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Açúcar demais

Juliette Binoche é uma graça, mas
seu Chocolate enjoa

Isabela Boscov

Com seu estilo discreto de interpretar e sua beleza sem artifícios, a francesa Juliette Binoche é capaz de emprestar dignidade e aquele charme inefável, que os franceses chamam de je-ne-sais-quoi, até a produções cujos méritos não vão muito além da simpatia. É o caso de Chocolate (Chocolat, Inglaterra/Estados Unidos, 2000), desde sexta-feira em cartaz no país. Produzido pela Miramax de O Paciente Inglês e Shakespeare Apaixonado, esse romance repete a fórmula pseudo-européia e pseudochique celebrizada pela empresa. O diretor é o sueco Lasse Hallström, de Regras da Vida, e o elenco tem nomes "de respeito": o rebelde Johnny Depp, a inglesa Judi Dench e a sueca Lena Olin (que na vida civil é a senhora Hallström). O cenário é uma vila austera e fotogênica no interior da França, onde aportam Juliette e sua filha. A jovem mãe solteira confecciona bombons que resolvem até os problemas mais renitentes de quem os consome. Quem não aprova a novidade é o moralista conde Reynaud, todo-poderoso local. Chocolate carrega no açúcar, mas a Miramax conseguiu vendê-lo como uma apologia da tolerância. Essa estratégia, somada a uma verba polpuda de publicidade, rendeu cinco indicações ao Oscar: filme, atriz (para Juliette), atriz coadjuvante (Judi Dench), roteiro adaptado (do livro de Joanne Harris) e trilha sonora. É um lembrete de que a Academia às vezes não resiste a uma campanha de marketing bem adoçada.

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