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Ponto
de vista: Stephen Kanitz
A importância das avós "Se
você acha que a menopausa vai diminuí-la,
que você será menos mulher, fique tranqüila.
Você estará é passando para um estágio
superior, você estará transcendendo"
A menopausa é um período de mudanças
e de reflexão. Algumas mulheres a vêem negativamente, pois ela marca
o fim da capacidade de reprodução, outras a vêem como uma
bênção. Na nossa cultura tradicional, o fim da maternidade
é como se fosse o fim da função primordial da mulher, algo
injusto e incorreto. Até recentemente,
a menopausa era considerada um paradoxo genético, por ser um gene ou conjunto
de genes que reduzia o número de filhos que uma mulher poderia ter. Uma
mulher que tem seis ou sete filhos até morrer deixará mais descendentes
do que uma mulher que deixa somente cinco, devido ao fim da ovulação.
Ilustração
Atômica Studio
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Mas
na espécie humana ocorreu justamente o contrário. As primeiras mulheres
a transmitir o "gene" da menopausa deixaram muito mais descendentes, algo muito
intrigante. Na realidade, a menopausa foi uma evolução positiva
para a mulher e para a humanidade, porque basicamente ela tem a função
de transformar uma mãe em uma avó. A menopausa, ao contrário
de ser uma falha, deveria ser considerada uma evolução importante
da espécie humana, ao lado da postura ereta, do uso do polegar, do desenvolvimento
da linguagem e do descobrimento do fogo. Com o aumento do período de maturação
das crianças, as mulheres passaram a ficar cada vez mais assoberbadas com
cada filho adicional. Por isso, o surgimento de uma outra mulher para ajudar foi
uma enorme evolução, já que os homens desde o início
da humanidade não se preocupavam tanto com crianças.
Mesmo que naquela época as avós morressem cedo, poucos anos após
a menopausa, uma diferença de cinco anos já garantia uma vantagem
genética significativa. Essa
hipótese da importância das avós, levantada por C.G. Williams
em 1957, é contestada por muitos, e provavelmente nunca saberemos o que
de fato ocorreu. Uma possibilidade é que essas avós tenham passado
a exercer a função de babás das crianças mais velhas,
sem sair da caverna, protegendo os netos dos leões. Os sintomas de calor
que vêm com a menopausa, especialmente no sufocante continente africano,
podem ter sido uma forma de obrigá-las a ficar estacionárias. O
mesmo teria ocorrido com os sintomas da osteoporose, que reduzem rapidamente a
mobilidade da mulher. Parte do nosso
sucesso como humanos é devida ao surgimento das avós, ao seu carinho
e dedicação altruísta ao ajudar as filhas na dura tarefa
de criação dos netos. Por essa razão, mulheres que desenvolveram
a menopausa tiveram mais netos do que as mulheres que reproduziram até
morrer, e netos com mais chances de sobreviver. Sem avós, eles estariam
perdidos. Muitas mulheres que se sentem
desconfortáveis com a inevitabilidade da menopausa esquecem as raízes
genéticas do processo e o recado que ele traz. A menopausa é o sinal
de que chegou o momento de se preparar para ser uma avó carinhosa e prestativa,
como antigamente. Homens não desenvolveram o gene da menopausa. A tão
falada andropausa necessariamente não gera um avô. Não tira
a capacidade de reprodução, não os obriga a uma pausa e à
reflexão. Em vez de assumirem a função de avôs, muitos
homens decidem ser pais novamente com uma nova mulher. Perde o novo filho, que
não terá um avô, muitas vezes já falecido. Ou talvez
ganhe mais um avô do que um pai, embora a maioria não aceite essa
visão. Alegam que não estão envelhecendo, nós é
que vivemos com a mesma mulher. Perdem também os netos do primeiro casamento,
que não terão o avô presente como os avôs de antigamente.
Na mulher, a menopausa deixa essa
questão bem clara, sem dúvidas ou interpretações.
Ela passa a ser avó, o que de fato é uma transição,
mas uma transição para melhor. Se você acha que a menopausa
vai diminuí-la, que você será menos mulher, fique tranqüila.
Você estará é passando para um estágio superior, você
estará transcendendo. Passará a ser uma avó, cujo surgimento
foi um dos eventos mais importantes que a espécie humana produziu, e uma
das razões de nosso sucesso como espécie.
Só temos a agradecer o surgimento das avós, que cuidaram de nós
com carinho e dedicação, em vez de cuidar de mais uma penca de filhos
próprios. Nosso muito obrigado a elas. Stephen
Kanitz é formado pela Harvard Business School (www.kanitz.com.br)
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