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Entrevista:
Álvaro de Miranda Neto
De luxo, só cavalos
Casado com Athina Onassis, o cavaleiro Doda Miranda mora em casa alugada na
Bélgica e diz que a mulher só aceita pagar o preço justo
 Sandra
Brasil
| Robeto Setton  | "A
Athina não é de gastar muito. Ela me conquistou da mesma maneira
que eu a conquistei, com simplicidade" | |
Só pelo nome, Álvaro Affonso
de Miranda Neto, e pela atividade esportiva o caro hipismo já
se vê que Doda, como é conhecido, está no topo da elite brasileira.
Pois, quando começou a namorar sua atual mulher, Doda passou pelo dissabor
de ser considerado um arrivista, interessado em dar o golpe do baú. Cruel,
porém compreensível, considerando-se que a mulher é a jovem
Athina, a única e multimilionária herdeira da mitológica
família Onassis, de armadores gregos. O ar feliz de Athina indica que ela
pode quebrar a sucessão de tragédias que marcou os Onassis, sendo
a mais devastadora a morte de sua mãe, Christina, por overdose de remédios,
quando ela tinha apenas 3 anos. Unidos pela paixão pelos cavalos, Doda,
33, e Athina, 21, moram na Bélgica, mas vivem fazendo temporadas em São
Paulo. Em 2007, trarão para a cidade uma das etapas de uma competição
internacional de hipismo. Também montaram equipe própria, a A&D
inteiramente financiada por patrocínios, que eles mesmos se encarregaram
de buscar. Doda conta aqui pela primeira vez como é ser casado com a herdeira
Onassis. Veja
Como começou sua aproximação com Athina? De quem
partiu a iniciativa? Miranda
Dela. Nós
dois treinávamos no haras do Nelson Pessoa, na Bélgica, e já
tínhamos nos visto de longe. Num dia em que eu estava muito deprimido,
com saudade da minha filha, que tinha vindo para o Brasil, tive uma crise de choro
na sala de selas. A Athina entrou, puxou conversa, quis saber o que estava acontecendo
e eu contei. Trocamos telefones. Passamos a nos falar com freqüência
e, quando percebi, estávamos namorando.
Veja Antes do namoro, o senhor
era um atleta de destaque no hipismo. Depois, a condição de namorado
de Athina passou para primeiro plano. Como se sentiu ao ser acusado de dar o golpe
do baú? Miranda
No começo
foi duro ler o que saía na imprensa a meu respeito. As pessoas ligavam
nosso envolvimento diretamente a dinheiro e interesse financeiro. De qualquer
pessoa que se aproxime da Athina, mesmo por amizade, vão dizer que está
interessada no dinheiro dela. Logo depois das Olimpíadas, a gente abria
o jornal e lia: "Doda ajudou o Brasil a conquistar uma medalha". Depois, de repente,
passei a ser perseguido, e minha conduta moral, questionada. O lado profissional
foi esquecido. Como atleta, não fiquei abalado, mas pessoalmente, sim.
Ficava preocupado, procurava saber se os conhecidos estavam acreditando no que
saía nos jornais. Mas depois resolvi deixar o tempo passar. Não
adiantaria responder. Deixei passar, e passou. Não vi mais nada disso nos
últimos dois, três anos. Quando nós começamos, sabíamos
que a notícia do namoro seria uma bomba. Tínhamos consciência
de que precisávamos ser fortes, para que o mundo exterior não interferisse
em nossa vida como casal. Veja
O que fizeram para enfrentar a pressão?
Miranda O fundamental
é a comunicação e o amor sincero. Além disso, tomamos
o cuidado de não nos precipitar. Só nos casamos depois de três
anos juntos. Também resolvemos aproveitar a exposição que
tínhamos na mídia para chamar atenção para o hipismo,
a nossa paixão. Claro que a indústria da fofoca existe. Eu mesmo
compro revistas e leio sobre os outros, mas não gosto que falem da gente.
Veja
Quem sugeriu o acordo pré-nupcial com separação
de bens que vocês assinaram?
Miranda Foi uma
das primeiras coisas que decidimos antes de casar. Eu propus e a Athina aceitou.
Ela é a herdeira. Sou só o marido dela. Se tivermos um filho, ele
será herdeiro, mas eu não tenho nada a ver com a fortuna da família
Onassis. Era fundamental ter esta postura desde o começo: o que é
meu é meu, o que é seu é seu, mesmo que o dela seja milhões
de vezes acima do meu. Fui educado assim. Tudo o que eu faço hoje já
fazia antes. Sempre tive apoio do meu pai, que é um empresário bem-sucedido,
e de patrocinadores. Sempre freqüentei os melhores lugares, sempre tive bons
cavalos. A maioria das medalhas que conquistei foi anterior ao meu relacionamento
com a Athina. Sempre tive tranqüilidade financeira. Acho ridículo
casamento com comunhão de bens. Veja
O pai de Athina, Thierry Roussel, não foi ao casamento. Ele o
desaprova? Miranda
Eu não
tenho muito contato. Ele é ocupado e viaja bastante. Mas ela vê mais
o pai dela do que eu vejo o meu. Essa história de que eu teria problemas
com a família é um exagero. Veja
A etapa brasileira do campeonato internacional de hipismo que o senhor
está organizando para 2007 vai se chamar Athina Onassis International Horse
Show. O nome é só homenagem ou ela financiará a prova?
