Mais
neurônios
Malhação
deixa o besteirol de lado,
investe em temas polêmicos e atrai
um público mais velho
Ricardo
Valladares
Oscar Cabral
 |
Fernando Martinho
 |
|
Gabriel Gracindo e Erik Marmo: interpretação de um casal
gay |
Samara:
papel de aidética |
Depois
de muitos tropeços, o seriado Malhação
parece ter encontrado uma fórmula inteligente
e de sucesso. No ar de segunda a sexta na Rede Globo, a partir
das 17h30, o programa estabilizou sua audiência em torno
de 30 pontos, média mais que respeitável para
o horário. Uma pesquisa recém-realizada pela
emissora demonstra, além disso, que a atração
deixou de interessar apenas aos adolescentes, que originalmente
formavam seu público-alvo. Hoje, 49% dos espectadores
têm mais do que 25 anos. A mágica? Deixar de
lado o besteirol e as intriguinhas amorosas que marcaram as
primeiras temporadas do programa e investir em temas polêmicos.
"Procuramos abordar problemas enfrentados por pais e jovens
de maneira franca e sem preconceitos", diz o roteirista Emanoel
Jacobina. O cardápio é digno de novela das 8:
Aids, aborto, homossexualidade.
Alguns
dramas, envolvendo personagens fixos, se desenrolam por mais
tempo. A atriz Samara Felippo, por exemplo, interpreta desde
o ano passado Érica, portadora de HIV. Na semana passada,
ela vivia o dilema de fazer ou não sexo com o namorado,
que resolveu enfrentar a doença a seu lado. De modo
geral, porém, temas e personagens polêmicos vêm
e vão. Muitos deles ficam no ar por menos de um mês.
A história que mais atraiu a atenção
recentemente foi a de Sócrates e Carlos, um casal de
adolescentes homossexuais vividos pelos atores Erik Marmo
e Gabriel Gracindo. Durante quinze dias os dois enfrentaram
o preconceito de amigos e professores. "Queríamos fugir
do estereótipo do homossexual tímido e frágil",
diz o roteirista Emanoel. "Sócrates era o oposto disso.
Não tinha medo de brigar para se defender." Com base
em enquetes e pesquisas, a emissora já tem engatilhados
outros assuntos delicados. O próximo deve ser a síndrome
do pânico.
|