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Cinema Oito frases para fugir de Austrália. Use-as
Em Austrália, que estreia no país nesta sexta-feira, a inglesa esnobe Sarah Ashley que, numa confusão transoceânica, é interpretada pela genuinamente australiana Nicole Kidman vai para o país-título, em 1939, pôr na linha o marido, que ela julga estar pulando a cerca da fazenda. Encontra-o morto, graças a um barão do gado maléfico (pelo jeito, não existe outro tipo), mas preenche o vazio com o rude, lacônico e solitário vaqueiro (também não existe outro tipo) feito por Hugh Jackman, mais a afeição do garoto Nullah (Brandon Walters, única salvação desta lavoura), filho enjeitado de um branco com uma aborígine. É evidente que, aos olhos do diretor Baz Luhrmann, seu filme é uma combinação nativa de ...E o Vento Levou e Lawrence da Arábia. Aos olhos da plateia também desde que se frise tratar-se da versão pastelão e semianalfabeta desses dois épicos. Para escapar de um programa supliciante, então, oito justificativas prontas: "Muito
grande e muito vazio: só nisso Austrália faz jus ao país
que lhe dá o nome." "Só
há uma explicação racional para a existência deste
épico obeso: trata-se de uma piada, uma gague. Algum bêbado desafiou
Baz Luhrmann a quebrar recordes de bilheteria fazendo o filme australiano mais
inacreditavelmente ruim de todos os tempos." "Gente, você
diria que eu estou bem nesse filme?" "Algo
estranho aconteceu comigo já no começo do excruciante Austrália.
Um choque clínico pôs a parte superior do meu corpo em estado de
paralisia. A pele do meu rosto ficou tão esticada e inerte quanto a testa
de Nicole Kidman, e o céu da minha boca se travou enquanto eu tentava emitir
um traumatizado relincho de desespero." "Os espectadores
que não tenham um vasto apetite por condescendência racial, manadas
de gado em computação gráfica e amassos fotografados em contraluz
vão atravessar Austrália com todo o entusiasmo dos condenados
que, no século XVIII, eram mandados para lá contra a sua vontade." "Austrália
não passa de um exercício melodramático sobre o tédio." "Luhrmann é
atraído pelo kitsch de maneira tão inevitável quanto um urso
pelo mel." "Luhrmann desenvolve um hábito ruim em Austrália: ele insiste que a plateia sinta emoções que o filme é incapaz de incitar." Mick LaSalle, San Francisco Chronicle
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