Televisão
Comédia financeira
As dívidas
da família Amorim dão audiência ao Fantástico
Renato Rocha Miranda/TV
Globo
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SEM MEDO DA CÂMERA
Wellington e família:
renda de 2 000 reais e água clandestina |
O quadro Manda Quem Pode, Obedece Quem Tem Juízo, que
o Fantástico exibe nos quatro domingos deste
mês, não tem nada de original. Inspira-se numa
série da BBC sobre adolescentes usuários de
drogas e repete a fórmula didática de dissecar
e organizar o orçamento de uma família utilizada
com frequência pelo programa. No entanto, o quadro é
campeão de cartas e, nas duas vezes em que foi ao ar,
a audiência do Fantástico, que registra
média de 26 pontos, subiu 6 pontos. Isso se deve a
Wellington Amorim, sua mulher, Mônica, suas filhas,
Ingryd e Bruna, e sua sobrinha Jéssica. Moradores do
subúrbio carioca de Santíssimo, eles têm
renda familiar de 2 000 reais, estão endividados até
o pescoço e são um daqueles achados que fazem
a alegria da produção de qualquer reality show.
Wellington, sócio de uma oficina mecânica,
sustenta as quatro mulheres e dois cachorros, Jorge e Mel.
Além destes, acaba dando comida também a um
cão de rua negro, sugestivamente batizado de Obama,
que não sai da porta da casa porque Mel está
no cio. Mônica, a mãe, passa as manhãs
cantando e dançando músicas de Claudia Leitte.
Quem faz comida e passa roupa é o mecânico.
Ingryd, de 15 anos,
a filha consumista que ficou responsável por colocar
ordem no orçamento da casa, tem crises de choro quando
falta dinheiro para as contas e se queixa do programa. "Comer
macarrão com alguém te filmando é horrível",
diz ela, de prato na mão, com uma espontaneidade que
impressiona Luiz Nascimento, o diretor do Fantástico.
"Eles não se intimidam diante das câmeras",
afirma. É fato. Os Amorim expõem seus sonhos
de consumo em rede nacional com candura comovente: comprar
bijuteria na praia, pedir no restaurante um prato de peixe
frito com limão, adquirir uma daquelas raquetes que
eletrocutam mosquitos. Só não esperavam que
tamanha sinceridade acabasse acrescentando uma despesa ao
orçamento. O diretor da companhia de água e
esgoto do Rio notou que a conta de água não
aparecia entre as despesas da casa e mandou fiscais ao local.
Descobriu que a família e mais dezoito vizinhos faziam
ligação clandestina de água. Agora, todos
terão de regularizar a situação.