Edição 1837 . 21 de janeiro de 2004

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Especial
O que torna você sexy?

Acredita-se que a maior influência esteja
relacionada a padrões culturais, mas uma
série de estudos científicos pode ajudar
a decifrar os mistérios da atração sexual


Daniela Pinheiro

 

Bob Wolfenson

A modelo Gisele Bündchen: exemplo indiscutível de beleza com alto poder de atratividade

Diz-se do amor que, para existir, deve pressupor certos laços estáveis entre duas pessoas: cumplicidade, lealdade, respeito e admiração são alguns deles. Já para a atração sexual, basta estar vivo. Aquilo que chamamos de "química", "estalo", "sex appeal", "libido" ou "tesão" independe da vontade própria e das circunstâncias. É algo que parece irresistível e incontrolável. Não importa se o casamento de alguém vai às mil maravilhas ou se a auto-estima está lá em baixo. Acontece na fila do cinema, numa reunião de trabalho ou na academia. Ninguém está imune a sentir desejo por outra pessoa a qualquer momento, mesmo que a coisa pare por aí. A magia da atração sexual, antes discutida apenas no âmbito da poesia e da cultura, passou a ser estudada pela biologia. Além da aparência física, da conta bancária, do temperamento ou do simples impulso de reprodução proposto por Charles Darwin, ainda há uma confusão de hormônios, circuitos cerebrais e substâncias químicas influenciando a questão de com quem se gostaria de ir para a cama.

Há um debate acalorado e antagônico entre sociólogos, historiadores, antropólogos contra a turma das ciências naturais – biólogos, neurocientistas, geneticistas. Para os primeiros, o grupo da área médica seria reducionista, orientado a limitar qualquer comportamento a sua dimensão orgânica. Ou seja: a atração sexual seria inerente e o ser humano responderia aos impulsos guiado por seu código genético. Já os cientistas sociais, na visão dos oponentes, seriam pouco rigorosos, acostumados a disfarçar o proselitismo ideológico sob pesquisas acadêmicas, já que consideram o tesão resultado único de padrões culturais. "Como as duas correntes não conseguem se desmentir empiricamente, o mais correto é imaginar que a verdade esteja entre uma coisa e outra", afirma a psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

 

Fotos divulgação/J.R. Duran

Carolina Dieckmann, Jennifer Lopez e Fernanda Lima (da esq. para a dir.): características físicas as tornam unanimidade entre o público masculino

VEJA reuniu um compêndio dos mais recentes estudos sobre o assunto apresentados em respeitadas publicações como New Scientist, The Lancet e Nature. A partir deles, é possível ter uma idéia do que já foi mapeado pela ciência. E isso é a novidade quando se trata de entender a atração sexual. Sabe-se que homens e mulheres são estimulados por critérios marcadamente diferentes. No Brasil, os indicadores são explícitos. Uma pesquisa inédita, realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro sob coordenação da antropóloga Mirian Goldenberg, comprova a tese. Diante da questão "O que mais te atrai no sexo oposto?", a resposta campeã entre os homens foi "beleza" e, entre as mulheres, "inteligência". Para os homens, o instinto fala mais alto. De acordo com os trabalhos internacionais, está provado que o que mais os excita, à primeira vista, é a anatomia. Pura e simplesmente. É passar pela frente uma jovem cheia de curvas para que a maioria se sinta imediatamente provocada. Jovialidade e beleza são também fatores importantes.

Preferência nacional
Uma pesquisa inédita da Universidade Federal do Rio de Janeiro ouviu 1 300 homens e mulheres, entre 20 e 50 anos, para saber o que as pessoas acham que mais as atrai sexualmente.
A MAIORIA DAS MULHERES RESPONDEU "INTELIGÊNCIA", ENQUANTO MAIS DA METADE DOS HOMENS DISSE "BELEZA"

