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Edição 2096

21 de janeiro de 2009
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Esporte
Ela, sim, é um fenômeno

Eleita pela terceira vez a melhor do mundo,
a jogadora Marta será estrela da nova liga americana


Kalleo Coura

Até recentemente, o único jogador de futebol brasileiro a ser eleito três vezes o melhor do mundo pela Fifa era Ronaldo Nazário. Além dele, apenas o francês Zinedine Zidane e a alemã Birgit Prinz haviam sido agraciados tantas vezes com o prêmio mais importante do futebol. Na semana passada, a jogadora Marta Vieira da Silva passou a integrar esse panteão – e com uma imensa vantagem sobre seus companheiros de glória: enquanto todos eles já passaram dos 30 anos e se preparam para pendurar as chuteiras (ou já penduraram, no caso de Zidane), para ela, o jogo ainda não chegou nem à metade do primeiro tempo. Aos 22 anos, a meia-atacante já atingiu a incrível marca de 191 gols em 189 jogos. Para ser chamada de "Fenômena" bastaria que a palavra existisse.

"A Marta tem a habilidade do Ronaldinho Gaúcho, o domínio de bola do Kaká e a velocidade de Cristiano Ronaldo. Além disso, dribla como o Robinho e tem faro de gol como o Ronaldo", diz Renê Simões, ex-técnico da seleção brasileira feminina, hoje no Fluminense. Com tantas qualidades assim, poderia essa alagoana de Dois Riachos jogar ombro a ombro, e profissionalmente, com um time masculino? Aí também não, responde o fisiologista Turibio Leite de Barros, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Em todos os quesitos físicos, as jogadoras de futebol apresentam uma performance entre 10% e 30% inferior à dos atletas masculinos", afirma. "Isso se deve, principalmente, ao fato de os homens apresentarem um nível mais alto de testosterona, que, entre outras coisas, define o volume de massa muscular." Marta, no entanto, extrapola a média feminina em diversos aspectos, a começar pela velocidade em campo. Segundo Barros, a velocidade média de uma jogadora de futebol é 10% menor que a dos homens. No caso de Marta, um teste feito em 2007 pelo clube sueco Umea IK, onde ela jogava até o fim do ano passado, mostrou que essa porcentagem é de apenas 6,5%.

Na segunda-feira, pouco antes de subir ao palco do Opera House, em Zurique, na Suíça, para receber pela terceira vez o prêmio de melhor do mundo, Marta teve anunciada oficialmente sua transferência para o Los Angeles Sol. O time pertence à liga americana WPS, que estreia em março com pretensões de se tornar a maior do mundo. Nesse sentido, a contratação da brasileira é um começo fenomenal.

 

A MELHOR, DE LONGE

A brasileira Marta e a alemã Birgit Prinz já foram eleitas três vezes cada uma a melhor jogadora do mundo pela Fifa. Neste ano, Birgit ficou em segundo lugar na eleição, mas, em média de gols feitos por jogo,  a distância que a separa de Marta é bem maior

Joe Klamar/AFP

MARTA

Média de gols por jogo
na seleção brasileira

1,06

TRICAMPEÃ PRECOCE
Aos 22 anos, três troféus da
Fifa e 191 gols em 189 jogos
 
   

BIRGIT PRINZ

Média de gols por jogo
na seleção alemã

0,65

Liu Jin/AFP

 



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