A
edição de VEJA número 173 trouxe talvez a mais inusitada
das capas de sua ainda incipiente história: o Brasil com Delfim Netto
cresceu 11,3% e não dava sinais de que arrefeceria o ritmo no ano seguinte.
Não é preciso dizer que nunca mais os números de crescimento
estampados na capa de VEJA se repetiriam. Interessante que o estrondoso desempenho
da economia cuja conta viria mais tarde na forma de inflação
galopante não se traduzia em imediato bem-estar. O zeitgeist
foi resumido pelo presidente Emílio Médici: "A economia pode
ir bem, mas o povo ainda vai mal".
OUT/71
| JUL/72
EDIÇÃO
176 | 19/JAN/1972 O Sol nas bancas
de revista
Cristiano
Mascaro
A
força do lirismo de Caetano Veloso hipnotizava os brasileiros, e
ele chegou à capa de VEJA. O tropicalismo de Caetano combinava perfeitamente
com a televisão em cores que acabava de chegar ao Brasil. Acreditava-se
então de novo, depois da Semana de Arte Moderna e da bossa nova, em uma
revolução cultural genuinamente brasileira. Se viesse mesmo a se
firmar, esse movimento seria liderado por Caetano Veloso e pelos coloridos e alegres
baianos de sua turma. O rock vigoroso dos anos 70 não deixou espaço
nas paradas das grandes capitais do mundo para qualquer outro ritmo. Caetano,
no entanto, continuou evoluindo. Tornou-se um mágico do idioma e, se não
conquistou o mundo como o maestro Tom Jobim, fez da língua sua pátria.