Já para elas, mesmo no momento inicial do desejo, o jeito, o olhar, a voz e até o sorriso do sujeito – características extremamente subjetivas – contam mais. A estampa, é lógico, é levada em consideração, mas está longe de ser determinante. "Homem atraente, acima de tudo, tem de ter uma postura interessante, um jeito especial. Não dá para precisar o que é isso, mas eu sei identificar se ele aparecer na minha frente", diz a atriz Juliana Paes, que causa frenesi em dez entre dez homens no país. Pesquisadores ingleses garantem que a atração sexual se dá em 150 milésimos de segundo. É o tempo que leva para o cérebro responder se uma pessoa vale a pena. Acredita-se que a atração comece no hipotálamo, área do sistema nervoso responsável pela produção de hormônios que controlam características do organismo como a fome, o sono e o humor. Dali, envia-se uma mensagem à hipófise, que produz hormônios para as glândulas sexuais. Essas reagem produzindo estrogênio, progesterona e testosterona. Em segundos, o coração dispara, os músculos tensionam e o impulso está dado.

A partir dos trabalhos publicados, é possível traçar um perfil aproximado do tipo que faz sucesso. E por que faz sucesso. O que não significa que aqueles fora das especificações estejam fadados à solidão perene. Segundo as mais recentes pesquisas, pode-se chegar à conclusão de que o tipo irresistível para as mulheres tem voz grossa, é cobiçado, diz que faz ginástica e tem um cheiro que lembra o do pai dela. Se a mulher for bonita, a exigência da beleza do parceiro aumenta. Se ela estiver ovulando, diminui. Pode parecer esdrúxulo, mas são constatações feitas por renomados centros de estudos internacionais. Segundo pesquisadores da Universidade de Ontário, no Canadá, a simples menção ao fato de exercitar-se (nem precisa ser verdade) já os faz mais interessantes aos olhos femininos. Em outra pesquisa, acadêmicos da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, verificaram que homens que falam em freqüências mais altas são tidos como fracos e covardes. As mulheres chegam a acreditar que os machões de voz grossa sejam mais fortes e mais cabeludos que os de voz fininha. Daí a preferência. Os especialistas da Universidade de Louisville, no Kentucky, demonstraram que, quando uma mulher mostra interesse por um homem, ele se torna mais facilmente objeto de desejo das demais. É a prova de que um selo de ISO 9000 pode ser um afrodisíaco feminino. Da Universidade de Chicago veio a constatação de que as mulheres, inconscientemente, optam por homens que tenham um cheiro parecido com o de seus pais. E na Escócia os pesquisadores concluíram que durante a ovulação as mulheres acham os homens feios mais bonitos, depois de submeterem mais de 100 voluntárias a testes.

 

Selmy Yassuda

"Fazia muito tempo que eu não sentia nada por alguém. Quando o vi, me deu uma coisa, senti uma felicidade que não provava havia anos."

ATRAÇÃO FATAL
Isabela e o marido, Marcelo Macedo, casados há dez anos

Já o modelo que mais atrai os homens tem traços mais infantis, corpo curvilíneo, lábios grossos e cheira a lavanda. Um extenso levantamento conduzido pelas universidades de Regensburg e Rostock, na Alemanha, mapeou as características faciais que mais seduzem o sexo masculino. Mulheres de olhos grandes e arredondados, testa larga, nariz e queixo pequenos e maçãs do rosto acentuadas – o que caracteriza o rosto de crianças – levam vantagem. Não que haja algum traço de pedofilia na escolha. É que o conjunto é visivelmente mais harmônico. Durante o experimento, foram apresentadas duas fotos de várias mulheres adultas. Uma, como elas são. A outra, alterada no computador visando a obter proporções infantis. A maioria dos entrevistados preferiu a versão "criança" dos rostos. Traduzindo para a vida real, são rostos como o de Kate Moss, da Brigitte Bardot dos bons tempos ou mesmo de Carolina Dieckmann.

