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Televisão
A versão de cada um
Países lançam emissoras internacionais de notícias para
fazer frente à BBC e à CNN Reuters
 | | O
presidente Putin dá entrevista a jornalista do Russia Today: chapa-branca
é apelido |
Na
semana passada, a França fincou sua bandeira num nicho até então
dominado pelos países anglo-saxões: os canais internacionais de
notícias. A emissora France 24 entrou em operação com o objetivo
de fazer frente à influência da rede inglesa BBC e, especialmente,
da americana CNN nessa seara. Quatro anos atrás, às vésperas
da Guerra do Iraque, o presidente Jacques Chirac tornou público o desejo
de que seu país ganhasse mais peso na "batalha das imagens". A melhor saída,
constatou ele, era criar uma CNN à francesa e com transmissão
em inglês, para horror de seus compatriotas. A França não
está sozinha nesse tipo de iniciativa. Vários países estão
lançando ou se preparam para estrear seus próprios canais internacionais.
Como no caso francês, todos querem vender seus pontos de vista sobre as
questões mundiais. Há um ano, a Rússia colocou no ar um canal
estatal de notícias em inglês, o Russia Today. No mês passado,
a rede árabe Al Jazira também inaugurou um canal em inglês.
Em 2007, deverá entrar em funcionamento um serviço de notícias
pan-africano. A China e o Irã se preparam para seguir a mesma trilha.
Fabi
Al-Assad/Reuters
 | | Estúdio
da rede árabe Al Jazira: agora, também em inglês |
Para
o espectador, a diversidade de abordagens não deixa de ser interessante.
Mas há problemas à vista. Alain de Pouzilhac, presidente do France
24, já fez críticas à cobertura da Guerra do Iraque pela
CNN. Segundo ele, as reportagens da rede corroboram as teses do governo Bush.
Mas a verdade é que a CNN é uma emissora privada, com autonomia
para defender as opiniões que bem entenda, enquanto os novos canais têm
em comum o fato de ser ligados aos governos de seus países. O France 24
receberá do Estado uma "ajuda de custo" equivalente a mais de 200 milhões
de reais por ano. A Al Jazira pertence à família real do Catar.
Sua versão em inglês, que tem um jornalista veterano da BBC como
um dos âncoras, é mais "light" que a original, mas ainda assim tem
uma visão simpática aos movimentos radicais islâmicos. O Russia
Today, por sua vez, é tão chapa-branca que o presidente Vladimir
Putin parece ter lugar cativo entre os entrevistados. Não por acaso, ainda
não emplacou em nenhum lugar. "Esse mercado cresce como uma bola de neve.
Mas a credibilidade será fundamental para vencer nele", diz Chris Cramer,
diretor da CNN Internacional.
Há
ainda uma questão de ordem técnica. Como os custos de distribuição
são altos, será difícil para a maioria deles conquistar seu
lugar ao sol no mercado internacional. É possível que, em alguns
países, sua inclusão na programação das redes pagas
tenha um efeito adverso: a conta ficará mais salgada para o espectador.
No Brasil, nenhuma das novas emissoras consta dos pacotes das operadoras de TV
paga e nem deve constar num futuro próximo. |