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A corrida do algodão

Política de incentivos coloca o país
entre os maiores produtores e abre
guerra entre Estados

Já foi a vez da cana, do café e da soja. Agora uma nova lavoura anima o campo. De acordo com um estudo divulgado na semana passada, a cultura do algodão é a que mais se expande no país. Caso se confirmem as previsões para a safra deste ano, o Brasil vai ingressar na lista dos dez maiores exportadores do mundo ainda em 2001. O grande responsável pelo salto é o Estado de Mato Grosso, que assumiu a liderança da produção de algodão por meio de uma política feroz de incentivos fiscais. O governo devolve 75% dos impostos aos plantadores capazes de comprovar que o produto tem qualidade para competir no mercado internacional.

As medidas fiscais tiveram resultados muito além dos esperados. Primeiro porque a expansão da cultura compensou largamente o dinheiro gasto com incentivos. A arrecadação total de impostos com o algodão aumentou de 8 milhões de reais por ano para quase 40 milhões de reais. A política de incentivos gerou outro efeito positivo. Como a lei que institui o benefício fiscal obriga o investimento em pesquisas, nos últimos três anos foram injetados cerca de 15 milhões de reais na descoberta de novas linhagens. Mais um resultado surpreendente: um estudo do governo americano publicado em dezembro compara a qualidade das linhagens recém-criadas de algodão brasileiro com a do melhor algodão do mundo, produzido na Austrália.

É um negócio de ouro para o governo, para prefeitos e principalmente para os produtores. Nas cidades que giram em torno do algodão em Mato Grosso, a população cresceu muito. Em alguns casos, dobrou nos últimos três anos. Agricultores estão comemorando taxas de lucratividade excelentes. O ganho obtido com o plantio dessas novas espécies de algodão é três vezes maior que o conseguido com a soja e quase duas vezes superior ao lucro gerado pelo café. Tanto sucesso atraiu a atenção de outros Estados. Goiás e Bahia adotaram políticas de incentivos semelhantes às que existem em Mato Grosso. O crescimento da cultura já fez surgir mais um fenômeno tão nacional quanto a jabuticaba: "o maior do mundo". O empresário Jorge Maeda foi um dos primeiros a falar em algodão em Mato Grosso, cinco anos atrás. Está sendo apontado como o maior plantador do planeta.

 

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