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 Me
chamam de humorista. Sou apenas motivo de riso. Jogos
de amarelinha Ainda brincam de mocinho. Não
mais caubóis, Só assassinos Matando a aula E muitos
dos colegas Como em colégios Do primeiro mundo Matando a aula
Interrompendo a aula Enquanto se divertem Clonando um mal Melhor,
digo pior, do que o real. Ruído de metralhas Dos lábios
comprimidos Em meio a muita bala bala bala bala Bala, bala, bala,
Pipocando na sala. Roda pião. Bamboleia pião. Cresceram
muito Em libido e ambição, Etílicos sem medo Drogados
à exaustão Seguros Em não resistir à tentação
Prosseguem nos jogos infantis Em outra dimensão. Nas ruas,
nos becos, Nos porões impensáveis, São sombras, perfis
na sombra. Agora orgíacos Em jogos mais brutais Cerceiam, exploram,
deformam A ferro e fogo legal Quem não sabe, não quer, Ou
não pode Decifrar seu sinal. Envelhecidos embora, São
todos ainda e apenas Crianças imorais Que vivem o atual Enterrando
no passado Com os dedos queimados Queimada toda a mão. Por
erro, por pecado, Os que teimam Em manter a lição. Ainda
um por um, Juntos até o fim Jogam, desesperadamente, A última
brincadeira (todo sério é besteira) De medo e escuridão
Agora que A luz apaga a luz, Pro último apagão Só
mais uma rodada. A volta do pião Refletido na rua Na poça
da lagoa No recanto da praça Roda pião Sob o céu
da desgraça Sapateia no tijolo Pião. Roda Pião.
28 de maio de 1989 
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