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| | Economia O
leão de duas bocas A Super-Receita
só será boa se cobrar de quem não paga
Quando um governo fala sobre a necessidade de melhorar
a arrecadação tributária, a primeira alternativa é
sempre a mesma aumentar impostos. Na semana passada, pela primeira vez
o governo tomou uma iniciativa diferente. Em vez de subir taxas e alíquotas,
conseguiu fazer com que o Congresso aprovasse o projeto que cria a Super-Receita,
fusão da atual Receita Federal, que recolhe tributos federais, com a Secretaria
de Receita Previdenciária, órgão do Ministério da
Previdência que se encarrega de recolher os pagamentos ao INSS e outras
contribuições sociais. A estrutura que surgirá da fusão
terá 12.000 auditores. O objetivo é que, centralizando técnicos,
bancos de dados e recursos num único órgão, a Super-Receita
turbine a arrecadação e o combate à sonegação
e diminua os próprios custos do governo para recolher impostos.
"É o primeiro passo
em direção a uma reforma tributária mais abrangente", diz
o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Para entrar em vigor, o projeto depende
apenas da sanção do presidente Lula, o que deve ocorrer nos próximos
dias. Organismos internacionais como o FMI e o Banco Mundial recomendam a fusão
como modo de aperfeiçoar o recolhimento de impostos. Recentemente, China,
Canadá e Argentina adotaram o modelo. "É uma ótima notícia",
diz o consultor tributário Everardo Maciel, secretário da Receita
no governo tucano. "A fusão vai aumentar sensivelmente a eficácia
do fisco brasileiro. Não há motivo para que o Estado gaste rios
de dinheiro com duas estruturas de fiscalização que poderiam fazer
perfeitamente e até melhor o mesmo serviço se fossem
uma só." Estima-se que a fusão também descomplique a vida
das empresas, que passarão a pagar tributos e dívidas em apenas
um órgão. A aprovação com folga do projeto, por 304
votos contra 146, selou a primeira vitória política do governo no
Congresso no segundo mandato de Lula. Vitória mesmo será se a Super-Receita
conseguir, com seu leão de duas bocas, cobrar imposto dos sonegadores
que sobrecarregam os honestos e minam a economia. |