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Edição 1987 . 20 de dezembro de 2006

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DVDs

Uma Vida Nova (The Beautiful Country, Estados Unidos/Noruega, 2004. Sony) – Filho de um soldado americano e de uma vietnamita, o jovem Binh (Damien Nguyen) não pertence nem a um mundo nem ao outro. É um pária, que vive de favor com os parentes e não tem direito nem a comer à mesa com eles. Magnificamente fotografado, e dirigido com sentimento genuíno pelo norueguês Hans Petter Moland, o filme se inicia em 1990 e acompanha Binh desde que ele parte à procura da mãe, em Saigon, até sua passagem por um campo de refugiados, a travessia em regime de escravidão para os Estados Unidos e o encontro com o pai (Nick Nolte), na aridez do Texas. Trata-se verdadeiramente de uma saga – tristíssima, mas registrada de forma contida e com grande sensibilidade para as diferentes paisagens e ritmos que o protagonista atravessa. Nguyen, além disso, é um desses atores que têm o dom natural de tornar o silêncio eloqüente.

Medium – A Primeira Temporada (Estados Unidos, 2005. Paramount) – Em mais um exemplo do recém-conquistado poder da televisão para ressuscitar carreiras dadas como extintas, Patricia Arquette vem emplacando um sólido sucesso de crítica e de audiência no papel de Allison Dubois, uma dona-de-casa que coloca sua mediunidade a serviço das investigações criminais conduzidas pela promotoria de Phoenix, no Arizona – um recurso de que a polícia americana se vale com alguma regularidade, ainda que com o mínimo de alarde. A verdadeira Allison Dubois, co-produtora da série, diz que a natureza de seus supostos poderes é um mistério para ela própria. Mas há pelo menos um aspecto verdadeiramente sobrenatural na série: a paciência com que o marido e as três filhas pequenas da protagonista enfrentam sua não rara relapsa conduta doméstica.

 

LIVROS

 

Roger Viollet/AFP
Ford, um dos personagens de Dinastias: um prisma original  

Dinastias, de David Landes (tradução de Regina Lyra; Campus/Elsevier; 374 páginas; 69 reais) – No best-seller A Riqueza e a Pobreza das Nações, o historiador David Landes, da Universidade Harvard, investigou a influência dos fatores culturais no desenvolvimento das nações. Nesse novo livro, ele examina o modo como a cultura familiar molda tradições empresariais – e como, na via contrária, muitos herdeiros dispersam o patrimônio constituído por seus antecessores. São doze estudos de caso, incluindo dinastias dos Estados Unidos, da Europa e do Japão. Os feitos de magnatas como o industrial Henry Ford e o banqueiro Alexander Baring são examinados a partir de uma perspectiva original, que conjuga a influência de fatores como a personalidade e o contexto histórico. Leia trecho.

 

Jennifer Graylock/AP
Margaret Atwood: mestre também nos contos breves  

A Tenda, de Margaret Atwood (tradução de Léa Viveiros de Castro; Rocco; 168 páginas; 25 reais) – Margaret Atwood é autora de romances caudalosos como O Assassino Cego, em que passeia pelos mais diversos gêneros, do romance histórico à ficção científica. Em A Tenda, a escritora canadense mostra que também tem pleno domínio das formas breves. O livro reúne 35 histórias muito curtas, ilustradas com desenhos da própria autora. Todos os contos trazem algum elemento inusitado, um pequeno abalo sísmico nas expectativas do leitor. Há, por exemplo, a história de um gato que morre e se encontra com um deus felino (e cruel), ou a de uma dançarina de strip-tease que atualiza a história bíblica de Salomé. A Tenda pode ser um livro estranho – mas sempre fascinante. Leia trecho.

 

DISCOS

 

Divulgação
Gwen: ela continua loira, mas de tolinha não tem absolutamente nada  

The Sweet Escape, Gwen Stefani (Arsenal) – A cada lançamento, a cantora americana se afasta mais do tipo "loira bonita e tola" que a consagrou no grupo pop No Doubt. Gwen passou a colaborar com divas do hip hop e entregou sua carreira a produtores experientes. Esse seu segundo CD-solo é dividido entre a dupla The Neptunes, a compositora Linda Perry (ex-4 Non Blondes e colaboradora habitual de Pink e Christina Aguilera) e Tony Kanal, companheiro de Gwen no No Doubt. O resultado é um cruzamento entre o funk dançante de Prince e a sensualidade de Madonna, em faixas como Orange County Girl e Yummy (algo como "deliciosa"). Gwen, contudo, não abandonou o lado brejeiro. A faixa de abertura brinca com o tema de A Noviça Rebelde, e a parceria com Kanal rende pelo menos duas baladas para estourar entre os apaixonados.

 

Divulgação
Virgínia: vozeirão aliado a um ótimo repertório  

Samba a Dois, Virgínia Rosa (Eldorado) – A cantora paulistana foi integrante da banda Isca de Polícia, que tocou ao lado do cantor e compositor Itamar Assumpção nos anos 80, e na década seguinte participou do Mexe com Tudo – grupo dançante cujas influências iam da salsa ao samba. Em carreira-solo desde 1997, Virgínia Rosa coloca essas experiências e o vozeirão (que lembra os melhores momentos de Clara Nunes) num disco delicioso. Um dos achados está na escolha do repertório, quase todo calcado em compositores da nova geração. A faixa-título, por exemplo, saiu de um disco do quarteto carioca Los Hermanos. Outra descoberta é a compositora Luísa Maita. Com apenas 25 anos de idade, Luísa emula o estilo dos autores da velha-guarda em Madrugada e Amado Samba.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Cultura; Brasília: Sodiler, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Livrarias Catarinense; Goiânia: Saraiva, Leitura; Fortaleza: Laselva; Curitiba: Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Campo Grande: Leitura; Belo Horizonte: Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Sodiler, Submarino.

 

 
 
 
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