Se a preferência é por rosto angelical, quando se trata de corpo o campeão é o de uma Vênus. Uma pesquisa suíça concluiu que o tipo cobiçado pela maioria esmagadora dos homens é o de quadris mais largos que a linha da cintura. Estabeleceu-se, inclusive, quais seriam as medidas. A proporção tida como ideal é de 0,7 (medida da cintura) para 1 (quadris). Algo que serve para magras como Fernanda Lima ou voluptuosas como Danielle Winits. O que interessa é a proporcionalidade. Quando as costas são mais largas em relação aos quadris, diz o estudo, o interesse dos homens diminui. A mais fresca notícia, divulgada na semana passada, vem da Universidade Politécnica de Hong Kong. Garantem os pesquisadores chineses que a relação entre o volume corporal e a altura de uma mulher pode explicar com segurança seu poder de atratividade. Entretanto, a equação proposta pelos chineses traz certa dificuldade de cálculo. Primeiro, é preciso saber o volume, em metros cúbicos, do corpo para que se possa dividi-lo pelo quadrado da distância entre o queixo e o pé. Melhor deixar pra lá. "Eu só uso meu olho clínico. Gosto do padrão universal: bunda grande, seios firmes e cheiro bom é o que está valendo", afirma o ator Paulo Vilhena, que já namorou beldades como Luana Piovani, a cantora Sandy e a modelo Maryeva Oliveira.

 

Valério Trabanco/Vip

"Homem para mim tem de ter postura. Eu não sei muito bem definir isso, mas sei reconhecer se vejo um exemplar assim. "

PAIXÃO INEXPLICÁVEL
A atriz Juliana Paes, a bonitona da vez

O rosto, se também for simétrico, pode ser garantia de êxito entre os homens. O nariz não precisa ser arrebitado nem a boca em forma de coração. Mais uma vez, o que conta é a harmonia. Pesquisadores australianos também mediram a atratividade dos rostos femininos. A fórmula usada foi calculada pelo matemático grego Pitágoras no século VI a.C. Ao que tudo indica, vale até hoje. Para um rosto perfeito, a proporção entre a largura da boca e a do nariz deve ser de 1,618 para 1. O rosto de Gisele Bündchen, por exemplo, enquadra-se no padrão. Um estudo da Universidade Dalhousie, no Canadá, diz que pessoas com rosto assimétrico são mais ciumentas. A explicação da teoria é que, como são menos atraentes, temem mais pela perda do parceiro. É evidente que ninguém sai por aí com uma régua na bolsa. Mas, segundo os especialistas, apesar de essas serem particularidades insignificantes, o cérebro consegue percebê-las. Se estiver com os neurônios em ordem, é claro. Outra pesquisa provou o que todo mundo que freqüenta bares já sabia: depois de uns goles a mais, ninguém é mais tão feio. Estudo do Departamento de Psicologia da Universidade de Glasgow, na Escócia, constatou que, após consumirem cerca de cinco cervejas ou três copos de vinho, 25% de homens e mulheres passaram a achar estranhos mais atraentes do que os entrevistados sóbrios submetidos à presença das mesmas pessoas.

A lógica da perfeição
Depois de vários estudos, cientistas chegaram a uma regra que traduziria as medidas de um corpo feminino considerado muito atraente pelos homens. Veja como ele é:
A PROPORÇÃO TIDA COMO IDEAL ENTRE A LINHA DA CINTURA E O QUADRIL É DE 0,7 PARA 1.

É certo que os resultados de todos os estudos sobre as prováveis influências na escolha da alma gêmea podem ser discutíveis. É impossível estabelecer um padrão universal de beleza ou de atratividade. A diversidade étnica e cultural em todo o planeta proporciona um leque enorme de ideais para cada sociedade. Nos Estados Unidos, por exemplo, os seios causam furor nos homens. Já no Japão a nuca feminina é considerada a parte de maior sensualidade. É bom que seja assim. Mas o interessante é perceber quanto as observações científicas podem ajudar a decifrar o jogo sexual, a explicar aquela comichão que se sente diante de um desconhecido. "Os trabalhos são relevantes porque apontam o que uma maioria expressiva da população tem como padrão. Isso ajuda os especialistas a compreender melhor o comportamento humano. No entanto, nenhum deles deve ser visto isoladamente", reitera Carmita Abdo.

