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Carta
ao leitor
A
fórmula da paixão
Antonio Milena
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| Daniela
Pinheiro: luta contra os estereótipos e as caricaturas
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Reportagens que se colocam o desafio de desvendar as relações
interpessoais são empreitadas jornalísticas fascinantes
e, ao mesmo tempo, perigosas. É fácil cair na armadilha
das caricaturas e na superficialidade enganosa dos estereótipos.
Para fugir dessas falsas soluções é preciso
arranhar o verniz da cultura, da educação, das formalidades
e das dissimulações para tentar enxergar o que tem
real interesse para os leitores. Esse é, justamente, um dos
talentos mais evidentes da jornalista Daniela Pinheiro, da sucursal
de VEJA no Rio de Janeiro. Para produzir a reportagem sobre a atração
sexual que assina nesta edição, Daniela valeu-se de
sua habilidade jornalística para obter depoimentos de seus
entrevistados que, de tão reais e espontâneos, poderiam
quase ser descritos como confissões. Mas a jornalista recorreu
principalmente à hoje vasta e comprovada gama de pesquisas
científicas que tentam encontrar padrões universais
de comportamento nos jogos de sedução da espécie
humana.
Nas últimas três semanas, Daniela, de 31 anos, falou
com quase uma dezena de pesquisadores brasileiros e estrangeiros.
Leu livros de sociobiologia. Comparou teorias distintas colocadas
de pé para explicar as interações entre os
sexos. Avaliou tudo com a experiência de quem já se
envolveu com a produção de diversas edições
especiais de VEJA sobre homens e mulheres e já assinou quase
duas dezenas de reportagens de capa da revista. "Quase desisti quando
vi que havia explicações muito distintas para os mesmos
fenômenos. Os dados ora desprezavam os aspectos culturais,
ora ignoravam que homens e mulheres são criaturas de carne
e osso movidas a hormônios e outros elementos químicos
da paixão. Meu desafio foi integrar as informações
usando o bom senso de mulher e de jornalista", diz Daniela. O resultado
do seu trabalho começa na página
74 desta edição.
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