Susto no Napster
Justiça
ameaça futuro da
música grátis na rede
Uma
decisão da 9ª Corte de Apelações Americana
considerou, na semana passada, que o Napster, o mais popular serviço
de troca de arquivos musicais da web, está na contramão
da lei. A Justiça não proibiu o site de funcionar,
como queria a poderosa Riaa associação que
reúne as cinco maiores gravadoras americanas e é a
responsável pela ação. Mas poderá exigir
dele que impeça seus mais de 55 milhões de usuários
de continuar trocando arquivos de obras protegidas pela legislação
de direitos autorais sem pagar nada por isso. Essa interpretação,
se for confirmada por outros tribunais, criará um problema
capaz de inviabilizar o serviço. Algo em torno de 80% das
músicas armazenadas nos domínios do Napster estão
nessas condições, e os responsáveis pelo serviço
já cantaram que é tecnicamente impossível tirá-las
de circulação.
Diante
desse impasse, o serviço criado pelo jovem estudante Shawn
Fanning, que encantou os usuários da internet e pôs
a indústria fonográfica em pé de guerra, pode
ser obrigado a sair da rede mundial de computadores. Ou a cobrar
pelas músicas que distribui. Para tentar virar o jogo, Fanning
está convocando seus milhões de seguidores a sensibilizar
os senadores americanos, com cartas, e-mails e telefonemas, a alterar
a legislação com uma interpretação mais
flexível do que seja o direito autoral. Trabalhando, ao mesmo
tempo, em outra direção, planeja lançar com
a alemã Bertelsmann, do grupo BMG, um serviço pago
de distribuição de música pela internet. O
eventual fim do Napster talvez não signifique o fim da alegria
de copiar músicas de graça na rede. Outros programas,
como Gnutella e AudioGalaxy Satellite, mais difíceis de combater,
podem tomar o seu lugar. Mas, de qualquer forma, a decisão
da Justiça americana indica a disposição do
Estado de tornar essa diversão cada vez mais distante.
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