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Cerca de 40% dos homens entre 30 e 50 anos apresentam algum grau de impotência. Muitos casos, principalmente até a meia-idade, têm fundo psicológico e estão ligados a stress e depressão. A partir dos 50 anos, os fatores físicos costumam estar na origem dos distúrbios eréteis. Entre eles, a hipertensão, o diabetes, o colesterol alto ou o desequilíbrio na produção do hormônio masculino testosterona. O uso de drogas e o consumo excessivo de álcool também estão associados à impotência. A maioria dos pacientes consegue curar-se por meio de pequenas mudanças de comportamento aliadas a exercícios físicos. Quando essas medidas se revelam ineficazes, o jeito é apelar para o São Viagra. O remédio é consumido em mais de uma centena de países, por 10 milhões de felizes marmanjos. De acordo com os médicos, o índice de sucesso do Viagra – ele resolve em 80% das vezes – causou uma verdadeira revolução, ao fazer com que uma legião masculina se sentisse estimulada a procurar ajuda, em vez de ficar ruminando seu sofrimento.

Ainda nesse terreno pantanoso, a tese de que uma infinidade de mulheres padece de falta de desejo por não serem, assim, umas Giseles Bündchens começa a encontrar paralelo no âmbito masculino. Alguns médicos, como Nelson Vitiello, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, afirmam que já existem casos em que o tormento da impotência está ligado à dificuldade de lidar com o estereótipo do macho perfeito, desenhado pela mídia. Homem, hoje, tem de ser elegante, sensível, bem-sucedido, dividir as tarefas domésticas, saber onde é o tal ponto G, gostar de discutir a relação... Convenhamos que não é fácil para eles.

O levantamento mostra também que a melhor tradução para traição é prostituição. Mais da metade dos homens casados recorrem ou já recorreram a profissionais para satisfazer fantasias. Os campeões do sexo pago, porém, são os separados: 70% deles freqüentam ou já freqüentaram casas de massagem e assemelhados. Esses dados da pesquisa podem ser verificados em um local como o Bahamas, um dos templos da prostituição de luxo de São Paulo. Lá, sete de cada dez freqüentadores são casados ou separados, na faixa dos 30 aos 50 anos. "Uma vinda até o meu estabelecimento ajuda muitos homens a esquentar o casamento. Além do mais, uma profissional não engravida, não implica maiores exigências financeiras e não faz cobranças típicas de amante", filosofa Oscar Maroni, dono do Bahamas, um ex-professor de psicologia que se auto-intitula "o Larry Flynt brasileiro", numa referência ao polêmico americano que fez fortuna com a pornografia. Depois dessa frase, ele certamente agregará ao seu currículo o título de inimigo público número 1 das feministas.

 

Apesar de todas as campanhas de prevenção à Aids e a outras doenças sexualmente transmissíveis, ainda é enorme o contingente de homens e mulheres que não usam camisinha. De acordo com a pesquisa, um terço deles e 40% delas nunca ou quase nunca lançam mão de preservativos. A Bahia é o Estado onde homens e mulheres mais usam camisinha. Os homens paranaenses e as mulheres mineiras são os que menos praticam sexo seguro. Mais da metade dos homossexuais se previnem com freqüência. Quantos são eles, afinal de contas? O levantamento aponta que a homossexualidade é uma característica de 4% dos homens e de 2% das mulheres. Essas porcentagens são bem menores do que as alardeadas pelos ativistas gays, para os quais 10% da população, não importa a latitude, pertence ao terceiro sexo.

"A maior delícia do brasileiro é conversar safadeza", dizia o pernambucano Gilberto Freyre, autor de Casa-Grande & Senzala, um clássico da sociologia com páginas e páginas dedicadas à sexualidade nacional. "Safadeza" talvez seja uma palavra forte, mas a pesquisa comprova que os brasileiros não têm mesmo constrangimento em falar de sexo, seja em público, seja dentro de casa. Essa liberdade não é só característica de um temperamento mais aberto, forjado historicamente. O assunto está cada vez mais presente na sala de estar pelo fato de que as pessoas estão se iniciando sexualmente cada vez mais cedo. Nos anos 70, as mulheres brasileiras tinham sua primeira relação por volta dos 20 anos. Hoje, essa idade está em 15 anos. Os homens, por seu turno, começavam com 16 e agora entram na farra com 14 anos.

 
Zeca Rodrigues

O mesmo vem ocorrendo em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a gravidez na adolescência já é tratada pelas autoridades como epidemia. Mas há uma peculiaridade brasileira que aumenta a preocupação dos especialistas: a erotização do cotidiano, que é coisa bem diferente do simples "gosto por conversar safadeza". Trata-se de um fenômeno relativamente recente, que nasceu há cerca de quinze anos, com o fim da censura imposta pelo regime militar. Desde então, ele vem assumindo proporções impressionantes. De comercial de sandálias a concursos de programas de auditório, de revistas para adolescentes a letras de música, quase todos os produtos dirigidos ao grande público são marcados por alusões maliciosas ou por situações mais explícitas – e grosseiras, como as coreografias do funk carioca. Essa intensa erotização atinge em cheio a infância, despertando antes da hora o interesse pelo sexo. Isso é ruim porque crianças não estão preparadas do ponto de vista psicológico para o assunto e tudo que o cerca. Elas são levadas a se iniciar mais cedo do que o recomendável e muitas pagam um preço alto, ao se transformarem em adultos ansiosos e portadores de distúrbios sexuais.