Uma particularidade das pesquisas é que a maioria delas trata mais dos mistérios da tensão sexual das mulheres. É sobre o que ocorre com elas que menos se sabe, já que sua libido é notavelmente influenciada por fatores socioculturais. Ao contrário, estudos com homens parecem apresentar os mesmos resultados desde o tempo das cavernas: anatomia pura. A teoria científica usada para explicar tal fenômeno é a do imperativo biológico, ou seja, as escolhas e preferências de parceiros sexuais ainda são influenciadas pela procura por melhores genes para uma futura prole. Homens buscariam mulheres jovens e atraentes, pois detectariam na juventude a possibilidade de gerar muitos filhos, e na atratividade, a saúde do corpo para enfrentar a gravidez e suas repercussões. Já a mulher estaria de olho em um parceiro com dispositivos internos de força, poder e capacidade de proteção para ela e sua prole. "Quando o vi, fiquei completamente inebriada. Mas não fui para a cama direto", diz a carioca Isabela Piereck, 35 anos, que se casou com o empresário paulista Marcelo Macedo, 38 anos, dois meses depois de se conhecerem. "Foi uma atração louca. Mas eu queria saber primeiro se ele não era um aventureiro", lembra.

 

Ivone Perez

"O que faz o tesão durar é a admiração. Isso é imprescindível, porque nos faz querer estar sempre com a pessoa, aprender com ela."

QUÍMICA DO AMOR
A atriz Danielle Winits, atualmente sem namorado

Sob a ótica evolucionista, é como se, antes de dar uma piscadinha para um sujeito do outro lado do balcão do bar, toda mulher já pensasse no rosto que teria o filho de ambos. "E é verdade. Só que isso não passa pela consciência. É algo tão intrínseco que a consciência não chega a ter a percepção desse processo", explica o geneticista Renato Zamora Flores, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O fato é que a mulher é capaz de sentir desejo tão intenso quanto o homem. A diferença é que ela não é escrava do impulso. Ela pode ficar muito excitada por um sujeito, mas só irá para a cama com ele depois que critérios subjetivos forem satisfeitos. "Elas não isolam o componente sexual quando falam sobre atração. É uma questão cultural. Mas isso está mudando na nova geração. As mulheres vão assumir o desejo pelo desejo, tal como os homens. Aí, sim, vamos poder esperar novidades nessa área", afirma o psiquiatra Ronaldo Pamplona da Costa, da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana. A parte boa é que também se constatou que, se a relação perdura, homens e mulheres passam a valorizar traços mais profundos, como inteligência, senso de humor e orientação religiosa.

A teoria evolucionista é aplicada com freqüência no entendimento da libido humana. A questão do cheiro é um dos temas mais debatidos. Há dezenas de pesquisas que apontam indícios de que homens e mulheres se comunicam através de odores corporais associados a substâncias produzidas pelas glândulas apócrinas, os feromônios. O mesmo ocorre com a maioria dos animais, das abelhas aos macacos. O poder dos feromônios sempre foi muito incensado, principalmente por laboratórios e fabricantes de perfumes que prometem milagres sexuais ou mesmo a descoberta do Viagra feminino. Nos Estados Unidos, chegou-se a comercializar um produto, chamado Feromônio Atenas 10x, que diziam basear-se na substância e ser um infalível erotizante. Foi um fracasso. Duas pesquisas polêmicas feitas na Europa apontam para uma possível veracidade, mas são inconclusivas. Na Inglaterra, uma equipe de cientistas da Universidade Northumbria projetou fotografias de mulheres e pediu a vários homens que avaliassem seu sex appeal. A classificação "atraente" era mais freqüente quando os cientistas borrifavam o ambiente com feromônios. Na Alemanha, também mostraram fotos e pediram que os voluntários cheirassem roupas íntimas das mais feias. A avaliação sobre a beleza das mulheres melhorava. Está provado que mulheres que dormem ao lado de um homem tendem a menstruar e ovular mais regularmente, ao mesmo tempo que, nesse homem, a barba cresce mais rápido. Mulheres que convivem muito costumam sincronizar a menstruação. "Pode ser tudo influência do feromônio, mas, como ninguém sai cheirando o outro na rua, sua verdadeira importância na hora da conquista deve ser minimizada", diz Eliano Pellini, coordenador do Setor de Ginecologia Endócrina da Faculdade de Medicina do ABC.

