'
 


    

 
Edição 1987 . 20 de dezembro de 2006

Índice
Millôr
Stephen Kanitz
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
VEJA.com
Datas
Gente
Auto-retrato
Veja essa
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Auto-retrato
Franziska Ullner

Divulgação


A vice-presidente mundial da Nivea, a alemã Franziska Schmiedebach-Ullner, tem o emprego dos sonhos de milhões de mulheres. Ela é quem decide quais cremes da marca serão colocados à venda ­ e, para isso, tem a chance de testá-los assim que recebem a chancela dos laboratórios. Franziska conhece profundamente sua clientela ao redor do mundo: dos 24 anos de Nivea, passou dezenove trabalhando no exterior, em países tão diferentes como Estados Unidos, Argentina e Quênia. Em recente visita ao Brasil, essa superexecutiva deu a seguinte entrevista à repórter Anna Paula Buchalla.

AFINAL, O QUE QUEREM AS MULHERES?
Basicamente, elas querem ser boas em tudo o que fazem. Hoje, 60% da população feminina dos países desenvolvidos e emergentes trabalha. Ou seja, seis em cada dez mulheres enfrentam a batalha diária de conciliar carreira e família ou o desejo de constituir uma. No mercado de trabalho, a exigência para que estejam sempre bonitas e bem-cuidadas é maior do que vinte anos atrás. E no pouco tempo que sobra para fazer isso ouvi dizer que, no caso das brasileiras, esse dia é o sábado elas também querem relaxar. Daí por que a indústria de cosméticos investe em produtos simples, fáceis de usar e com resultados rápidos.  

NÃO LHE PARECE QUE, COM TODAS ESSAS COBRANÇAS, SER MULHER ANDA MAIS DIFÍCIL DO QUE NUNCA?
A chave do sucesso é organizar bem o tempo. Agora, enquanto conversamos, estou pensando em como farei para ligar para os meus filhos na Alemanha, já que depois daqui tenho de ir para uma reunião. Não é fácil, concordo. Apesar disso, adoro ser mulher e adoro me cuidar. É preciso também saber dizer "não" quando necessário. Sempre volto para casa às 6 e meia da tarde. Algumas pessoas me olham com espanto: "Como ela pode ir embora tão cedo?". Pois é, mas esse é o horário que tenho para ver meus filhos acordados. Uma vez que eles estejam na cama, posso, se for necessário, retomar o trabalho.  

A CAMPANHA DA MARCA DE COSMÉTICOS DOVE CRIOU UM CERTO ALVOROÇO NO BRASIL, AO MOSTRAR MULHERES COMUNS, ALGUMAS ATÉ GORDAS, EM SUAS PEÇAS PUBLICITÁRIAS. EM SUA OPINIÃO, ESSA É UMA BOA ESTRATÉGIA DE VENDA DE PRODUTOS DE BELEZA?
A campanha da Dove teve o mérito de mostrar que há várias formas de ser bonita. Possivelmente, foi a primeira vez que as brasileiras viram tipos semelhantes aos delas numa propaganda. Existe, no entanto, uma discussão intensa sobre se as mulheres querem mesmo se parecer com as moças retratadas pela publicidade da Dove. As pesquisas mostram que, para um certo grupo, essa iniciativa teve um caráter libertador, na linha "agora posso mostrar minhas curvas". Mas há um outro grupo, bem maior, que não quer ser nem se ver daquele jeito. Não sei se essas mulheres podem vir a mudar de opinião.  

A SENHORA HÁ DE CONVIR QUE, APESAR DE TODOS OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS NA ÁREA DE CREMES, A INDÚSTRIA DA BELEZA VENDE MUITAS ILUSÕES.
Discordo. Repare como as mulheres mais velhas de hoje aparentam ser muito mais jovens do que vinte anos atrás. Isso se deve sobretudo aos produtos cosméticos. O melhor exemplo é o dos filtros solares. Até o início da década de 80, não era costume proteger-se contra o sol. Com a difusão dos filtros, milhões de pessoas tiveram o processo de envelhecimento da pele retardado.  

POR QUE É TÃO DIFÍCIL PARA AS MULHERES ACEITAR A BELEZA PRÓPRIA DE CADA FASE DA VIDA?
Não tem jeito: as mulheres sempre negam a idade que têm. Quando estão com 30, querem aparentar 20. Aos 40, querem parecer que têm 30. Talvez, mais do que uma questão cultural, seja um fato da biologia: não importa em que fase estejam, as mulheres sempre se sentem dez anos mais jovens. É um fenômeno que ultrapassa a mentira social.  

A SENHORA...
Eu diria que me sinto com 39 anos.  

PODEMOS ESPERAR A CRIAÇÃO DO SUPERCREME ANTI-RUGAS?
O mais fascinante na área de desenvolvimento de produtos cosméticos é constatar que ainda não compreendemos completamente o funcionamento da pele. Até onde podemos ir? Não sei ao certo. Só sei que ainda estamos longe de chegar à fronteira final.

 
 
 
 
topovoltar