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Brasil Remendos
subterrâneos Laudo mostra
risco de novo desabamento no metrô de São Paulo e governo paralisa
obras  Rosana
Zakabi
Hélvio
Romero/AE
 | | A
futura Estação Fradique Coutinho: materiais baratos e soldas "bacalhau"
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Quando o canteiro
de obras da futura Estação Pinheiros do metrô de São
Paulo desmoronou, no início de janeiro, matando sete pessoas, a população
da cidade ficou atônita. Como pode uma obra tocada pelas cinco maiores empreiteiras
do país, reunidas no consórcio Linha Amarela, desmanchar-se como
um castelo de cartas? Na semana passada, um laudo de vistoria nas obras de outra
estação no mesmo bairro, a Fradique Coutinho, mostrou que as irregularidades
na construção da nova linha do metrô paulista são mais
graves do que se pensava. Há risco de a tragédia de janeiro se repetir.
A vistoria, encomendada pelo próprio consórcio, aponta quinze tipos
de procedimentos errados na obra, todos relacionados às soldas do conjunto
de vigas metálicas que sustentam as paredes de concreto da estação.
As vigas impedem que as paredes se rompam e provoquem o desabamento do terreno.
Muitas das soldas são de tamanho menor do que o recomendado. Outras são
improvisadas, feitas com material inadequado, como restos de ferro e outros metais,
e destinam-se a preencher espaços entre uma viga e outra no jargão
dos operários, é a solda bacalhau. Além disso, algumas das
soldas exibem trincas e porosidade irregular. "As trincas apresentam grande risco
porque podem crescer com o tempo e comprometer a estrutura", diz Sérgio
Brandi, professor da Escola Politécnica da USP, que teve acesso ao laudo.
As soldas malfeitas não
são o único problema apontado nas obras. Há duas semanas,
relatórios da equipe de fiscalização do metrô revelaram
mais de quarenta irregularidades, entre elas a utilização de tubos
e conexões de qualidade inferior à que foi especificada ou de fabricantes
diferentes e incompatíveis entre si. Os especialistas também questionam
o método de construção. Foi aprovada para a execução
das obras a construção de túneis menos profundos e, portanto,
mais baratos. "Isso também gera economia nas escadas rolantes", explica
o engenheiro Roberto Kochen, diretor do Instituto de Engenharia de São
Paulo. Túneis mais rasos oferecem mais riscos de acidentes, principalmente
em terrenos instáveis como o da margem do Rio Pinheiros, onde é
feita parte das obras. Na noite de quarta-feira, o governo paulista decidiu paralisar
várias frentes de trabalho da Linha Amarela por pelo menos um mês,
até que os problemas apontados sejam corrigidos e novos laudos atestem
as condições de segurança da construção. Os
paulistas respiraram aliviados.
O desleixo apontado nas vistorias
Na futura Estação Fradique Coutinho, a solda das estruturas
metálicas é mais frágil que o recomendado, ou foi feita com
material inadequado. Há vigas sem nenhum tipo de soldagem
Foram utilizados tubos e conexões
de baixa qualidade, ou de marcas diferentes e incompatíveis
As obras nas estações provocam
rachaduras nos imóveis próximos aos canteiros de obras
O método de escavação
utilizado no canteiro de obras da futura Estação Pinheiros, que
desabou, é inadequado ao tipo de terreno da região Clayton
de Souza/AE
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