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Edição 1987 . 20 de dezembro de 2006

Índice
Millôr
Stephen Kanitz
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA.com
Datas
Gente
Auto-retrato
Veja essa
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 

"Chávez não é mesmo nenhum brinquedo. Mas, se for, teremos de tirar-lhe a pilha quanto antes."
Márden de Pádua
Belo Horizonte, MG

 

Hugo Chávez

Chávez é um malandro, um governante egocêntrico que tem como principal objetivo perpetuar-se no poder. Para isso, aproveita-se do que há de pior na alma latina: acreditar que a função maior do Estado é prover, dar, e não garantir a igualdade de oportunidades. Nosso fracasso sempre deriva de agentes externos (EUA, FMI etc.). Enquanto nós, latino-americanos, não nos conscientizarmos de que o melhor governo é aquele que tem como principal objetivo remover os obstáculos à geração de riqueza, ficaremos reféns dos Chávez que volta e meia aparecem por aí ("Um Fidel com petróleo", 13 de dezembro).
Eduardo Ledoux Gava
Joinville, SC

A megalomania chavista, aliada ao pernicioso populismo, há muito vem colocando em risco a democracia latino-americana. Mas o pior de tudo é o gérmen chavista que vem sendo inoculado em futuros bonecos/atores da peça que se prepara secretamente no palco continental. Rebocando adeptos, Chávez está escrevendo a duas mãos, as suas, uma realidade traiçoeira e altamente perigosa.
Mauro Xavier Biazi
Guarapuava, PR

Na boa reportagem de VEJA sobre o caudilho venezuelano, minha atenção ficou presa na frase dita pelo economista Hugo Faria: "Ao governo interessa que haja muitos pobres, porque são eles que lhe garantem o triunfo eleitoral". Ah! Agora entendi a votação na reeleição de Lula! Apesar de tantos escândalos, nossos pobres destinatários do assistencialismo garantiram o fato! E nós vamos continuar pagando o pato! Parabéns a VEJA.
Marco Aurélio Bagnatori
São Paulo, SP  

O destino poderia nos brindar neste fim de ano e levar Fidel, Chávez e outros para junto de Pinochet. Imagine: o inferno ficaria insuportável.
Juliano Martins Canato
Joinville, SC

Sentimos um pouco de receio de que a América Latina esteja voltando ao tempo dos ditadores e que o período dos "desaparecidos" retorne com força total. O Brasil não pode apoiar governos autoritários ou ditatoriais nem simpatizar com eles, pois lutamos muito para chegar à nossa democracia. O presidente, inclusive, sentiu na pele a perseguição a seus ideais.
Kátia Azevêdo
Natal, RN

 

As contas da campanha de Lula

A respeito da reportagem "Refém do jeitinho" (13 de dezembro), tornam-se necessários alguns esclarecimentos. Embora concorde com a necessidade da previsão de sanções severas, tais como o impedimento da posse do candidato e a convocação de novas eleições no caso de rejeição de prestação de contas de campanha eleitoral pelo TSE, sobretudo quando a causa da rejeição for o recebimento de recursos ilícitos (como se deu na campanha de Lula), ressalto que a Lei nº 9504/97 (lei das eleições) e suas alterações posteriores (inclusive a polêmica Lei nº 11300, de maio de 2006) prevêem apenas a negativa do diploma caso seja comprovada a captação ilícita de recursos pelo candidato, o que deverá ser feito através do longo procedimento previsto no artigo 22 da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, não sendo suficientes as informações obtidas pela prestação de contas de campanha. Esse é um dos motivos pelos quais a reforma política se faz necessária e urgente. Sem respaldo legal, de fato, não haverá jeito para o "jeitinho".
Sídia M. Porto Lima
Especialista e mestra em direito pela UFPE e autora do livro Prestação de Contas e Financiamento de Campanhas
Recife, PE

 

