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Um
estudante, um médico e uma alpinista
estão entre os novos santos de João Paulo II,
o papa que mais gente promoveu à santidade
Laurentino
Gomes
João Paulo II é o papa dos recordes. Em 22 anos, visitou
118 países e percorreu mais de 1 milhão de quilômetros,
quase três vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Nenhum outro papa foi visto por tanta gente. Suas missas e cerimônias,
ao vivo ou transmitidas via satélite, atraem milhões
e milhões de fiéis. Só no Vaticano, ele já
falou para quase 100 milhões de pessoas. Nenhum outro pontífice
publicou tantas encíclicas, as circulares papais que têm
peso de decreto para os católicos. Foram catorze até
agora. Em número de bispos e cardeais, ele também
é imbatível. Nomeou quase 300.
Neste ano, o papa de desempenho superlativo em suas funções
terrenas bateu um novo recorde, desta vez no céu. Em 2 000
anos de história da Igreja, ele é o que mais fez santos.
Ao todo, já canonizou 447. Todos os outros 263 papas, somados,
fizeram 302 canonizações. De uma leva só, no
começo de outubro, João Paulo II canonizou 120 cristãos
martirizados na China entre 1648 e 1930. Além disso, promoveu
outras 1 052 pessoas à condição de beatas,
o penúltimo estágio antes da santidade.
AP
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Philadelphia Daily News/AP
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Santos
de conveniência
A sudanesa Bakhita, o coreano André e a irmã
Katharine Drexel, dos Estados Unidos, país que mais contribuições
em dinheiro envia para o Vaticano: todos os papas usaram a prerrogativa
de acelerar ou brecar processos de santidade para satisfazer
interesses geopolíticos da Igreja |
Duas
razões explicam a fábrica de santos de João
Paulo II. A primeira é que, na igreja sob seu comando, o
próprio conceito de santidade mudou. Antigamente, santos
eram figuras míticas da fé cristã, pessoas
de conduta e virtudes ímpares, capazes de se submeter às
mais terríveis provações em nome da religião
que professavam. Depois de mortas e já candidatas à
santidade, eram responsáveis por milagres e feitos extraordinários.
Com essas exigências, ser santo era uma meta quase inatingível
para seres humanos normais, repletos de defeitos e fraquezas e expostos
às tentações e ao pecado.
Os santos de João Paulo II, ao contrário, são
pessoas comuns, sem nenhuma outra característica marcante
que não seja ter levado uma vida honesta, fazendo o bem,
rezando e seguindo os ensinamentos de Cristo. Nessa galeria de santos
gente-como-a-gente há um jovem estudante, alpinista e jogador
de futebol, uma pediatra mãe de família, uma empregada
doméstica e um mordomo negro haitiano cuja biografia registra
como feito mais notável ir à missa em Nova York todos
os domingos e se dar bem com a vizinhança.
"Esse
papa tem uma visão generosa do ser humano", diz o professor
e psicólogo Ivan Rojas, da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo. "Ele acredita que qualquer
pessoa pode ser santa, ainda que sem realizar nenhum feito extraordinário.
A santidade não está mais confinada aos mosteiros
e às sacristias. É uma vocação natural
dos cristãos." Tome-se o caso do estudante italiano Pier
Giorgio Frassati. Filho do fundador e diretor do jornal La Stampa,
de Turim, Pier foi um jovem absolutamente normal. Gostava de esportes
e excursões e estudou engenharia de minas. Morreu aos 24
anos, de poliomielite, e foi beatificado em 1990. Um dos motivos
de sua beatificação, citados pelo Vaticano, é
que, nas horas vagas, Pier visitava os pobres e ajudava as pessoas
necessitadas. Também organizou a Federação
dos Universitários Católicos italianos. São
razões nobres e merecedoras de admiração por
parte da Igreja, mas no passado dificilmente alguém tão
jovem e com um currículo tão modesto de boas ações
seria promovido a santo.
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Divulgação Discovery Chanel
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Os
guerreiros
São Tiago e Santa Joana D'Arc, heroína da França:
a história da Igreja é repleta de santos guerreiros,
que ajudaram a combater heresias e a consolidar reinados fiéis
ao papa. São Mercúrio, de existência duvidosa,
é uma adaptação da mitologia romana ao
cristianismo
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Outro
exemplo é o do médico italiano Giuseppe Moscati. Sua
biografia registra que ele ajudava os doentes pobres, trabalhava
até altas horas da noite e ia à missa diariamente.
