestação
contra o desemprego no bairro de Santo Amaro, o país tremeu sob uma onda
de saques e destruição que durou dois dias. Temendo os ataques de
uma legião de desesperados, o comércio baixou as portas,
as escolas fecharam, a população trancou-se em casa. O país,
claro, logo se esqueceu daquele 4 de abril. Um cenário de medo coletivo
estranhamente similar assombrou São Paulo e o Rio de Janeiro no ano passado,
mas promovido por agentes muito diferentes: criminosos atuando de forma coordenada.
EDIÇÃO
787 | 5/OUT/1983 Os olhos do dono
Haroldo
Palo Jr.
O
que é a "jóia ecológica incrustada nas solidões interiores
do território brasileiro, resplandecente de beleza, fartura e potencialidades
econômicas"? O Pantanal, é claro uma resposta que não
seria tão automática quando VEJA descreveu os prodígios da
região em reportagem de capa repleta do tipo de informação
que a revista foi pioneira em capturar. O Pantanal tem dono: "No Pantanal, somadas
todas as fazendas, há algo em torno de 200 000 quilômetros de cercas
de arame. E 200 000 quilômetros, para se ter uma idéia, significam
a metade da distância da Terra à Lua".