Miranda
O vencedor do torneio
vai receber 1 milhão de dólares, a maior premiação
do mundo no momento. Só assim foi possível incluir o Brasil no Global
Champions Tour, circuito criado em 2006 que começa em março, em
Palm Beach, nos Estados Unidos, e termina em outubro em Atenas, na Grécia.
Mas todo o capital, tanto de organização quanto do prêmio
em si, vem de patrocínios. Não há um tostão nem dela
nem meu. Em apenas três meses já conseguimos 50% do orçamento
de 6 milhões de reais. A Athina só fez a boa ação
de emprestar o nome dela, que sempre ajuda a atrair atenções. Para
retribuir, decidimos pôr no troféu o nome do avô dela Aristóteles
Onassis, que faria 100 anos em 2006. Veja
O mesmo sistema de patrocínios vai sustentar a equipe de hipismo
que vocês montaram? Miranda
Exatamente. Já
começamos a fazer os contatos. Tive de abrir mão dos meus antigos
patrocinadores no ano passado, porque não estava num bom momento no esporte.
Mas desde então eu e Athina investimos 10 milhões de euros
aí, sim, foi dinheiro nosso na compra de cavalos excelentes, que
já estão sendo treinados para competição. Agora tenho
cavalos para brigar de igual para igual com qualquer cavaleiro do mundo. Veja
Seu projeto de passar a competir pela Grécia, e não mais
pelo Brasil, foi engavetado? Miranda
Na verdade, nunca
foi um projeto. Logo depois do meu casamento, estive na Grécia para tirar
o passaporte grego. Após a assinatura dos papéis, dei uma entrevista
e me perguntaram por que não passava a representar a Grécia nas
competições. Fiquei sem saída. Não podia dizer que
não queria. Respondi que talvez, no futuro. Disse que seria um sonho ter
a Athina competindo ao meu lado numa Olimpíada e que, se o Brasil não
precisasse mais de mim, seria uma possibilidade. Falei ainda que nada impediria
que, se a Athina tivesse passaporte brasileiro, ela passasse a competir pelo Brasil.
Amo a Grécia. Sou muito bem recebido lá e admiro o carinho que o
povo grego tem pela minha mulher. As pessoas nos param na rua para tirar foto.
Pedem a mim que cuide bem da Athina, dizem que a amam, demonstram preocupação
com a felicidade dela. Fiz o que pude para ajudar a Athina a resgatar sua origem.
Antes de ficarmos juntos, ela não ia à Grécia havia muito
tempo; só no ano passado, nós fomos quatro vezes. O povo grego está
ligando a volta dela ao país ao nosso relacionamento. Imagino que isso
explique o carinho que demonstram por mim. Veja
Ela tem passaporte brasileiro? Miranda
Não. Para
ter cidadania brasileira, precisaria abrir mão das nacionalidades francesa
e grega. O brasileiro pode ter cidadania de outro país, mas o contrário
não é possível. Veja
É difícil viver cercado de segurança em qualquer
lugar do mundo? Miranda
Antes de conhecer
a Athina, quando eu vinha ao Brasil meu pai contratava dois seguranças
para andar comigo, e a gente sempre teve carro blindado, porque qualquer pessoa
em São Paulo corre o risco de ser vítima de um seqüestro-relâmpago.
Com a Athina, isso tomou uma dimensão infinitamente maior. Hoje, contamos
com uns 25 seguranças permanentemente, sem falar nos outros que as pessoas
nem percebem que estão sempre com a gente. Há uma preocupação
muito grande com os caminhos por onde vamos passar e com os lugares que freqüentamos.
Os melhores profissionais são discretos, mas não é uma coisa
natural, muito menos agradável. Tenho vontade de levar a Athina para conhecer
o Norte e o Nordeste do Brasil, mas, quando imagino que não vamos poder
ficar numa praia, à vontade, desisto. Tem esse lado ruim, mas precisamos
preservar nossa integridade física. É assim que as coisas são.
Veja
A Athina parece ter se adaptado bem ao Brasil. A que o senhor atribui
isso? Miranda
Ela me ama muito,
com certeza, e sou brasileiro. Aqui, ela se sente em casa com a minha família
e nossos amigos. Ela gosta do povo alegre e da comida. Eu e a Athina poderíamos
nos casar em qualquer lugar do mundo. Por que escolhi São Paulo para a
cerimônia? Não foi só por minha família ser daqui.