Morreu num dia normal de trabalho, em 1927. Só isso. Foi
canonizado em 1987. Ângela Salawa, empregada doméstica
polonesa, aproveitava os momentos livres do serviço na casa
dos patrões para atender os feridos no hospital de Cracóvia
durante a I Guerra Mundial. Foi beatificada em 1991 por João
Paulo II.
Para facilitar o acesso das pessoas comuns ao status da santidade,
o papa simplificou o processo de beatificações e canonizações.
Do ponto de vista do processo canônico, hoje é muito
mais fácil virar santo do que vinte anos atrás. Katharine
Drexel, milionária americana que usou sua herança
de 20 milhões de dólares para fundar uma ordem missionária,
foi canonizada no começo de outubro, apenas 45 anos depois
de sua morte. Antigamente, para que alguém virasse santo
era preciso que o processo se arrastasse na burocracia do Vaticano
durante dois ou três séculos, em média. O atual
papa reduziu de cinqüenta para cinco anos a exigência
de tempo mínimo entre a morte do candidato e o início
de seu processo de santificação.
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Os
papas
Pio IX e Pio XII, dois pontífices na fila da santidade.
Dos 264 papas, só 78 se tornaram santos. Desses, 24
foram canonizados não por terem sido papas, mas por
serem mártires, homens que deram a vida em defesa da
fé. A grande maioria dos papas santos viveu no primeiro
milênio da Igreja. Depois do ano 1000, apenas cinco
deles mereceram a honra da canonização
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O
que é um santo? De acordo com a doutrina católica,
é a pessoa que, tendo seguido os mandamentos de Cristo e
ajudado a promover o bem, ao morrer está salva e junto de
Deus, no céu. Pela fé cristã, mesmo quem tenha
feito o mal a vida inteira pode tornar-se santo se, no último
momento que antecede a morte, reconhecer seus erros e, sinceramente,
pedir perdão a Deus. A Igreja, portanto, não faz santos.
A ela cabe apenas reconhecer a santidade de alguém que, com
a ajuda divina, a tenha conquistado pelos próprios méritos.
Como nem mesmo o papa consegue saber o que se passa depois da morte,
durante séculos a Igreja desenvolveu um complicado processo
para comprovar se uma pessoa, ao morrer, já está salva.
Ou seja, se virou santa.
Existem duas formas pelas quais a Igreja tenta descobrir se alguém
é santo ou não. A primeira é pelo exame exaustivo
da biografia do candidato, para assegurar-se de que ele realmente
levou uma vida correta, ajudando a melhorar o mundo a sua volta.
O outro sinal, considerado infalível, é o milagre
um evento extraordinário, inexplicável à
luz da ciência ou de qualquer razão humana, e que,
teoricamente, só é possível mediante a ação
divina. Ocorre que, da mesma forma que a Igreja não faz santos,
o santo também não faz milagre. Ele é apenas
um intermediário entre um ser vivo, que solicita o milagre,
e Deus, que o concede. Por isso, o milagre é considerado
uma prova de santidade pelos católicos. Quando acontece,
significa que o santo a quem foram dirigidas as orações
está perto o suficiente de Deus para interceder em favor
de alguém e ser atendido. O milagre é, portanto, um
sinal do mundo dos mortos para o mundo dos vivos.
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As
lendas
São Wolfgang e o demônio: feitos extraordinários
marcam a história dos santos. Alguns, de existência
não comprovada, como São Jorge e São Cristóvão,
foram excluídos do calendário litúrgico
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Durante
séculos, esses dois parâmetros a biografia ilibada
do candidato a santo e os milagres obtidos mediante sua suposta
intercessão foram considerados os requisitos essenciais
para o processo de santidade. Na primeira etapa, a da beatificação,
era necessário que, além de comprovar que o candidato
teve uma vida correta, fosse constatada a realização
de pelo menos um milagre. Na etapa seguinte, a da canonização,
exigia-se um segundo. Para não haver riscos de engano, os
candidatos sempre passaram por um escrutínio rigoroso. Nisso
também há mudanças.
Pelas regras do Vaticano, qualquer católico pode propor o
início de um processo de beatificação, mas,
até João Paulo II, cabia ao proponente provar que
o candidato era santo, enquanto o tribunal da Igreja se esforçava
para demonstrar o oposto. Daí surgiu a figura do "advogado
do diabo", um promotor cuja função era demonstrar,
por todos os meios, que o aspirante a santo tinha culpa em cartório.