Súmula vinculante

Não creio que a adoção das referidas súmulas de caráter vinculante possua o condão de acabar com a morosidade dos processos judiciais. Mais produtivo seria estabelecer a autonomia dos advogados públicos, pois os maiores usuários da máquina judiciária são os entes públicos, ou seja, a União, estados e municípios, além de órgãos da administração indireta. Sem a referida autonomia, os procuradores são obrigados a recorrer indefinidamente, mesmo contra a jurisprudência dominante, sob pena de responsabilidade funcional. Os membros de tais carreiras desejam a autonomia, como já a obtiveram os juízes, membros do Ministério Público e mais recentemente a Defensoria Pública. Vale lembrar que a autonomia resguardaria o interesse público e garantiria que os procuradores defendessem a União, os estados e os municípios, e não os governantes de plantão ("Vai, quelônio, vai", 13 de dezembro).
Paulo Hiram Studart Gurgel Mendes
Procurador do estado do Ceará e secretário estadual do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (Ibap)
Fortaleza, CE  

VEJA tratou com expectativa e comemoração o advento da súmula vinculante. Muito embora aplaudida por tornar o Judiciário mais célere, a mudança enfrentou a resistência de advogados e juízes não só pelos motivos apontados por VEJA, como por razões bem mais profundas. Tal proposta é quase uma traição às nossas mais caras origens culturais, não fosse ela, como já se disse, uma mera caricatura, idéia que vem funcionando como uma cortina de fumaça a encobrir os graves problemas da crise da função jurisdicional no Brasil. Adotar a súmula vinculante significa não somente afastar-se do sistema brasileiro como fugir da direção que as nossas raízes culturais apontam. É desorientar-se. Não devemos – nem podemos – fugir dos princípios inerentes à nossa tradição jurídica, enraizada em nossa cultura.
Sylvia Romano
Advogada trabalhista
São Paulo, SP  

Não acredito que a súmula vinculante seja a derradeira esperança para uma Justiça mais célere, tampouco que a resistência dos juristas seja conseqüência de uma possível "perda de mercado". A utilização em larga escala da súmula criará a demanda para que os advogados afastem da previsão sumulada o caso concreto, não evitando assim a análise em instância superior de questão que já estava, teoricamente, assentada. Uma iniciativa que tem inclusive o aval do CNJ e contribui para a resolução rápida dos conflitos judiciais é o incentivo à conciliação. Afinal, mais vale um acordo que uma demanda.
Frederico Pinheiro
Estudante de direito
Belo Horizonte, MG  

A súmula vinculante em nada servirá para agilizar o Judiciário. Ledo engano! Apenas uma reforma inteligente do sistema processual, que priorize a sensível diminuição do exorbitante número de recursos, poderá dar algum resultado.
Gilberto Grácia Pereira
Advogado
Curitiba, PR

A súmula vinculante é mais um avanço irrefreável da sociedade brasileira. A primeira instância do Judiciário, ao apreciar casos jocosos – morte da tartaruga a pedrada pelo vizinho –, proferindo uma sentença transitada em julgado, à luz daquele instrumento, vai poupar o Supremo Tribunal Federal desses tolos constrangimentos. Pela primeira vez em nossa história, o Poder Judiciário vai degustar o sabor da eficiência! Viva o Brasil!
Cássio Filipe Albuquerque Silva
Estudante de direito
Santa Maria, RS

 

Cláusula de barreira

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou, por unanimidade, inconstitucional a chamada "cláusula de barreira", que restringe a atividade parlamentar dos deputados dos partidos nanicos, procurando garantir o direito das minorias. Muitos dizem que esses partidos são legendas de aluguel, mas o que se tem visto em nossa política são os partidos grandes fazendo qualquer negócio para ter o poder nas mãos. Para resolver o problema da promiscuidade política é preciso resolver o problema da falta de hombridade de uma grande parcela dos políticos, quer de partidos grandes quer de pequenos ("Vitória dos nanicos", 13 de dezembro).
Luiz Antônio da Silva
São Paulo, SP  

Pelo que entendi, se a cláusula de barreira fosse seguida, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB) não poderia ser eleito presidente da Câmara, conforme desejo do presidente da República. Ao derrubar o citado código, o Supremo Tribunal Federal não estaria trabalhando a serviço do governo?
José Fernando Martins Piffer
São Paulo, SP

 

O boicote do casal Garotinho

É correto falar em consolidação da democracia se os governadores que deixam o poder, ainda que aliados e da mesma legenda partidária, criam estratagemas para prejudicar a futura administração de seus sucessores? As dificuldades no processo de transição do governo do estado do Rio de Janeiro, apontadas por VEJA em "Herança maldita" (13 de dezembro), não deveriam constituir novidades para o senador Sérgio Cabral Filho, se ele procurasse conhecer melhor a biografia e a trajetória política do casal Garotinho, robustecidas por inúmeras referências de alianças desfeitas.
Sinvaldo do Nascimento Souza
Rio de Janeiro, RJ  

