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Apertado e perigoso

Empresas reconhecem os riscos da síndrome
da classe econômica, que pode até matar

Ricardo Villela

 
Frederic Jean

1. Quando o passageiro passa horas sentado e imóvel, seu sangue circula mais lentamente pelas veias das pernas, facilitando a coagulação. O coágulo pode obstruir alguma veia, provocando dor e inchaço
2. Depois que o passageiro volta a se movimentar, os músculos da perna fazem com que o sangue circule normalmente. O coágulo pode ser conduzido pelo sistema circulatório até o pulmão e provocar embolia

Uma reunião realizada em Genebra na semana passada iniciou a discussão entre a Organização Mundial de Saúde (OMS) e companhias aéreas sobre um risco que começa a assustar alguns passageiros de avião, ainda que muito poucos casos tenham sido documentados até hoje. O assunto é a chamada síndrome da classe econômica, que passou a despertar a atenção depois da morte da britânica Emma Christofferson, de 28 anos, ocorrida em outubro do ano passado no Aeroporto de Londres. Emma desembarcou de um vôo de vinte horas, procedente de Melbourne, da companhia aérea australiana Qantas. Até então em perfeita saúde, ela teve uma embolia pulmonar. Esse foi um caso clássico da síndrome. Formou-se numa das pernas de Emma, enquanto ela voava, um pequeno coágulo que depois, levado pela corrente sanguínea, chegou ao pulmão e provocou a embolia.

Por que isso acontece? Por várias razões ligadas tanto às condições de circulação do sangue quanto ao ambiente. Ao permanecer sentado por longo tempo, o indivíduo tem diminuída a velocidade do sangue que retorna das pernas para o coração. Primeiro, porque em repouso esse órgão bate mais lentamente. Depois, porque os músculos relaxados não ajudam as veias, com a pressão de contrações, a empurrar o sangue perna acima. Finalmente, também fica inativa uma camada de gordura na planta do pé que normalmente funciona como uma mola sobre o sistema circulatório.

Até aí, o problema é igual para quem viaja de ônibus. As coisas se complicam no avião porque o ar é muito seco. O corpo tende a ficar desidratado e, com isso, o sangue, mais viscoso, pode coagular mais facilmente. Há quem durma por longo tempo numa mesma posição, sob efeito de medicamentos. Ou depois de ter ingerido bebida alcoólica, o que aumenta a desidratação. Não há estatísticas confiáveis a respeito. A síndrome pode ter a mesma incidência fatal relacionada a mortes provocadas por raios. Mas o fato é que há gente que morre disso. Morre porque, quando o corpo volta a ser movimentado, o coágulo viaja. Passa pelo coração, mas não tem calibre para provocar estragos nesse órgão. No pulmão, porém, as artérias vão se afinando conforme se subdividem. O coágulo vai entupir uma delas. Dependendo do ponto, de maneira fatal. A forma mais eficiente e simples de prevenir a síndrome é fazer alguns movimentos com os pés e as pernas pelo menos a cada duas horas. A OMS quer estudar as reações de 100.000 passageiros para conhecer a dimensão exata do problema.

 

UM CASO FATAL

O caso mais famoso da síndrome da classe econômica aconteceu com Emma Christofferson. Há cinco meses, ela viajou de Melbourne para Londres. Durante o vôo, reclamou de dores nas pernas. Logo depois do pouso, ainda no aeroporto, sofreu uma embolia pulmonar. Morreu antes de chegar ao hospital.

 

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