SEXO
O
melhor e o pior da vida a dois
Uma
pesquisa exclusiva revela como os brasileiros se comportam
na cama. Embora a maioria se ache feliz, há muitos
problemas a ser superados
Anna
Paula Buchalla
Fotos Zeca Rodrigues
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Acaba
de ser concluído o mais completo levantamento sobre
a vida sexual dos brasileiros. Patrocinada pelos laboratórios
Pfizer e coordenada pela psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto
Sexualidade do Hospital das Clínicas, de São
Paulo, uma pesquisa nacional recolheu informações
de quase 3.000 homens e mulheres
entre 18 e 70 anos, de todas as classes sociais. Nesse campo,
a última grande sondagem de que se tem notícia
foi feita no início da década de 80. Pouco detalhada,
ela se concentrava no lugar que o sexo ocupava na escala de
valores das pessoas. Em 1999, o Ministério da Saúde
coletou dados em 3.600 domicílios.
O foco, no entanto, eram os comportamentos de risco e de prevenção
da Aids, e não a qualidade da vida sexual. O questionário
elaborado pela equipe do Hospital das Clínicas foi
bem mais além. A maioria de suas 38 perguntas era de
foro para lá de íntimo, com uma linguagem que
por vezes beirava o chulo, a fim de facilitar a compreensão.
Quem se dispusesse a responder a ele entrava numa cabine fechada,
sem ninguém por perto. Depois de preenchido, o questionário
era devolvido sem nenhuma identificação. A preocupação
com o sigilo teve o objetivo de garantir ao máximo
a sinceridade dos pesquisados, num assunto em que cada um
tende a exaltar a sua própria performance. Se essa
meta foi alcançada? Vamos aos resultados.
Antes de mais nada, a quantidade de relações.
A média nacional é de três por semana.
O número pode parecer exagerado aos casais que entraram
no inevitável período de mornidão, mas
ele é pouco maior que o dos Estados Unidos um
país com uma população tão quente
do ponto de vista sexual quanto Mickey e Minnie. Bem, pode
ser que os americanos sejam os maiores mentirosos do mundo,
nunca se sabe... Quanto ao grau de satisfação
com a qualidade da vida sexual, 60% das mulheres e 68% dos
homens consideram que a sua é muito boa ou ótima.
Somados aos que escolheram a opção "regular",
essas proporções sobem para 86% e 92%, respectivamente.
No que se refere às preliminares, uma surpresa e tanto,
pelo menos para quem vive escutando aquelas reclamações
no cabeleireiro: 81% das mulheres ativas sexualmente estão
contentes com as carícias de que são objeto
antes do ato propriamente dito. E mais: 62% dos homens demonstram
grande preocupação em satisfazer suas parceiras
durante essa fase preparatória. Uma interpretação
possível para tais cifras é que elas espelhariam
uma mudança de comportamento significativa, fruto da
liberação sexual dos anos 70, quando as mulheres
começaram a exigir mais prazer na cama e os homens
aprenderam que não bastava ir direto ao X, que antes
havia um ponto G (o do orgasmo feminino, lembra?).
De
0 a 10, que nota você daria a seu desempenho na alcova?
A auto-avaliação feminina atingiu 7. A masculina,
8. Humm... Um cético concluiria que os participantes,
principalmente os homens, não foram assim tão
sinceros na hora de responder às perguntas. "É
natural que as pessoas se superestimem nessa questão,
assim como fizeram ao valorizar a qualidade da sua vida sexual.
Essa tendência fica clara quando confrontamos as médias
obtidas nesses quesitos com os dados menos subjetivos da pesquisa",
pondera a psiquiatra Carmita Abdo. De fato, o conjunto dos
resultados traz contradições entre o que as
pessoas pensam a respeito de si próprias e de seus
parceiros e os aspectos mais fisiológicos, por assim
dizer, da vida sexual. A falta de orgasmo, por exemplo, continua
a afligir as mulheres. Cerca de um terço delas não
consegue atingi-lo. A explicação mais plausível
para o fato ainda é a mesma do tempo de nossas avós.
"A maior parte não tem orgasmo por medo, culpa ou porque
o parceiro faz rápido demais, com receio de falhar",
afirma a terapeuta sexual Regina Navarro Lins, do Rio de Janeiro.
Ou seja, liberou geral, mas nem tanto.
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Outro
problema predominantemente feminino é a falta de desejo
35% das mulheres não sentem nenhuma vontade
de ter relações. É um número elevado.
Do ponto de vista médico, já está mais
do que provado, são raros os casos em que essa disfunção
é causada por limitações físicas,
como o baixo nível do hormônio estrógeno
no organismo. Decisivos mesmo na regulagem do apetite sexual
da mulher são os fatores psicológicos. No Brasil,
acreditam os especialistas, há ainda uma questão
cultural que atua como inibidor da libido feminina: a angústia
de não corresponder à imagem da mulher dos sonhos,
dessas que rebolam na televisão e posam para revistas
masculinas. Numa sociedade altamente erotizada no plano da
moda e da mídia, que privilegia cada vez mais o "corpão",
a cama pode ser o palco de uma tremenda frustração
para quem não apresenta medidas próximas das
perfeitas. Diante da impossibilidade de exibir esse padrão,
o desejo é pouco a pouco reprimido, até sumir
de vez ou transubstanciar-se em neuroses. O curioso
é que o barrigão de cerveja não tem o
mesmo efeito sobre os homens: apenas 12% deles se queixam
de falta de desejo.
A
pesquisa confirma a experiência dos consultórios
terapêuticos de que muitas mulheres não têm
orgasmo porque seus parceiros, com receio de falhar, fazem
tudo rápido demais. O medo de perder a ereção
na hora H assombra 54% do universo masculino. Não,
ele não é infundado. Disfunções
como ejaculação precoce e impotência afetam
grande parte dos brasileiros. A ejaculação precoce
costuma ser um pesadelo para quase a metade dos homens entre
18 e 60 anos. A incidência é maior entre os mais
jovens (e, obviamente, mais ansiosos). Se você tem dúvidas
a respeito, saiba que existem medidas para determinar o problema:
a ejaculação é precoce quando ocorre
antes de dois minutos de sexo. Ou quando em 50% das relações
ela vem antes que a parceira chegue ao clímax. É
claro que se está falando, aqui, de uma mulher sem
dificuldades na cama.
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