Medicina
Marcas congeladas
Nova técnica
promete atenuar as manchas
de sol com mais precisão e segurança

Adriana Dias Lopes
Manoel
Marques
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| A MENOS 55 GRAUS
O frio congela e mata as
células escuras |
A pele, infelizmente, é a vitrine do processo de envelhecimento.
Os primeiros sinais da ação do tempo surgem
sob a forma das manchas de sol. Ainda que discretas, elas
tendem a aparecer antes das rugas. Não é à
toa que os tratamentos antimanchas são os procedimentos
mais procurados nos consultórios dermatológicos.
Até recentemente, as únicas armas disponíveis
contra esse tormento estético se baseavam em recursos
ou brandos, como os ácidos tópicos, ou agressivos
demais, como a crioterapia e o laser. Agora os médicos
contam com uma tecnologia que não fica nem lá
nem cá. Ela é indicada para pacientes cujas
manchas não são tão leves nem tão
profundas. Ou seja, a maioria das pessoas próximas
dos 40 anos. Sob a forma de spray, o novo produto congela
e mata as células responsáveis pelas manchas.
Batizada de crioterapia light, a técnica recém-chegada
ao Brasil difere da crioterapia convencional por seu raio
de ação. A temperatura da crioterapia light
chega a 55 graus negativos a da outra, a menos 196
graus. Quanto "mais quente", mais seguro é
o produto, já que ele só atinge as células
mais superficiais da pele. "Com isso, as regiões
mais profundas são poupadas e os riscos de lesão,
reduzidos", diz a dermatologista Érica Monteiro.
Com a crioterapia
tradicional e os tratamentos a laser, dada a profundidade
de seu alcance, corre-se o risco de agredir os melanócitos
as células produtoras de melanina, o pigmento
natural da pele (veja o quadro abaixo). Quando um melanócito
sofre uma lesão, como forma de se proteger, o organismo
estimula a produção de melanina escurecendo
as marcas já existentes ou manchando ainda mais a pele.
O risco de um efeito colateral com o laser e a crioterapia
convencional chega a 15%. "O sucesso da crioterapia e
do laser depende muito do treinamento do médico",
diz o dermatologista Adilson Costa. Tais recursos continuam
insubstituíveis contra as manchas mais escuras e profundas
e as brancas, cujo tratamento consiste justamente em agredir
os melanócitos, fazendo com que eles trabalhem mais.