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Internacional Só
um rosto bonito Se eleita, Ségolène
Royal promete gastança na França, sem dizer de onde virá
o dinheiro  Antonio
Ribeiro, de Paris
Jacky
Naegelen/Reuters
 | | Sιgolθne
vestiu-se de vermelho para ir ΰ periferia |
Sempre
vestida de branco, Ségolène Royal, a candidata socialista, passou
os dezoito primeiros meses da campanha presidencial sem deixar claro o que faria
se eleita. Questionada, desconversava: "Os franceses dirão o que deve ser
feito". Madame Royal conseguiu, embora com 8 pontos nas pesquisas atrás
do candidato de centro-direita, Nicolas Sarkozy, posicionar-se na primeira fila
para a largada das eleições em abril. No entanto, a candidatura
da primeira mulher com chance de governar a França estagnou. Na semana
passada, Ségolène trocou de figurino. Vestiu um traje vermelho para
apresentar suas propostas em um comício nos subúrbios pobres de
Paris. Diante de 10 000 simpatizantes, Ségolène Royal fez um preâmbulo
assustador. Se fosse obrigado a cotizar a dívida pública, cada francês
deveria desembolsar 18 000 euros. A platéia chegou a pensar que viria um
plano de apertar os cintos. Nada disso. Ségolène listou a velha
ladainha keynesiana, tão querida da esquerda francesa, de gastos governamentais
para aquecer a economia. De onde sairão os recursos? Ora, dos impostos
que já consomem 64% das riquezas produzidas no país. A socialista
prometeu aumentar o salário mínimo e o seguro-desemprego. Para os
desempregados com menos de 18 anos, o Estado emprestará 10.000 euros sem
juros para abrir um novo negócio 22% dos jovens franceses estão
desempregados.
A equipe econômica
da candidata estuda dois mecanismos novos do velho ideário: taxar a renda
dos franceses que moram no exterior e castigar as companhias que pagam dividendos
em vez de reinvestir os lucros. A questão da jornada de trabalho de 35
horas semanais, exclusividade mundial made in France, será analisada
mais para a frente. Eleita, ela quer construir 120.000 moradias para os franceses
de baixa renda. Se a iniciativa privada não se interessar pela empreitada,
o Estado fará no seu lugar. Os economistas estimam que o programa custará
em torno de 35 bilhões de euros para um Estado que só no ano passado
produziu um déficit orçamentário de 50 bilhões de
euros. Ficou de fora dessa conta uma promessa mais difícil de quantificar.
Ségolène diz: "Eu quero para as crianças francesas o mesmo
que ofereci aos meus filhos". A perspectiva de uma presidência maternal
indulgente aliada a um Estado insaciável não parece ser um casamento
que agrade à maioria dos franceses. Uma pesquisa realizada depois da intervenção
de Ségolène revela que poucos pretendem mudar seu voto. |