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Furo radical

Tem gente fazendo do lóbulo
da orelha uma argola de pele

 
Antonio Milena
Roberta e Silva exibem suas orelhas furadas: ela, modestos 8 milímetros; ele, 20

Tatuagem, todo mundo tem. Piercing, até Gisele Bündchen fez um. A banalização do visual rebelde, porém, não desanima os muito modernos, que, no seu baú criativo, sempre contam com intervenções mais radicais. Uma que está ganhando adeptos consiste em pegar aquele furinho no lóbulo da orelha feito para acomodar brincos e alargá-lo aos poucos, até formar uma espécie de argola de pele. São orifícios de no mínimo 5 e no máximo 30 milímetros, o suficiente para abarcar uns dez lápis juntos. A brincadeira, aliás, é uma das preferidas do publicitário paulistano João Marcelo Rozário da Silva, 28 anos, que pelo buraco de 20 milímetros que ostenta em cada lóbulo costuma passar oito lápis de uma vez – brincadeira, evidentemente, que nem sonha em repetir quando, de terno e gravata (as tatuagens pelo corpo inteiro devidamente escondidas), visita clientes como Citibank e Perdigão. Nessas horas, para disfarçar, Silva, discretíssimo, aplica na orelha um brinco do tamanho de uma moeda de 50 centavos, que cobre totalmente o orifício. "Sei que não pegaria bem exibir os furos", reconhece.

Marco de Bari
Joao Ramid
Masaí africano e índio caiapó: modelos para os bem modernos

As lojas de piercing, onde a transformação acontece, estão fazendo em média dois alargamentos de lóbulos por dia, reeditando em jovens urbaníssimos o costume ancestral dos guerreiros masaís, do Quênia, e dos índios caiapós brasileiros. Ao contrário das originais, a tribo dos modernos em busca da diferença auricular está crescendo. "Antes, só dava metaleiro ou gente ligada ao movimento punk. Ultimamente, tenho feito em muitas moças e até em senhoras de idade", conta Alex Giostri, da carioca Banzai Tatoo. "Fiz porque sou ligada em cultura indígena", justifica a universitária paulista Roberta Machado, 20 anos, que tem piercing no nariz e na boca e tatuagem nos braços.

O furo é feito com agulha ou instrumento cirúrgico com ponta larga. E dói. Começa-se com um buraco de 4 milímetros (o furinho para brincos tem 1), que se vai alargando 2 milímetros a cada dois meses, usando-se no intervalo, dia e noite, brincos apropriados. Quanto mais lento o processo, menor será a dor e melhor a cicatrização. Outra vantagem, importantíssima: "A pessoa tem tempo para ter certeza de que é o que ela quer", avisa André Meyer, dono da Body Piercing Clinic, a maior de São Paulo. Até 8 milímetros, o buraco, sem um brinco que o mantenha, acaba fechando. Mais que isso, a única saída dos arrependidos é uma plástica com enxerto de pele de outra parte do corpo.

 

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