Pelo menos um arraigado mito popular parece estar com os dias contados, se depender da ciência. Aquele que reza que os opostos se atraem. Estudos provam que a maior atração sexual se dá entre pessoas que se assemelham fisicamente ou têm o mesmo estilo de vida. Acadêmicos da Universidade de St. Andrews, na Escócia, afirmam que as pessoas tendem a achar mais bonitos indivíduos com características parecidas às suas e às de seus pais. Na pesquisa, os tipos escolhidos pela maioria dos 200 entrevistados lembravam os próprios pais ou seus familiares. Recente estudo da Universidade da Califórnia, publicado na revista Nature, corrobora a tese. Segundo esse trabalho, pessoas bonitas se sentem mais atraídas por parceiros bonitos do que ricos. E os endinheirados preferem gente do mesmo status às pessoas dotadas de grande beleza. Outra pesquisa americana aponta que 80% dos casais são semelhantes em quatro fatores: faixa etária, grau de escolaridade, religião e raça. "A regra dos casais é a homogeneidade, e isso se dá também na atração física. As pessoas temem quem se parece melhor ou diferente demais delas mesmas", diz Ailton Amélio da Silva, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Aqui termina esta reportagem. Agora, feche os olhos e pense nas pessoas que você conhece. Do outro sexo, obviamente. Huuummm...

 

O homem considerado sexy tem:

• pele morena
• cabeça estreita
• lábios cheios (não grossos) e simétricos (o inferior igual ao superior)
• sobrancelhas escuras e espessas
• cílios fartos e escuros
• a metade superior do rosto maior que a inferior
• maçãs do rosto altas (mais perto dos olhos)
• mandíbula e queixo proeminentes
• pálpebras estreitas
• ausência de rugas entre o nariz e a boca, conhecidas como bigode chinês

Fonte: Universidade de Regensburg, Alemanha

 

A mulher considerada sexy tem:

• pele bronzeada
• cabeça estreita
pouca gordura nas bochechas
lábios grossos
sobrancelhas escuras e finas
cílios longos e fartos
maçãs do rosto salientes
nariz fino
ausência de olheiras
pálpebras estreitas

Fonte: Universidade de Regensburg, Alemanha

 

A balela sobre o gene gay

Em 1993, o geneticista americano Dean Hamer surpreendeu o mundo científico ao anunciar a descoberta de uma região do cromossomo X, chamada Xq28, herdado das mães, que abrigaria um gene relacionado à orientação sexual. Esse seria o elemento que faltava para sustentar a teoria de que a homossexualidade seria genética. Colou por algum tempo, mas a doutrina não sobreviveu a um exame de sangue. Seis anos depois, um grupo de especialistas canadenses examinou o sangue de 53 pares de irmãos, treze pares a mais do que os pesquisados por Hamer, e concluiu ser impossível sustentar tal afirmação. Na mesma época, outro estudo ficou famoso. O do neurocientista inglês Simon LeVay, que procurava pistas da homossexualidade no cérebro. Ele examinou o hipotálamo de vários homens e mulheres e constatou que o dos gays tinha tamanho diferente. Os resultados foram logo contestados. LeVay dissecou o cérebro de algumas pessoas mortas pela Aids, o que não quer dizer que fossem homossexuais – já que há outros grupos de risco expostos à doença.

Desde então, o que se sabe sobre a predisposição de alguns indivíduos a ser atraídos por alguém do mesmo sexo continua bem mais obscuro do que aquilo que se conhece no campo da heterossexualidade. É improvável, contudo, que exista um gene que, por si só, determine a orientação sexual ou outros comportamentos humanos. É mais plausível que os fatores genéticos tenham uma participação apenas indireta, relacionando-se a traços comportamentais e influências externas, de caráter psicossocial, no desenvolvimento tanto da sexualidade quanto de outras formas de expressão das pessoas. Falar sobre o gene gay hoje é o mesmo que defender a predisposição humana ao crime, à capacidade de persuasão ou ao gosto artístico. Movimentos gays defendem que a procura de uma causa orgânica ou genética serviria só para justificar a insistência de alguns setores em achar uma possível "cura" para a homossexualidade.

 
 
 
 
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