A gente poderia colocar a família e os amigos em um avião e levá-los
para qualquer outro lugar. Trago a Athina para o Brasil para que ela veja como
eu amo o meu país. Veja
Quando o namoro começou, Athina tinha 17 anos e o senhor, 29.
Ela se comportava como adolescente? Miranda
De jeito nenhum.
Ela é muito madura. Até pela história da sua família,
por ter perdido a mãe ainda criança, teve de amadurecer mais cedo.
E carrega um peso grande, pois há uma preocupação com a seqüência
que tem de ser dada à família Onassis. Mas a Athina é muito
inteligente. E sabe negociar. Puxou isso do avô. Veja
Em que situações ela põe em prática sua
habilidade de negociadora? Miranda
Dificilmente
alguém consegue empurrar algo por um preço que ela não acha
justo. As pessoas costumam subir o preço quando vêem que a compradora
é ela. Isso acontece sempre. A gente inclusive toma o cuidado de mandar
outras pessoas para negociar, antes de o nosso nome aparecer. Porque, quando aparece,
muitos aumentam o preço e não aceitam negociar. Não abaixam
de jeito nenhum. O que acho legal nela é que não paga. Se achar
que o negócio está acima do valor do mercado, sofre, mas não
compra. Várias vezes presenciei situações desse tipo. Aconteceu
recentemente, quando estávamos comprando os cavalos. Sabíamos, por
exemplo, que um cavalo pelo qual pediam 200 000 euros chegaria a um preço
final 10% menor. Quando a Athina apareceu para ver o animal, o preço não
abaixou. Fomos embora.
Veja A compra do apartamento de vocês em São Paulo também
foi negociada? Miranda
Foi. Primeiro
nos informamos do preço, uns 16 milhões de reais. Aí, meu
pai, que não era conhecido, negociou a margem de desconto. Só fomos
ver o imóvel quando já sabíamos que o preço poderia
baixar, não lembro exatamente, acho que para 14 milhões. Quando
aparecemos para assinar a papelada, os vendedores levaram um susto. Uma brincadeira
nossa é, no restaurante ou no supermercado, tentar calcular quanto vai
ser a conta. Ela sempre chega mais perto. Outra coisa: nunca vi a Athina comprar
jóia, só bijuteria. De caro, ela investe em coisas que nos trazem
felicidade, como cavalos. Veja
A fortuna de Athina é administrada por uma firma em Londres.
Ela dá palpite? Pede a sua opinião? Miranda
Ela tem uma equipe
de primeira, mas a palavra final é sempre dela. Eu prefiro não participar.
Sempre fiquei de fora, porque acho que é coisa dela, grande demais para
mim. Veja
Ela tem planos de assumir o comando da Fundação Onassis?
Miranda
Não. Ela
não tem interesse nesse cargo. As pessoas que estão lá na
Grécia cuidam bem da fundação, que é uma entidade
sem fins lucrativos. Ela não pode estar tão presente quanto as pessoas
que administram a entidade atualmente. Veja
Que lugar vocês consideram como sua casa? Como é sua rotina?
Miranda
Nossa casa fica
perto de Bruxelas, na Bélgica. Moramos em uma casa alugada, de 350 metros
quadrados. Acordo cedo e levo a minha filha (Viviane, 6 anos, de um relacionamento
anterior) para a escola todos os dias, às 7h30 da manhã. Começo
a treinar às 8 e monto, em média, seis cavalos por dia, durante
sete horas. O Pedro Costa, segundo cavaleiro da equipe, e a Athina me ajudam com
os outros cavalos. Quando não tem competição, tiramos o domingo
de folga. Veja
Como escolher um presente, de Natal, por exemplo, para uma pessoa como
a sua mulher? Miranda
É complicado
dar presente à Athina. Valem mais o gesto e a surpresa do que o objeto.
Ela é muito simples, fica feliz com uma flor, um beijo. Nunca dei nada
de muito valor. Mas vou precisar colocar algo simbólico na árvore.
Veja
E ela? Que presentes costuma dar? Miranda
A Athina não
é de gastar muito. Ela me conquistou da mesma maneira que eu a conquistei,
com simplicidade. Uma vez, na Bélgica, eu ia voltar mais tarde do treino
e pedi que me comprasse um pacote de biscoito. Quando cheguei, encontrei o armário
da cozinha vazio, com um solitário pacote de biscoito de pé. Todo
mundo imagina que, sendo Athina, ia comprar logo o supermercado inteiro. Mas ela
tem o pé no chão. Veja
Como o senhor se imagina no futuro? Miranda
Montando, saltando.
Dizem que, no nosso esporte, quanto mais cabelo branco, melhor a gente fica. Quero
uma família maravilhosa e com saúde. Já tenho a Vivi e quero
ter mais dois ou três filhos. Veja
Já estão tentando? Miranda
Quero que a Athina
aproveite mais o esporte. Ela ainda vai fazer 22 anos. Pretendemos começar
a tentar depois das Olimpíadas de 2008. Uma coisa é certa: vai nascer
no Brasil. |