Artes e Espetáculos Livros

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Malhação encontra seu rumo
A baixa audiência de Porto dos Milagres
Artistas ganham dinheiro nos cruzeiros marítimos
A seqüência de O Silêncio dos Inocentes
Chocolate, com Juliette Binoche
As indicações para o Oscar
Um romance de Dostoievski
Ravelstein, de Saul Bellow

Colunas
Diogo Mainardi
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Mui amigo

O indiscreto Saul Bellow tira do armário
um colega que era guru dos conservadores

Carlos Graieb

Em quase sessenta anos de carreira literária, o canadense Saul Bellow retratou um sem-número de familiares e amigos. Como nem sempre foi benevolente, a cada novo lançamento ele causa arrepios entre os que lhe são mais próximos. "Abro seus livros com medo, só de pensar que posso estar neles", afirmou há alguns anos o filho mais velho de Bellow. Nunca, porém, um desses retratos ficcionais causou tanta discussão quanto o dedicado ao pensador político americano Allan Bloom em Ravelstein (tradução de Léa Viveiros de Castro; Rocco; 213 páginas; 23 reais). Bloom – que não deve ser confundido com o crítico literário Harold – tornou-se celebridade mundial no fim dos anos 80, ao publicar O Declínio da Cultura Ocidental, um ataque virulento às universidades modernas e um lamento em favor das obras clássicas, que teriam sido trocadas por "prazeres mais acessíveis e menos substanciais". Ao descrever esse amigo de vários anos, um homem idiossincrático, dotado de enorme charme e erudição fenomenal, Bellow cometeu duas indiscrições: tornou pública sua homossexualidade e sugeriu que a morte de Bloom, ocorrida em 1992, se deveu a complicações do vírus HIV.

Mesmo antes de o livro ser lançado nos Estados Unidos, uma tormenta se formou. Conservadores que tiveram Bloom como guru chocaram-se com a idéia de sua homossexualidade. Mais complicada é a questão da Aids. Seu atestado de óbito não traz nenhum registro a respeito e o médico que o atendia desmente a doença. "Por muito tempo acreditei saber do que Allan havia morrido, mas surgiram novos dados e não posso afirmar nada com certeza", disse Bellow numa entrevista. A polêmica fez com que passagens de Ravelstein fossem alteradas. Referências a uma vida gay tornaram-se mais oblíquas e algumas menções ao HIV foram cortadas. Mas não todas. E nesse ponto convém lembrar o óbvio: embora próximo da biografia, o livro é uma obra de ficção. Na mesma entrevista em que expôs suas dúvidas sobre a morte de Bloom, Bellow apontou um motivo para que sua contraparte literária, Ravelstein, tivesse, sim, Aids: "Queria que o personagem fosse um homem que conseguiu tudo na vida, mas que também tem uma faca encostada em seu pescoço".

Saber que Bellow se inspira em pessoas de carne e osso para compor seus personagens é importante. É difícil não se render a um autor que consegue transmitir de maneira tão vívida não apenas o aspecto físico, mas também a complexa vida interior de alguém que existiu de fato. Mas lembrar que Abe Ravelstein e Allan Bloom não compartilham a mesma natureza também é fundamental. Como figura literária, o protagonista de Ravelstein é um "símbolo": suas paixões, sua cultura, sua raça, dizem respeito a muitos homens, e não apenas a um. Dez anos atrás, quando completou 75 anos, Saul Bellow afirmou que já não possuía a estamina para escrever livros longos. Engano. Ravelstein é seu maior texto em uma década e mostra que esse ganhador do Prêmio Nobel continua em forma.


Exigências da alma

"Em suas aulas ele tossia, gaguejava, fumava, gritava, ria, fazia os alunos se levantarem das cadeiras, discutia, provocava-os, argüia-os, espicaçava-os. Ele não perguntava 'Onde é que você vai passar a eternidade?', como faziam os fanáticos religiosos, mas sim 'Como é que, nesta democracia moderna, você vai atender às exigências da sua alma?' (...) Homens e mulheres corajosos, principalmente os jovens, dedicavam-se à busca do amor. Em contraste, o burguês era dominado pelo temor da morte violenta. Pronto, da forma mais breve possível, você tem um esboço das preocupações mais importantes de Ravelstein."

Trecho de Ravelstein

 

Copyright 2001
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Curitiba
Veja BH | Veja Fortaleza | Veja Porto Alegre | Veja Recife
Edições Especiais | Especiais on-line | Estação Veja
Arquivos | Próxima VEJA | Fale conosco

CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
Submarino
Americanas
Livros
Saraiva.com.br
Submarino
Espiral
Ingressos
Fun by Net
o que é o canal