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Empresas

A
pioneira da foto amadora anuncia
sua grande guinada digital com o fim
da venda
de câmeras tradicionais nos
EUA, no Canadá e na Europa

Carlos
Rydlewski
Divulgação
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2004
Até o fim deste ano,
equipamentos
digitais serão as
únicas câmeras Kodak à venda nos
mercados de ponta
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"Aperte
o botão. Nós fazemos o resto." O hábito quase
universal de sacar uma câmera e registrar em filme os primeiros
passos do bebê, a festinha de aniversário e, principalmente,
as viagens da família começou em 1888 nos Estados
Unidos com esse slogan poderoso criado pela empresa Kodak, de um
então desconhecido escriturário de 34 anos de idade
chamado George Eastman. Pouco mais de um século depois de
dar o primeiro passo na revolução que tornou a fotografia
acessível a bilhões de pessoas em todo o mundo, a
Kodak anunciou, na semana passada, o começo do fim do filme
de celulóide, que fez dela a 144ª maior empresa americana,
com faturamento anual de 12,8 bilhões de dólares.
Em um comunicado seco, a empresa divulgou que vai interromper totalmente
a produção e venda de câmeras analógicas
nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa, seus principais
mercados, para se concentrar nas câmeras digitais, que não
utilizam filme e registram imagens em anteparos eletrônicos
sensíveis à luz. "Embora a empresa viesse falando
nisso desde setembro passado, o anúncio foi um salto dramático
que marca o fim de uma era. A Kodak antecipou-se ao declínio
inevitável das câmeras e filmes tradicionais", diz
Shannon Cross, analista americano de Wall Street.
A Kodak vai seguir produzindo máquinas que usam filme fora
dos Estados Unidos, do Canadá e da Europa, mercados que serão
abastecidos enquanto houver demanda. O anúncio da estratégia
digital da lendária companhia lembra outras viradas épicas
de empresas pioneiras que, vendo desaparecer seus mercados tradicionais,
se apressaram em conquistar outros criados pelo avanço tecnológico.
Na década de 50, a IBM abandonou o até então
lucrativo segmento de caixas registradoras para se tornar um gigante
do processamento digital. A Kodak vem se arrastando desde meados
dos anos 90, quando passou por dramático corte de custos
e racionalização. Mal executado, esse processo desidratou
a empresa, deixou-a em profundo coma criativo e minou o valor de
suas ações, o que lhe rendeu o apelido de "a bruxa
de Wall Street".
Com
a guinada digital, a Kodak espera voltar aos dias de glória
em que ditava o ritmo das inovações. Criar produtos
revolucionários sempre foi a obsessão da empresa.
Trabalho duro também. O pioneiro George Eastman inventava
seus modelos de câmeras na cozinha da casa onde morava com
a família, trabalhando até altas horas da noite, após
cumprir expediente no banco. Muitas vezes, George despencava de
cansaço e dormia ao lado do fogão. Doze anos depois
de lançar a primeira máquina portátil com rolo
de filme, em 1888, a Kodak colocou no mercado talvez seu mais bem-sucedido
produto, a Brownie, que custava apenas 1 dólar. Nos anos
60, outro sucesso estrondoso veio com o lançamento mundial
da Kodak Instamatic, que dominaria a cena da fotografia doméstica
por mais de trinta anos. A marca se orgulha também de ter
produzido a primeira câmera digital do mundo, um protótipo
feito em 1976 mas que nunca se tornou produto comercial. "Chegou
o momento de nos reinventar. Nosso avanço está se
dando sobre terreno seguro. Não é uma aventura", diz
o brasileiro Jaime Cohen, chefe da divisão de fotografia
para amadores e profissionais da Kodak nos Estados Unidos. Para
os analistas, já estava passando da hora. No último
Natal, de cada dez máquinas fotográficas vendidas
para americanos, seis eram digitais. A venda de CDs regraváveis
que permitem estocar com segurança centenas de fotos de alta
qualidade quadruplicou em relação ao ano anterior.
A dramática mudança de rumo da Kodak foi recebida
com ceticismo em Wall Street. A estratégia da empresa de
se concentrar em câmeras digitais, embora não houvesse
outra opção, não pareceu aos analistas uma
medida capaz de livrar a companhia do destino de outra pioneira
do ramo, a Polaroid. Há dois anos, a conhecida fabricante
de câmeras de revelação instantânea pediu
falência. Os analistas lembram que as margens de lucro dos
produtos digitais são incomparavelmente menores que as dos
convencionais. A Kodak rebate dizendo que em mais de 100 anos no
mercado jamais teve lucro vendendo câmeras analógicas.
Tirava a maior parte de seu lucro da comercialização
de filmes para amadores, profissionais e o cinema e de sua divisão
de produtos científicos e hospitalares. A companhia lembrou
que no último trimestre de 2003 o setor de produtos digitais
registrou seu primeiro lucro na história. A Kodak tentou
acalmar os ânimos dos que prevêem dificuldades para
a empresa com a informação de que continuará
agressiva na venda de seus filmes e câmeras tradicionais nos
mercados da América Latina e Ásia. A companhia calcula
que na China apenas três de cada dez pessoas com renda que
permita tornar-se fotógrafo amador comprem câmeras
e filmes. O potencial do mercado chinês, portanto, seria suficiente
para cobrir os altos custos da guinada digital.
Divulgação
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| O
Prius, da Toyota: um híbrido à espera da solução
definitiva |
Para a Kodak, a alternativa híbrida de manter para sempre
um pé no mundo analógico e outro no digital foi considerada
mortal. Exemplo de tecnologia híbrida, as máquinas
e filmes no formato APS foram o mais recente fracasso da companhia.
Os filmes APS são embalados em cartuchos lacrados que trazem
no exterior uma pequena trilha magnética cuja leitura por
meio de um dispositivo na câmera informa dados como o tipo
de filme e seu grau de sensibilidade. Nos últimos anos, a
venda de filmes APS caiu assustadores 30% ao ano. "Os clientes se
mantiveram fiéis aos filmes tradicionais de 35 milímetros
ou pularam direto para a fotografia digital", disse na semana passada
Charles Smith, porta-voz da companhia.
O hibridismo é sempre uma saída provisória.
As grandes montadoras de automóveis estão enfrentando
o mesmo dilema. Elas se preparam para o ocaso da era do petróleo,
com data impossível de ser prevista, mas cujo desfecho é
óbvio: um dia acaba. A melhor tentativa até agora
é o Prius, da Toyota, que funciona alternadamente movido
a gasolina e a eletricidade. Vendido a 20.000 dólares nos
Estados Unidos, o veículo foi um sucesso de mercado no ano
passado. Os analistas acreditam, porém, que, a exemplo do
que ocorreu com os filmes APS, a grande massa de consumidores vai
se manter fiel aos carros a gasolina até que se firme a tecnologia
das células de hidrogênio ou outra qualquer que vá
dominar o futuro da indústria automobilística.
| As
digitais mais populares |
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Nos
Estados Unidos, seis de cada dez câmeras vendidas
são digitais. No Brasil, elas já fazem
sucesso
Fotos divulgação
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OLYMPUS
D-390
Modelo
com resolução razoável, tem
o preço de 999 reais como aliado
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SONY
CYBER-SHOT P32
Está
em todas as listas das campeãs do Natal
e custa 1 399 reais
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CANON
A300
Da
linha PowerShot, boa de vendas, por 1 398 reais
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