Amor e altruísmo é o que pregam Rosinha e Garotinho; entretanto na vida, assim como no governo, esses princípios são desgraçadamente ignorados.
João Evangelista Muniz Dias
Por e-mail

 

Tati Quebra-Barraco

Sempre fico feliz quando vejo que alguém conseguiu vencer na vida de maneira decente, sem roubar nem matar. A Tati Quebra-Barraco conseguiu vencer com o funk, acredito eu, de maneira honesta. Mas na minha opinião ela não deveria ser tão agressiva em suas declarações nem ficar espalhando aos quatro ventos sua coleção de calças e tênis. Não sei como ela tem coragem de falar que não doa nada a ninguém, morando na Cidade de Deus, lugar que tem muita gente carente, passando fome ("Funkeira, encrenqueira, barraqueira", 13 de dezembro).
Fabiana Filippo de Souza Carvalho
Rio de Janeiro, RJ  

Tati Quebra-Barraco saiu da desvalorizada classe pobre para a glamourosa classe rica. É a típica emergente que, por não ter a vida toda pautada por riquezas, as usufrui agora na base do consumismo. Odeia cinema e teatro, mas adora televisão. De fato, é a típica emergente. Tirando as cirurgias e as jóias, ela mantém suas tradições: letras pífias, jeitão simplório e uma ótima cabecinha. Cá entre nós, é essa que deveria passar por uma remodelagem total.
Adriano Souza Senkevics
São Paulo, SP

 

Reposição hormonal para homens

Excelente a reportagem de VEJA sobre testosterona ("O hormônio da juventude", 13 de dezembro). Ela aborda um novo paradigma da medicina em que a qualidade de vida e a prevenção através da reposição hormonal responsável atuam como forte coadjuvante terapêutico em uma série de doenças crônicas presentes no envelhecimento, como a depressão, o diabetes, a obesidade, a osteoporose, e na redução do risco cardiovascular. Em meu consultório trabalho com reposição hormonal há mais de doze anos e observo o resultado da terapia na qualidade de vida de meus pacientes e na prevenção de doenças crônicas. A matéria, oportunamente, coloca em pauta a polêmica da reposição hormonal masculina, sem deixar de realçar os perigos do abuso da utilização dos hormônios por fisiculturistas e por profissionais incapacitados para trabalhar com hormônios, sendo esse um dos grandes elementos geradores do risco da reposição. A testosterona na dose correta pode ser uma grande ferramenta na longevidade associada à qualidade de vida. Os exageros, porém, podem ser fatais.
Vania Assasly

Diretora científica da Sociedade Brasileira de Antienvelhecimento (Sobrae)
Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – São Paulo
Membro do Institute for Funcional Medicine (EUA)
São Paulo, SP  

Homens, quem diria? Com insônia, irritados, sem disposição, tudo por causa dessa tal testosterona! Ainda bem que não somos privilegiadas por passar pelo desconforto das malditas TPMs, que nos atormentam pela vida afora. Parabéns, VEJA, pela excelente reportagem.
Vilma N. Pinto
Campinas, SP  

A preocupação com a saúde é inerente à condição humana, que, observando o próprio sofrimento, procura prevenir-se dos seus males e curar suas enfermidades. Estudos recentes têm mostrado que a testosterona quando aplicada de forma correta pode ajudar, e muito, os homens que nasceram no século XX e estão vivendo no século XXI.
Benedito Borges
Médico
Cuiabá, MT

 

André Petry

É muito bom saber que ainda existem jornalistas que denunciam as "palhaçadas" da Justiça brasileira de maneira explícita, como André Petry. O povo brasileiro necessita de jornalistas que, com muita competência, exponham a ineficiência da nossa Justiça, para que possamos deixar de ser omissos ("Meu Brasil brasileiro", 13 de dezembro)!
Tiago de Souza Fernandes
Valinhos, SP

Enquanto Dani perdia sua filha, eu e outros milhares de juízes estávamos trabalhando duro, como fazemos todos os dias. A generalização das mazelas sociais e das instituições é que parece uma tragédia jornalística. Quem ganha 24.500 reais são os ministros do STF. Os demais magistrados não chegam à metade desse valor.
Rogério Ribas
Curitiba, PR

