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Edição 1987 . 20 de dezembro de 2006

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Internet
Um rival para o YouTube

Grandes empresas de comunicação querem desbancar o site que é um fenômeno e
lucrar com vídeos na rede


Rafael Corrêa


O YouTube revolucionou a maneira de assistir a vídeos na internet e se tornou um fenômeno de audiência. Mesmo com essas credenciais, o site deve grande parte de seu sucesso à velha-guarda do entretenimento – os estúdios de cinema, redes de TV e gravadoras. São os filmes, programas e clipes dessas indústrias – e não os vídeos amadores – que alimentam mais da metade do conteúdo do YouTube. Só que a maior parte das empresas, por enquanto, não recebe direitos autorais por isso. Gigantes americanas da comunicação como a News Corp Fox, a Viacom, a CBS e a NBC Universal se reuniram há duas semanas para decidir que providências tomar a respeito dessa situação. Resultado: elas querem unir forças para criar um site concorrente do YouTube. O novo site usaria o vasto material produzido pelas companhias e suas subsidiárias para roubar audiência do rival e faturar com publicidade.

Por enquanto, o YouTube opera no vermelho. O que o site arrecada com anúncios não é suficiente para bancar a operação. Mas isso certamente vai mudar, principalmente com a compra do site pelo Google, em outubro, por 1,65 bilhão de dólares. Segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers, neste ano o mercado publicitário na internet movimentará 30 bilhões de dólares. Em 2010, esse valor deve pular para 52 bilhões de dólares. O YouTube, prevê-se, ficará com uma boa fatia desse bolo. As empresas de comunicação querem uma fatia ainda maior. Enquanto o projeto não sai do papel, as companhias estudam duas formas de diminuir o prejuízo em direitos autorais com seus produtos exibidos de graça no YouTube. A primeira alternativa seria celebrar acordos de uso de material com o site, como recentemente fizeram as gravadoras Sony BMG, Universal Music e Warner Music. Há informações não confirmadas de que o Google já está negociando um contrato de 140 milhões de dólares com a News Corp Fox. A segunda alternativa, mais radical, seria simplesmente processar o YouTube por violação de copyrights. Nesse caso, a conta a pendurar no YouTube seria bilionária. Os advogados das empresas estimam que as multas alcançariam 150.000 dólares por vídeo não autorizado.

 

A estratégia da Disney

 
Walt Disney Company
O castelo da Cinderela: símbolo do império

Enquanto grandes empresas de comunicação planejam se unir para criar um site rival do YouTube, o grupo Disney optou por seguir um caminho próprio na exibição de vídeos na internet. Além de vários estúdios de cinema, o conglomerado que nasceu com o camundongo Mickey e com a Cinderela possui empresas como o canal de esportes ESPN e a rede de TV ABC. "A estratégia da Disney é reforçar suas marcas em vez de investir em novas. Eles não precisam copiar o que os outros estão fazendo", diz David Joyce, analista da consultoria Miller Tabak & Co. Em setembro, a Disney surpreendeu ao fechar uma parceria com a Apple para vender vídeos através da loja virtual iTunes. Séries premiadas da ABC como Lost e Desperate Housewives estão disponíveis para os americanos um dia depois de sua exibição na TV. Os downloads são gratuitos, mas os vídeos são acompanhados de comerciais. Por enquanto, a estratégia para internet da Disney está dando certo. Só em setembro, 45 milhões de pessoas visitaram os sites da empresa. Os lucros com anúncios e downloads pagos chegarão a 500 milhões de dólares em 2006.

 
 
 
 
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