É uma pena. No tempo e na medida certos, o sexo é um termômetro da saúde. Tanto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) o coloca como um dos índices que medem o nível de qualidade de vida de uma pessoa. A OMS determina quais são os indicadores de uma sexualidade saudável. São eles:

prevenção de gravidez indesejada, de doenças sexualmente transmissíveis e de Aids;

liberdade para tratar o assunto com o parceiro ou socialmente;

masturbar-se quando surgir o desejo, mas não houver um parceiro;

a capacidade de desejo, excitação, orgasmo e resolução (as quatro fases da relação), mas sem obsessão por essas ocorrências;

controle pessoal interno sobre sua atividade sexual (não se tornar dependente do sexo).

Com base nesses critérios e nos dados objetivos da pesquisa, a conclusão é que há milhões de brasileiros que não usufruem integralmente sua sexualidade. Mas como analisar o paradoxo de a maioria considerar a qualidade de sua vida sexual muito boa para além da tendência natural de dourar a pílula quando se aborda o tema? "Isso também diz muito da personalidade dos brasileiros. Somos partidários da teoria do 'poderia ser melhor, mas é bom do jeito que está'.", diz a psiquiatra Carmita Abdo. Impressionismo? Deixe para lá. Se foi bom, meu bem, tudo bem.

 

 

"Esqueci de mim"

Claudio Rossi


"Estou casada há 26 anos. Fiz de tudo para agradar ao meu marido e acabei esquecendo de mim. No começo do casamento, nosso relacionamento sexual era ótimo e muito ativo. Eu tinha orgasmos com freqüência. Há cerca de dez anos, tudo começou a mudar. Passei a ter problemas com meu marido e me fechei totalmente para o sexo. A falta de carinho e diálogo se refletiu na cama. Não há uma razão física que justifique a diminuição de meu desejo e a minha falta de orgasmo. O problema é psicológico. Como não quero me separar, fui procurar ajuda na terapia sexual. Não sou do tipo que se conforma com um casamento morno. Vou tentar de tudo para que o sexo volte a ser bom. Ele pode não ser tudo na vida a dois, mas é a conseqüência natural de um bom relacionamento. Quero voltar a ter um papel importante na vida de meu marido. E quero que aconteça o mesmo com ele."

G.F., 48 anos, dona-de-casa de São Paulo

 

Conquistas diárias

Liane Neves


"Janice e eu estamos juntos há um ano e nosso relacionamento é maravilhoso. Transamos em média cinco vezes por semana. Acho que isso se deve muito ao fato de não termos filhos, ainda. Sou separado e sei como é difícil ter uma vida sexual ativa, principalmente quando se tem um filho pequeno. Você chega em casa cansado do trabalho e ainda tem uma criança para cuidar. É claro que há compensações, mas não há dúvida de que isso reduz muito o desejo. O sexo é fundamental para nós. Mas ele não seria tão bom se não houvesse companheirismo e amor. A gente sabe como é importante alimentar o desejo todos os dias. Criar situações, saber provocar, excitar... Nosso lema é jamais ter o outro como uma conquista definitiva. Na verdade, temos de ser conquistados a cada dia. Já passamos por situações de ficar algum tempo longe um do outro e, confesso, foi uma barra. O sexo fez uma falta enorme. Por outro lado, pode ser excitante. O reencontro é sempre maravilhoso."

Ricardo Lucas Vernetti, 40 anos, técnico em telecomunicações
de Porto Alegre, marido de
Janice Foschiera, 35 anos, relações-públicas

 

Lindíssimas e caras

 
Antonio Milena

"Sou casado há sete anos e tenho dois filhos pequenos – um de 4 anos e outro de 2. Não tenho do que me queixar em relação ao meu casamento. Aliás, posso dizer que ele é muito bom. Mas nem por isso deixo de freqüentar casas de prostituição de luxo. É uma coisa que faço desde que era solteiro. É por puro prazer. Costumo, inclusive, fazer encontros de negócios nesses lugares. Pago tudo para o cliente – dos drinques às mulheres. Obviamente, acabo me divertindo também. Fazer sexo com uma prostituta não tem nada a ver com infelicidade conjugal. Eu gosto de ter minha mulher me esperando em casa e, ao mesmo tempo, adoro uma aventura sexual. O sexo pago é um tipo de poder que me atrai. Bancar uma noite em um lugar de altíssimo nível, com mulheres lindas e ...caras. Você não consegue fazer isso se não tiver dinheiro. Dependendo da noite, rola muita coisa e o gasto é elevadíssimo. Vale a pena."

R.S., 35 anos, empresário do Rio de Janeiro

 

 

 

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