EDIÇÃO
264 | 26/SET/1973 Pinochet baixa sua
mão-de-ferro
Causava arrepios o início
da reportagem sobre a nascente ditadura no Chile: "Na corrente agitada do Rio
Mapocho, que vai rompendo seu caminho pela cidade de Santiago num leito de pedras
e folhagens, um cadáver virado de bruços descia lentamente na soberba
manhã da última terça-feira, entre os jardins bem-cuidados
e as heráldicas residências do Barrio Alto. Era o oitavo dia do golpe
militar que havia derrubado o presidente Salvador Allende". VEJA registrou o terror
e a incerteza política que cercaram a ascensão do general Augusto
Pinochet. O Chile saía de um período de pandemônio esquerdista
com apoio soviético e cubano, para entrar em um longo túnel de opressão.
A luz surgiria apenas em 1990, com a redemocratização e ela
revelaria um país moderno, dono de uma economia vigorosa.
EDIÇÃO
287 | 06/MAR/1974 O Brasil das grandes
obras
Walter
Firmo
"Um
novo desenho riscando a baía e criando fantásticas ilusões
de óptica": assim foi descrita por VEJA a Ponte RioNiterói,
quando de sua inauguração. Na primeira metade da década de
70, o milagre econômico traduziu-se em grandes obras de infra-estrutura,
como estradas, hidrelétricas e redes de comunicação. Essa
era a face benigna do regime militar, em cujos porões adversários
políticos eram humilhados e torturados. Em sua reportagem, VEJA antecipava
que, com a ponte, seria inevitável a fusão entre o então
estado da Guanabara, composto apenas pela cidade do Rio, e o do Rio de Janeiro.
Foi o que ocorreu dali a um ano.
ABR/73
| JAN/74
EDIÇÃO
295 | 1º/MAIO/1974 Foi bonita
a festa, pá
Nos
anos 70, VEJA noticiava sempre com destaque a debacle das ditaduras. Era uma forma
de dizer aos generais brasileiros que, um dia, também eles teriam de deixar
o poder tomado à força em 1964. Acresçam-se, no caso de Portugal,
os vínculos estreitos que unem aquele país ao Brasil e eis que se
impunha a capa sobre o término da ditadura salazarista. Um dos aspectos
abordados pela reportagem era o 1,6 milhão de imigrantes portugueses, a
maior parte deles vivendo na França, onde realizavam serviços braçais
e moravam em apartamentos precários. Portugal, nesse momento, pertencia
à Europa Ocidental tão-somente na geografia. "Para toda uma geração
que nunca soube como os anseios de uma nação podem ser expressados
livremente, inicia-se agora uma apaixonante aventura", concluía VEJA. Aventura
que teria seu ápice com a entrada do país na União Européia,
em 1986.
EDIÇÃO 310 | 14/AGO/1974
Os brasileiros aprendem o que é
"impeachment"
Ele encaminhou para o fim a Guerra
do Vietnã, aliou-se à China e acabou com o padrão ouro na
economia. Essas conquistas fariam de qualquer presidente americano um dos maiores
estadistas de todos os tempos. Mas quis o destino que a notoriedade de Richard
Nixon viesse não do céu, mas do inferno. Ele renunciou em 1974 em
meio a uma das maiores crises políticas da história americana contemporânea.
Acossados pela descoberta de que estavam por trás da invasão da
sede do Partido Democrata, no edifício Watergate (daí o nome do
escândalo), "Nixon e seus assessores foram se enredando num cipoal de mentiras
e meias verdades, entraram em guerra com a imprensa, sofreram baixas cada vez
mais sérias nos tribunais e, mais do que tudo, criaram uma formidável
maioria de inimigos no Congresso americano", como sintetizou VEJA em sua reportagem.
Para escapar da humilhação do impeachment (palavra que entraria
para o vocabulário dos brasileiros), Nixou entregou a Presidência
a seu vice, Gerald Ford. De personalidade discreta e moral inatacável,
Ford, morto no fim do ano passado, conseguiu devolver a confiança dos americanos
à veneranda instituição da Presidência, como previu
VEJA. Passados alguns anos, até Nixon foi reabilitado. Aí apareceu
Bush e...