Eles
são eternos
Exposição
em Paris confirma o
fascínio duradouro dos diamantes
em 400 jóias antigas

Monica
Schmidt, de Paris
Fotos divulgação
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Fotos
Divulgação
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Ordem do Tosão de Ouro, na exposição
e no peito de dom João VI: pedras brasileiras |
Existem
várias maneiras de aprender história. Poucas
são tão deslumbrantes quanto poder apreciar,
uma atrás da outra, em cenário montado com gosto
e requinte, 400 jóias antigas cravejadas de excepcionais
diamantes, a maioria delas saída de tesouros de reinos
e soberanos do passado. É nesse cenário que
se visita a exposição Diamants, que o
Museu Nacional de História Natural, em Paris, inaugurou
no sábado 10 a maior concentração
dessas pedras a se alojar sob o teto de um museu em todos
os tempos. São diamantes de todas as cores, tamanhos
e valores, muitos extraídos do Brasil (maior produtor
mundial durante boa parte dos séculos XVIII e XIX)
e engastados em colares, coroas e insígnias que pertencem
a museus e a colecionadores particulares, alguns deles de
anonimidade quase tão protegida quanto as próprias
jóias.
As salas que abrem a exposição explicam como
se formam os diamantes. Há uma maquete da crosta terrestre
com minucioso traçado do percurso das pedras das profundezas
da Terra até a superfície, trechos de Super-Homem,
o filme (aquele em que ele aperta um pedaço de carvão
e o transforma em diamante), e pedaços de um meteorito
recheado de diamantezinhos extraterrestres, tudo entremeado
de gemas brutas: o imenso Canary Diamond, de 400 quilates,
a coleção Rainbow 300 diamantes de cores
variadas , o raro Esperança Verde, brasileiro,
e o maior diamante bruto redondo do mundo. Em seguida, conta-se
a trajetória da extração diamantífera,
da Índia para o Brasil e daqui para a África
do Sul. Passa-se por uma galeria com retratos da antiga realeza
européia coberta com seus diamantes e chega-se, enfim,
ao principal: o imenso cofre-forte escavado no subsolo do
museu, forrado de veludo negro e transformado em galeria de
arte. Lá faíscam os tesouros da exposição.
No
pulso, para ver Um anel com enorme pedra azul foi
o derradeiro presente da rainha Maria Antonieta a uma amiga
fiel, momentos antes de morrer na guilhotina, no auge da Revolução
Francesa. O medalhão com retrato pintado era presente
que Luís XIV dava a dignitários estrangeiros
(que geralmente desmontavam tudo e vendiam as magníficas
pedras). Um fenomenal colar de diamantes foi mimo de Napoleão
à imperatriz Maria Luísa quando nasceu seu primeiro
filho. Nessa ilustre companhia resplandece, em toda a sua
glória, a Ordem do Tosão de Ouro, insígnia
pontilhada de diamantes marrons brasileiros, usada por dom
João VI em cerimônias oficiais e emprestada pelo
Museu do Palácio da Ajuda de Lisboa, e a tiara Estrelas,
da rainha Maria Pia, cujo diamante central, sozinho, pesa
mais de 20 quilates, e que sai de Portugal pela primeira vez.
Da fabulosa coleção Mouawad de Robert
Mouawad, joalheiro libanês a serviço da família
real saudita e um dos patronos da exposição
se destaca o Excelsior, diamante africano transformado
de colar em bracelete depois que sua compradora, uma princesa
movida a petrodólares, reclamou que no pescoço
não poderia apreciá-lo. Lá também
rebrilham o Tiger's Eye, incrustado em uma jóia em
forma de pluma destinada ao turbante de um marajá,
e o fantástico Star of South Africa, montado por Cartier.
Reunir todas essas preciosidades foi um exercício de
paciência para Hubert Bari, geólogo do Museu
de História Natural, que passou dois anos caçando
diamantes. Com o maior prazer Bari é apaixonado
pelas pedras que agora exibe. "São jóias que
têm história. Desapareceram e apareceram de novo,
foram roubadas, contrabandeadas, mudaram de dono tantas vezes",
diz. A chance de aprender algumas brilhantes lições
com essas pedras que simbolizaram o poder como nenhuma outra
vai até 15 de julho, em horário ampliado: em
pleno inverno europeu, com frio e chuva, o museu está
abrindo até meia-noite, para atender os visitantes.
Um sucesso.
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