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Diogo
Mainardi E ainda fazem Carnaval?
"O
que é isso? Tem gente sambando na ruas do Rio? As mesmas ruas pelas
quais arrastaram aquele menino de 6 anos? A primeira medida a ser tomada
pelo poder público deveria ter sido cancelar o Carnaval, decretando
luto oficial" Dum. Dum-Dum. Dum Dum-Dum
Dum-Dum. O que é isso? Tem gente sambando nas ruas do Rio de Janeiro? As
mesmas ruas pelas quais os assassinos arrastaram aquele menino de 6 anos? A primeira
medida a ser tomada pelo poder público deveria ter sido cancelar o Carnaval,
decretando luto oficial. Lula
comentou o crime: Isso
não está no racional da humanidade e do mundo animal. Está
no irracional da humanidade e do mundo animal.
Lula tem o direito de achar que seu cachorro Galego é mais racional do
que qualquer um de seus ministros. Acredito que seja mesmo. O que ninguém
pode aceitar é que ele transforme em chanchada uma tragédia desse
tamanho. Ele degrada a morte do menino carioca com suas galhofas momescas.
Depois de discorrer sobre a origem do mal no mundo animal, como uma Hannah Arendt
dos quadrúpedes, Lula recomendou que os parlamentares agissem com "cautela",
com "serenidade", ignorando o clamor popular e o clima "passional" que se criou
em torno do episódio. Isso significa que deputados federais e senadores
podem fazer um pouco de jogo de cena agora, propondo medidas contra a criminalidade,
mas, assim que a morte do menino sair do noticiário, tudo voltará
a ser rigorosamente como antes. Desde que Lula foi eleito, cerca de 200.000 pessoas
foram assassinadas no Brasil. Uma a mais, uma a menos, tanto faz.
Uma das propostas que Lula rejeitou foi diminuir a maioridade penal para 16 anos.
Está certo. Melhor diminuí-la para 14 anos. Ou 10. Ou 7. Mas o fato
é outro. Dos cinco acusados pela morte do menino carioca, só um
era menor de idade. A gente precisa prender os menores de idade. A gente precisa
prender também os maiores de idade. E sobretudo: impedir que eles sejam
soltos. Os criminalistas do
petismo argumentam que é bobagem aumentar o tempo de cadeia dos bandidos.
O que realmente conta, segundo eles, é que um criminoso tenha a certeza
de que será pego. Isso é uma afronta à memória do
menino assassinado. O chefe da quadrilha que cometeu o crime foi preso seis vezes
nos últimos anos, e em todas elas o sistema judicial o soltou. Antes e
depois que ele atingisse a maioridade. Quando ocorreu o crime, o petismo imediatamente
responsabilizou a polícia. Ela merece ser responsabilizada porque tem antecedentes
de roubo, achaque e morte. Mas no caso do menino assassinado a polícia
fez e refez seu trabalho direitinho, oferecendo a certeza de que o criminoso seria
capturado. Aplauso para a polícia. A falha foi do Código Penal,
que libertou um condenado que tinha de continuar na cadeia.
A única resposta que poderíamos dar ao menino assassinado seria
prender a bandidagem por mais tempo, abolindo a liberdade condicional e torpedeando
o instituto da progressividade da pena, tanto para os crimes hediondos quanto
para os crimes comuns. Crime é crime: todos devem ser punidos com o mesmo
rigor. Se o chefe da quadrilha que roubou o carro tivesse ficado na cadeia até
o fim de sua última pena, o menino ainda estaria vivo. Mas essa é
uma causa perdida. O cachorro Galego é contrário. E é ele
quem manda. Dum Dum-Dum Dum-Dum.
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