|
|
Auto-retrato Franziska
Ullner
Divulgação
 |
A
vice-presidente mundial da Nivea, a alemã Franziska Schmiedebach-Ullner,
tem o emprego dos sonhos de milhões de mulheres. Ela é quem decide
quais cremes da marca serão colocados à venda e, para isso,
tem a chance de testá-los assim que recebem a chancela dos laboratórios.
Franziska conhece profundamente sua clientela ao redor do mundo: dos 24 anos de
Nivea, passou dezenove trabalhando no exterior, em países tão diferentes
como Estados Unidos, Argentina e Quênia. Em recente visita ao Brasil, essa
superexecutiva deu a seguinte entrevista à repórter Anna Paula Buchalla.
AFINAL, O QUE QUEREM AS MULHERES?
Basicamente, elas querem ser boas em tudo o que fazem. Hoje, 60% da população
feminina dos países desenvolvidos e emergentes trabalha. Ou seja, seis
em cada dez mulheres enfrentam a batalha diária de conciliar carreira e
família ou o desejo de constituir uma. No mercado de trabalho, a exigência
para que estejam sempre bonitas e bem-cuidadas é maior do que vinte anos
atrás. E no pouco tempo que sobra para fazer isso ouvi dizer que, no caso
das brasileiras, esse dia é o sábado elas também querem relaxar.
Daí por que a indústria de cosméticos investe em produtos
simples, fáceis de usar e com resultados rápidos.
NÃO LHE PARECE QUE, COM TODAS ESSAS COBRANÇAS,
SER MULHER ANDA MAIS DIFÍCIL DO QUE NUNCA? A chave do sucesso é
organizar bem o tempo. Agora, enquanto conversamos, estou pensando em como farei
para ligar para os meus filhos na Alemanha, já que depois daqui tenho de
ir para uma reunião. Não é fácil, concordo. Apesar
disso, adoro ser mulher e adoro me cuidar. É preciso também saber
dizer "não" quando necessário. Sempre volto para casa às
6 e meia da tarde. Algumas pessoas me olham com espanto: "Como ela pode ir embora
tão cedo?". Pois é, mas esse é o horário que tenho
para ver meus filhos acordados. Uma vez que eles estejam na cama, posso, se for
necessário, retomar o trabalho. A
CAMPANHA DA MARCA DE COSMÉTICOS DOVE CRIOU UM CERTO ALVOROÇO NO
BRASIL, AO MOSTRAR MULHERES COMUNS, ALGUMAS ATÉ GORDAS, EM SUAS PEÇAS
PUBLICITÁRIAS. EM SUA OPINIÃO, ESSA É UMA BOA ESTRATÉGIA
DE VENDA DE PRODUTOS DE BELEZA? A campanha da Dove teve o mérito
de mostrar que há várias formas de ser bonita. Possivelmente, foi
a primeira vez que as brasileiras viram tipos semelhantes aos delas numa propaganda.
Existe, no entanto, uma discussão intensa sobre se as mulheres querem mesmo
se parecer com as moças retratadas pela publicidade da Dove. As pesquisas
mostram que, para um certo grupo, essa iniciativa teve um caráter libertador,
na linha "agora posso mostrar minhas curvas". Mas há um outro grupo, bem
maior, que não quer ser nem se ver daquele jeito. Não sei se essas
mulheres podem vir a mudar de opinião. A
SENHORA HÁ DE CONVIR QUE, APESAR DE TODOS OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS
NA ÁREA DE CREMES, A INDÚSTRIA DA BELEZA VENDE MUITAS ILUSÕES.
Discordo. Repare como as mulheres mais velhas de hoje aparentam ser muito
mais jovens do que vinte anos atrás. Isso se deve sobretudo aos produtos
cosméticos. O melhor exemplo é o dos filtros solares. Até
o início da década de 80, não era costume proteger-se contra
o sol. Com a difusão dos filtros, milhões de pessoas tiveram o processo
de envelhecimento da pele retardado. POR
QUE É TÃO DIFÍCIL PARA AS MULHERES ACEITAR A BELEZA PRÓPRIA
DE CADA FASE DA VIDA? Não tem jeito: as mulheres sempre negam a
idade que têm. Quando estão com 30, querem aparentar 20. Aos 40,
querem parecer que têm 30. Talvez, mais do que uma questão cultural,
seja um fato da biologia: não importa em que fase estejam, as mulheres
sempre se sentem dez anos mais jovens. É um fenômeno que ultrapassa
a mentira social. A SENHORA...
Eu diria que me sinto com 39 anos. PODEMOS
ESPERAR A CRIAÇÃO DO SUPERCREME ANTI-RUGAS? O mais fascinante
na área de desenvolvimento de produtos cosméticos é constatar
que ainda não compreendemos completamente o funcionamento da pele. Até
onde podemos ir? Não sei ao certo. Só sei que ainda estamos longe
de chegar à fronteira final. |