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VEJA Recomenda DVDs
Uma Vida Nova (The Beautiful Country,
Estados Unidos/Noruega, 2004. Sony) Filho de um soldado americano e de
uma vietnamita, o jovem Binh (Damien Nguyen) não pertence nem a um mundo
nem ao outro. É um pária, que vive de favor com os parentes e não
tem direito nem a comer à mesa com eles. Magnificamente fotografado, e
dirigido com sentimento genuíno pelo norueguês Hans Petter Moland,
o filme se inicia em 1990 e acompanha Binh desde que ele parte à procura
da mãe, em Saigon, até sua passagem por um campo de refugiados,
a travessia em regime de escravidão para os Estados Unidos e o encontro
com o pai (Nick Nolte), na aridez do Texas. Trata-se verdadeiramente de uma saga
tristíssima, mas registrada de forma contida e com grande sensibilidade
para as diferentes paisagens e ritmos que o protagonista atravessa. Nguyen, além
disso, é um desses atores que têm o dom natural de tornar o silêncio
eloqüente. Medium A Primeira
Temporada (Estados Unidos, 2005. Paramount) Em mais um exemplo
do recém-conquistado poder da televisão para ressuscitar carreiras
dadas como extintas, Patricia Arquette vem emplacando um sólido sucesso
de crítica e de audiência no papel de Allison Dubois, uma dona-de-casa
que coloca sua mediunidade a serviço das investigações criminais
conduzidas pela promotoria de Phoenix, no Arizona um recurso de que a polícia
americana se vale com alguma regularidade, ainda que com o mínimo de alarde.
A verdadeira Allison Dubois, co-produtora da série, diz que a natureza
de seus supostos poderes é um mistério para ela própria.
Mas há pelo menos um aspecto verdadeiramente sobrenatural na série:
a paciência com que o marido e as três filhas pequenas da protagonista
enfrentam sua não rara relapsa conduta doméstica.
LIVROS Roger
Viollet/AFP
 |  | | Ford,
um dos personagens de Dinastias: um prisma original | |
Dinastias,
de David Landes (tradução de Regina Lyra; Campus/Elsevier;
374 páginas; 69 reais) No best-seller A Riqueza e a Pobreza das
Nações, o historiador David Landes, da Universidade Harvard,
investigou a influência dos fatores culturais no desenvolvimento das nações.
Nesse novo livro, ele examina o modo como a cultura familiar molda tradições
empresariais e como, na via contrária, muitos herdeiros dispersam
o patrimônio constituído por seus antecessores. São doze estudos
de caso, incluindo dinastias dos Estados Unidos, da Europa e do Japão.
Os feitos de magnatas como o industrial Henry Ford e o banqueiro Alexander Baring
são examinados a partir de uma perspectiva original, que conjuga a influência
de fatores como a personalidade e o contexto histórico. Leia
trecho. Jennifer
Graylock/AP
 |  | | Margaret
Atwood: mestre também nos contos breves | |
A Tenda, de Margaret Atwood (tradução
de Léa Viveiros de Castro; Rocco; 168 páginas; 25 reais)
Margaret Atwood é autora de romances caudalosos como O Assassino Cego,
em que passeia pelos mais diversos gêneros, do romance histórico
à ficção científica. Em A Tenda, a escritora
canadense mostra que também tem pleno domínio das formas breves.
O livro reúne 35 histórias muito curtas, ilustradas com desenhos
da própria autora. Todos os contos trazem algum elemento inusitado, um
pequeno abalo sísmico nas expectativas do leitor. Há, por exemplo,
a história de um gato que morre e se encontra com um deus felino (e cruel),
ou a de uma dançarina de strip-tease que atualiza a história bíblica
de Salomé. A Tenda pode ser um livro estranho mas sempre
fascinante. Leia
trecho. DISCOS Divulgação
 |  | | Gwen:
ela continua loira, mas de tolinha não tem absolutamente nada | |
The
Sweet Escape, Gwen Stefani (Arsenal) A cada lançamento,
a cantora americana se afasta mais do tipo "loira bonita e tola" que a consagrou
no grupo pop No Doubt. Gwen passou a colaborar com divas do hip hop e entregou
sua carreira a produtores experientes. Esse seu segundo CD-solo é dividido
entre a dupla The Neptunes, a compositora Linda Perry (ex-4 Non Blondes e colaboradora
habitual de Pink e Christina Aguilera) e Tony Kanal, companheiro de Gwen no No
Doubt. O resultado é um cruzamento entre o funk dançante de Prince
e a sensualidade de Madonna, em faixas como Orange County Girl e Yummy
(algo como "deliciosa"). Gwen, contudo, não abandonou o lado brejeiro.
A faixa de abertura brinca com o tema de A Noviça Rebelde, e a parceria
com Kanal rende pelo menos duas baladas para estourar entre os apaixonados. Divulgação
 |  | | Virgínia:
vozeirão aliado a um ótimo repertório | |
Samba a Dois, Virgínia Rosa (Eldorado)
A cantora paulistana foi integrante da banda Isca de Polícia, que
tocou ao lado do cantor e compositor Itamar Assumpção nos anos 80,
e na década seguinte participou do Mexe com Tudo grupo dançante
cujas influências iam da salsa ao samba. Em carreira-solo desde 1997, Virgínia
Rosa coloca essas experiências e o vozeirão (que lembra os melhores
momentos de Clara Nunes) num disco delicioso. Um dos achados está na escolha
do repertório, quase todo calcado em compositores da nova geração.
A faixa-título, por exemplo, saiu de um disco do quarteto carioca Los Hermanos.
Outra descoberta é a compositora Luísa Maita. Com apenas 25 anos
de idade, Luísa emula o estilo dos autores da velha-guarda em Madrugada
e Amado Samba. |