 

Lya Luft

O artigo "Inevitáveis transações" (Ponto de vista, 13 de dezembro), de Lya Luft, foi um presente de Natal. Deliciosa leitura de utilidade indiscutível para quem vive, perde e ganha todo o tempo. De uma clareza emocionante até quando afirma que "muitas coisas é preciso perder" para saber ganhar mais na frente.
Luanna Louysy Marques de Melo
Recife, PE

 

Diogo Mainardi

Congratulo-me com Mainardi, não por concordar com tudo o que ele escreve, mas por ter certeza de que em um estado de direito, em uma democracia, a imprensa tem de ser livre. Não se cale! Parabéns por estar sendo processado. Demonstra que uma voz não quer calar ("Paulo Francis e eu", 13 de dezembro)!
José Francisco Schulte Ulguim
Por e-mail

Diogo Mainardi é o maior ídolo meu e de minhas filhas de 15 e 18 anos. Começamos a ler VEJA pela sua coluna. Se depois de tudo o que ele tem dito dos petistas "só" responde a dezoito processozinhos, e ainda vem sendo absolvido, deduz-se que o que ele denuncia é verdade. A estultice do brasileiro que os elege é de causar dó. Nunca demos um voto sequer a Patifes Trambiqueiros.
Marcos Paulo Rolim de Souza
Feira de Santana, BA

 

Caso Celso Daniel

Durante treze meses assumi a investigação da morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. Em comum acordo com o Ministério Público Estadual, que pôde acompanhar todos os passos do inquérito, minha equipe de policiais se esforçou por cumprir todos os quinze quesitos levantados inicialmente pela promotoria, que, entretanto, abriu mão de alguns itens, por inexeqüibilidade ou por não terem a importância que se supunha. Todos os demais quesitos foram cumpridos. Não levantei nenhuma tese de crime comum ou de mando. Simplesmente relatei à Justiça que não conseguimos – a Polícia, o MP e a família do ex-prefeito – levantar indícios ou provas que sustentassem a hipótese de crime político. Permaneço à disposição para realizar as investigações que a Justiça considerar necessárias ("Não acabou, não", 6 de dezembro).
Elisabete Sato
Delegada da Polícia Civil de São Paulo (78º DP)
São Paulo, SP

 

As contas da campanha 2

A reportagem "Refém do jeitinho" (13 de dezembro) refere-se à indicação de 2,25 milhões de reais como o valor de contribuição do IBS à campanha do presidente Lula. Na verdade, o valor doado foi de 1,5 milhão, dentro das formalidades legais.
Marco Polo de Mello Lopes
Vice-presidente executivo do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS)
Rio de Janeiro, RJ

 

CORREÇÕES: Na reportagem "Filhos à francesa" (13 de dezembro) utilizou-se incorretamente a expressão "taxa de fertilidade" para designar a média de filhos por mulher na população. O correto seria "taxa de fecundidade". Na seção Gente (13 de dezembro), Mary, a filha caçula do vice-presidente americano Dick Cheney, está à esquerda, e não à direita na foto. O restaurante Açaí & Cia, em Manaus, fica na Rua Acre, 98 – Conjunto Vieiralves ("Fast-food nacional", Guia, 13 de dezembro).

 

LIVRANDO OS JOVENS DO VÍCIO

A psicóloga Cristiana Rudge, da Universidade Federal de São Paulo, escreveu à redação para informar que, a partir de fevereiro de 2007, a Unifesp oferecerá tratamento gratuito para usuários de álcool e outras drogas que tenham entre 12 e 20 anos. Na reportagem "Inimigo íntimo" (6 de dezembro), VEJA alertou para os danos que o consumo do álcool pode causar em regiões do cérebro ligadas à memória e ao aprendizado. "O álcool é uma droga lícita que tem atingido a vida de jovens e adultos (em alguns casos também de crianças), trazendo prejuízos e impondo obstáculos à saúde física e mental sem que o usuário, os familiares e os amigos percebam o que está acontecendo", afirma Cristiana. As entrevistas para a triagem podem ser agendadas na Unidade de Dependência de Drogas da Unifesp (www.unifesp.br/dpsicobio/uded/) ou pelo (11) 5549-2500.

 
 
 
 
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