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Animais Assistiu ao filme,
leu o livro e caiu de amores pelo
Desde Lassie, a collie que estreou no cinema em 1943, todo cachorro-celebridade logo conquista espaço no sofá da sala. Já houve, famosamente, a era dos dálmatas. De temperamento difícil, adeptos do péssimo hábito canino de latir sem parar, acabaram criando nos Estados Unidos o triste fenômeno dos cães abandonados pela moda e pelos donos. Mais recentemente, subiu a cotação do pug, que vem a ser tanto Frank, o cão falante do filme Homens de Preto, quanto Inès, a mimada cachorrinha da personagem de Françoise Fourton na novela Por Amor. "Se o cachorro aparece em um filme ou novela, faz sucesso. Um caso famoso é o do west high-land white terrier, da propaganda de um portal da internet, que em 2000 virou febre", diz Pedro Favaretto, presidente do Clube Paulistano de Cinofilia. Como o modismo produz a compra por puro impulso, sem nenhuma investigação prévia da compatibilidade entre caninos e humanos, não raro se instala o arrependimento (exemplo: a terrier branca e fofa da propaganda era agressiva com crianças). "Viu o filme e se apaixonou? Vá conhecer o criador, os pais, a ninhada toda, e tente achar um cachorro que combine melhor com seu estilo de vida e sua personalidade", recomenda a veterinária Daniela Ramos, da Universidade de São Paulo. Mesmo antes do efeito Marley, o labrador já figurava entre os cachorros mais registrados na Confederação Brasileira de Cinofilia, depois do yorkshire (como a cadela Vida, da modelo Gisele Bündchen), do shih-tzu e do maltês e antes do lhasa apso. Contam a favor do único grandalhão da lista o jeito dócil e carinhoso, a capacidade de aprendizagem e aqueles olhos que parecem convidar: "Vamos brincar?". Originário do Canadá, de onde saiu para ser criado na Inglaterra, o labrador como cão de caça é obediente e pega leve na mordida, preservando a presa. "Ele foi selecionado para ser louco por água, ser muito carente (e então voltar para o dono) e gostar de ficar com objetos na boca (no caso, patos). Há uma linhagem mais enérgica, e outra, mais adequada para ser guia de cegos, que tem menos energia. Só que hoje existe muita mistura, o que dificulta a identificação. De modo geral, é um cachorro que precisa de atividade e, principalmente, do convívio com a família", explica o adestrador Alexandre Rossi. Todo mundo já sabe, mas não custa repetir: os desvios de conduta são invariavelmente causados pelos próprios donos. "Já treinei muitos Marleys. O labrador típico é brincalhão, mas calmo. Os problemas surgem porque atualmente o cachorro é um membro da família e as pessoas deixam que ele faça tudo o que quer. Erram por excesso de amor", critica André Luiz Gaspar, adestrador especializado em comportamento animal. Para lidarem com casos extremos, os Estados Unidos ganharam o Encantador de Cães na figura do mexicano Cesar Millan, estrela de um seriado que aqui é transmitido pelo canal pago Animal Planet e, claro, autor de sucesso. Seu lema: toda matilha tem um líder e quem deve assumir essa função é o dono, de coleira curta em punho e a ideia, francamente difícil de assimilar, de que os amiguinhos de quatro patas querem acima de tudo um chefe dominante, não condescendente. A prova do sucesso de Cesar é que o próprio Grogan apelou a ele na hora de disciplinar Gracie, a labradora tranquila e preguiçosa que sucedeu a Marley na casa da família. Já no filme, para cobrir todo o espectro de tempo e de diabruras do personagem, foram usados 22 cães. Todos obedientíssimos.
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