Por esse sistema, era considerado culpado (de não-santidade)
até prova em contrário. Além disso, toda a
investigação sobre a biografia do candidato e seus
supostos atos milagrosos centralizava-se em Roma. João Paulo
II mudou esse processo em 1983.
Agora, a candidatura não precisa mais ser encaminhada diretamente
a Roma, como se fazia anteriormente. As dioceses locais ganharam
autonomia para iniciar o processo e até mesmo fazer toda
a investigação inicial sobre a vida do candidato a
santo. Dessa forma, quando chega ao Vaticano, o processo está
em uma fase bem adiantada e com o importante aval de uma parte da
hierarquia católica (os bispos locais), que antes não
era levada muito em conta. O papa descentralizou o trabalho de garimpar
santos ao redor do mundo. Ao todo, são mais de 5 000 bispos
com autonomia para cuidar das fases iniciais do processo.
Em Roma as coisas também mudaram. O procurador da Congregação
da Causa dos Santos, nome oficial do antigo advogado do diabo, deixou
de existir. Agora, a investigação cabe a um "colégio
de relatores", que se encarrega de checar os dados biográficos
do candidato enviados pelas dioceses locais. "A canonização
deixou de ser um processo semelhante a um inquérito criminal
para se parecer mais com uma tese de pós-doutorado", diz
George Wiegel, um dos biógrafos de João Paulo II.
Outra mudança: hoje, para que alguém seja beatificado,
nem mesmo a comprovação de um milagre é necessária.
Um exemplo disso é o padre José de Anchieta, o primeiro
candidato a santo do Brasil, beatificado sem que nenhum milagre
por sua intercessão tenha sido registrado oficialmente. O
milagre só continua a ser fundamental na etapa seguinte,
a da canonização.
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Guga Abreu
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Os
brasileiros
Embora seja o país com a maior população
católica do mundo, o Brasil não tem nenhum santo.
Por enquanto, há 35 processos de canonização
na fila do Vaticano, envolvendo brasileiros a quem a Igreja
já cedeu o título de servo de Deus, o primeiro
passo para a santidade. Entre eles estão Padre Anchieta
(à esq.), Frei Galvão (à dir.)
e Madre Paulina |
O
papa também abriu caminho para causas até pouco tempo
atrás consideradas politicamente muito sensíveis para
ir adiante. Um de seus antecessores, o papa Paulo VI, tinha colocado
na geladeira as candidaturas dos mártires da Guerra Civil
Espanhola. Como o general Francisco Franco, vencedor da guerra,
ainda estava vivo, o papa não queria dar a impressão
de estar tomando partido de um dos lados. João Paulo II levou
adiante esses processos e outros bastante complicados, como os dos
mártires da Revolução Francesa e os da perseguição
religiosa na Coréia e na China. A recente canonização
de 120 mártires chineses provocou a reação
do governo comunista chinês, para o qual os novos santos não
passavam de "agentes imperialistas" a serviço do Ocidente.
Da mesma forma, beatificou dois papas polêmicos, Pio IX e
Pio XII. O primeiro é acusado de ser anti-semita. O segundo,
de ter-se omitido diante das atrocidades do regime nazista na Alemanha.
A beatificação ou a canonização de candidatos
considerados polêmicos caso de mártires chineses
e dos papas Pio IX e Pio XII revela um outro lado menos celestial
da fábrica de santos da Igreja. São as conveniências
políticas que marcam esse tipo de decisão. Todos os
papas, sem exceção, usaram a prerrogativa de acelerar
ou brecar processos de canonização para satisfazer
os interesses circunstanciais da Igreja. Nos séculos XV e
XVI, quando a monarquia inglesa se voltou contra o poder de Roma
e abriu o cisma que resultaria na criação da Igreja
Anglicana, a fábrica de santos funcionou em favor da Grã-Bretanha.
Entre os canonizados da época estão o chanceler e
filósofo sir Thomas Morus, que lutou contra a cisão,
e a rainha católica da Escócia, Mary Stuart, decapitada
por ordem da prima protestante, Elizabeth I. Na época da
reforma protestante, Roma promoveu uma substanciosa galeria de santos
franceses para assegurar a fidelidade desse país.
Outros interesses, que não os de ordem geopolítica,
funcionam na escala de prioridade dos processos de santificação.
