Ralo social
Seguro-desemprego
tem desvio
de 220 milhões
Lourenço
Flores, de Brasília
Na
semana passada, o presidente Fernando Henrique Cardoso, numa solenidade
pública, disse que a corrupção em programas
sociais é "nojenta". De fato, seus efeitos nocivos afetam
diretamente as camadas mais humildes da população.
O Ministério do Trabalho descobriu que um de seus programas
sociais mais relevantes, o seguro-desemprego, benefício concedido
por até cinco meses a trabalhadores demitidos sem justa causa,
tinha um ralo graúdo. Só nos últimos três
anos, foram desviados pelo menos 220 milhões de reais do
programa. Com esse dinheiro, daria para pagar um salário
mínimo a 405.000 desempregados
durante três meses. Para um programa que distribuiu cerca
de 12 bilhões de reais nos últimos três anos,
o desvio de 220 milhões não chega a ser astronômico
mas é mais do que o sumidouro do prédio do
TRT de São Paulo, de onde se desviaram 169 milhões
de reais em seis anos.
Os
estelionatários do seguro-desemprego criaram sofisticados
esquemas para surrupiar a grana. De início, são aliciados
trabalhadores em pequenos municípios. Com a carteira de trabalho
em mãos, inserem-se nos documentos carimbos falsos de contratos
com empresas idôneas. Os termos de rescisão de contrato
e as guias de saque do fundo de garantia também são
forjados. Aí é só entrar com o pedido do benefício
e embolsar o dinheiro mensalmente. As investigações
feitas até agora identificaram o baiano José de Jesus
Machado, 39 anos, como o campeão das fraudes. Apelidado de
"Zé do Cofre", ele surrupiou 200.000
reais e foi preso quando tentava aplicar novo golpe, de mais 600.000
reais. Ele está detido em Salvador, à espera de julgamento.
Para tapar o ralo, o Ministério do Trabalho vai informatizar
todas as agências que recebem os pedidos, permitindo cruzar
as informações e matar as fraudes na origem.
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