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Internacional O
monstro do ETA quer voltar às ruas
O pior terrorista basco faz greve de fome há 100 dias exigindo ser
libertado na Espanha  Denise
Dweck
Emilio
Naranjo/AP
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Juana: ele ri da dor da famνlia das vνtimas dos atentados | |
Todo
movimento terrorista, independentemente das atrocidades próprias de sua
natureza, dispõe de uma besta-fera que sobressai pelo zelo psicopata de
suas matanças. No ETA, o grupo separatista basco, esse notório assassino
sem remorsos é José Ignacio de Juana Chaos. Preso desde 1987 e condenado
pela participação em onze atentados terroristas, com saldo de 25
mortos, De Juana completou na quarta-feira passada o centésimo dia de uma
greve de fome cuja reivindicação causa arrepios entre os espanhóis:
ele quer ser solto. A lógica da greve de fome como meio de persuasão
é baseada em dois princípios. O primeiro é forçar
o governo a ceder às exigências do grevista para evitar o custo político
de uma morte sob a custódia das autoridades. O segundo é despertar
a compaixão da opinião pública e, dessa forma, angariar solidariedade
a sua causa.
Membro do comando
Madri, um dos mais ativos do ETA, De Juana, hoje com 51 anos, não é
merecedor de pena. Quase duas décadas de cadeia não foram suficientes
para que demonstrasse arrependimento ou, pelo menos, passasse a apoiar a facção
do terrorismo basco disposta a negociar uma solução de compromisso
com o governo espanhol. Após um atentado do ETA em Sevilha, em 1998, De
Juana escreveu, da prisão, a uma amiga: "Adoro ver o rosto transtornado
dos parentes das vítimas. O choro delas é o meu sorriso". Em outro
trecho, como se fosse um vampiro, ele se deleita com o sangue derramado: "Com
a ação de Sevilha, fiquei alimentado para todo o mês". Poucos
meses depois dessa carta, ele pediu ao diretor da prisão champanhe para
comemorar o assassinato de um vereador.
As demonstrações de frieza deixaram promotores de prontidão
para evitar que o terrorista fosse solto em 2004. Sua condenação
foi de 3.000 anos em regime fechado, mas a legislação dos anos 80
permitia que a pena fosse reduzida para meros dezoito. Continuou preso devido
a artigos publicados no jornal basco Gara, no fim de 2004, considerados
ameaças terroristas. A sentença pela publicação dos
artigos saiu em novembro de 2006. A Justiça espanhola o condenou a mais
doze anos de cadeia e, em protesto, ele iniciou a atual greve de fome (a terceira
em seu currículo). Na semana passada, o Supremo Tribunal da Espanha reduziu
a pena para três anos, mas o condenado diz que continuará em jejum
até obter liberdade incondicional.
O terrorista já perdeu 20 quilos e os médicos dizem que ele pode
morrer, sobretudo por ter começado essa nova greve de fome apenas trinta
dias depois de encerrar uma outra. Tantos dias sem comer só não
é um recorde porque, desde dezembro, De Juana Chaos foi amarrado à
cama para ser alimentado à força por uma sonda nasal. Em situação
como a dele, com alimentação por tubos, um presidiário inglês
sobreviveu durante 385 dias, na década de 70, em protesto contra uma acusação
de estupro. Com isso, o governo espanhol enfrenta um dilema. Se a Justiça
o libertar devido às condições físicas debilitadas,
colocará na rua um notório defensor do terrorismo. "Seria um choque
ver um terrorista com 25 mortes nas costas sendo libertado depois de apenas vinte
anos, com o sangue das vítimas ainda quente", disse a VEJA o cientista
político Francisco Llera, da Universidade do País Basco, em Bilbao.
Se De Juana não resistir à greve de fome, sua morte virá
em péssimo momento para o governo espanhol. Depois de meses negociando
o fim do terrorismo, sob a crítica da oposição e de familiares
das vítimas do ETA, as esperanças de paz do governo do primeiro-ministro
José Luis Zapatero foram solapadas por um atentado no aeroporto de Madri
que matou duas pessoas, há dois meses. Uma morte dramática de De
Juana poderia transformá-lo em um mártir do separatismo basco e
desencadear nova onda de ataques. |