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Salão cirúrgico

O médico pergunta, no centro de
estética: que
tal fazer uma plástica
depois da depilação?

Adriana Negreiros

 
Fotos Igor Camara
Fo
Tavares examina o rosto de Sandra e atende Ivonete: comodidade

A cliente vai pintar as unhas e sai com os lábios mais grossos e sensuais, recheados de Metacrill, uma substância injetada na área da boca depois de uma anestesia local. Pretendia fazer uma escova, mas cai em tentação e emenda uma aplicação de Botox com um tratamento para dissolver gordurinhas quimicamente. Queria gastar uns 100 reais no salão de beleza e deixa um cheque de 1.000, às vezes mais. Essas são as novas possibilidades dos centros de estética, cada vez mais empenhados em se tornar clínicas de fato. Em São Paulo e Fortaleza, já é possível ir a um centro de tratamento estético e sair de lá com uma recauchutagem geral assinada por um médico.

Em São Paulo, o instituto Estetic Shop oferece peeling, mesoterapia, preenchimento de sulcos e tratamento de microvarizes, além de aplicação de Botox, tudo feito pelo médico Luís Fernando Tibério de Queiroz. No site do instituto, pode-se conhecer as habilidades desse especialista no mesmo cardápio em que aparecem cabeleireiro, manicure, depilação, bronzeamento, massagem e podologia. "Esse serviço facilita a vida da cliente oferecendo todos os procedimentos num mesmo local", diz Queiroz.



O site do Estetic Shop: plástica no cardápio


Há três anos, o cirurgião Júlio César Tavares trocou Porto Alegre por Fortaleza e iniciou contatos com donas de salões estéticos, propondo oferecer intervenções leves – mas ainda assim restritas a médicos – diretamente nesses estabelecimentos. Num ambiente em que as clientes normalmente baixam a guarda da vaidade e queixam-se de suas pequenas divergências com o espelho, não podia dar outra. Tavares já faz vinte atendimentos por dia, a maioria deles em salões da Aldeota, o bairro chique da capital do Ceará. "Aqui faço desde a unha até a aplicação de Botox", explica a comerciante Sandra Pontes, cliente do Centro de Estética Fátima Siqueira, localizado em um shopping de Fortaleza. Ela tirou marcas de expressão da testa, tornou as maçãs do rosto mais salientes, aumentou os lábios e, agora, tem planos de melhorar a aparência do queixo. Ivonete Silva, paulista que mora na Áustria, também elogia a praticidade do serviço. De férias em Fortaleza, ela se tratou com Tavares na Estheticenter, que também tem salas de fisioterapia e acupuntura. Acabou fazendo algumas aplicações de mesoterapia, prática exclusivamente médica indicada em traumato-ortopedia mas amplamente utilizada com fins estéticos para dissolver gordura.

Nesse sistema, um Botox pode custar 500 reais. Um tratamento para preencher depressões nas mãos, 800, e um ataque à gordura localizada, mais 500. O médico Tavares garante que se informa antes sobre as condições do salão em que vai oferecer seus serviços, "para ter uma sala adequada a procedimentos médicos", e afirma que examina as clientes para saber se podem ser submetidas ao tratamento, checando pressão arterial, batimentos cardíacos e condições dos pulmões. Mas as entidades médicas não gostaram nem um pouco de ouvir falar dessa novidade. "Trabalhar em salão de beleza não é postura de médico", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Luiz Garcia. "Um lugar que oferece depilação não tem higiene para procedimentos cirúrgicos."

 
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