Tome-se o caso dos beatos e santos americanos. Os Estados Unidos
já têm dois santos. O Brasil, nenhum. Isso significa
que o clima tropical é menos propício à santidade
que o do Hemisfério Norte? Não necessariamente. "Os
endinheirados católicos americanos são hoje os maiores
financiadores da Igreja e, ao promover santos e beatos, o papa está
atento a esse fato", lembrou recentemente o jornal The New York
Times. Durante seu pontificado, João Paulo II canonizou
nada menos que seis santos de seu país de origem, a Polônia.
Se o papa não fosse polonês, dificilmente esse país
conseguiria um número tão expressivo de santos e beatos
em tão pouco tempo.
Há ainda imperativos de ordem moral e doutrinária
que fazem o papa colocar uma determinada candidatura na frente de
todas as demais. A pediatra italiana Gianna Beretta Molla, uma alpinista
e esquiadora de 40 anos, recusou-se a fazer aborto, apesar de insistentemente
aconselhada pelos médicos, e morreu durante o parto do seu
quarto filho, em 1962. Gianna foi beatificada por João Paulo
II, em 1994, num processo intimamente ligado à campanha que
o papa tem feito contra o aborto.
A figura mítica dos santos não é uma criação
exclusiva do catolicismo romano. Nas sociedades antigas era comum
celebrar a memória de um morto poderoso dando-lhe status
de divindade. A palavra apoteose vem do grego apothéosis,
que significava a elevação de um ser humano à
categoria dos deuses. Curiosamente, muitos dos primeiros cristãos
foram martirizados e se tornaram santos justamente porque se recusaram
a cultuar os imperadores como deuses.
Hoje outras religiões possuem figuras parecidas com as dos
santos católicos. A Igreja Ortodoxa russa elevou ao altar
o czar Nicolau II, assassinado pelos bolcheviques em 1917 durante
a revolução comunista. Uma estátua do imperador
foi instalada no centro de Moscou e recebe a visita de procissões
de fiéis. A Igreja Luterana Evangelista de Nova York canonizou
o pastor Martin Luther King, assassinado a tiros em 1968. O budismo
também cultua divindades com funções parecidas
com as dos santos católicos. Uma delas é Kannon, uma
espécie de Virgem Maria budista, também representada
nas imagens por uma mulher angelical segurando um filho nos braços.
Entre 1600 e 1800, quando o cristianismo foi proibido no Japão,
os fiéis passaram a venerar nos altares a santa oriental.
Do ponto de vista católico, os santos não existem
apenas para intermediar milagres. Servem também de exemplo
para os que estão vivos. Ao canonizar alguém, é
como se a Igreja dissesse: "Veja o que essa pessoa fez de bom e
tente imitá-la. Assim você também poderá
salvar a sua alma". No começo do cristianismo, só
os mártires, os que morriam pela fé, eram santos.
O relato mais antigo chama-se "O Martírio de São Policarpo",
do ano 167, e conta a morte do bispo da cidade de Esmirna, na atual
região da Turquia. Todos os 54 primeiros papas morreram assim
e foram imediatamente promovidos à condição
de santos. Só no final do século IV surgiram as outras
formas de santidade. Durante os primeiros 1 000 anos da Igreja,
não havia processo algum de beatificação ou
canonização. Os santos eram escolhidos por aclamação
popular. Cabia aos bispos apenas referendar a vontade do povo.
São dessa época os santos legendários, cuja
história real se mistura com a lenda, reproduzida de boca
em boca durante a Idade Média. Uma dessas figuras é
Santa Úrsula. Segundo relato medieval, era filha de um rei
católico da Inglaterra e foi pedida em casamento por um príncipe
pagão. Disposta a manter sua virgindade, ela conseguiu adiar
o casamento por três anos. Como fez isso? Passou os três
anos em alto-mar, navegando junto às costas da Grã-Bretanha.
Antes de partir, providenciou a companhia de onze filhas de nobres,
todas virgens, e cada qual levou junto mais 1 000 virgens. No total,
11 000 virgens, distribuídas em onze navios. Ao final dos
três anos, um forte vento levou as virgens e seus navios para
longe da Inglaterra. Aportaram na Alemanha e, dali, seguiram a pé,
em peregrinação, até Roma. Depois voltaram
à cidade alemã de Colônia, onde foram todas
martirizadas pelos hunos por se recusarem a abrir mão de
sua virgindade e a renegar a fé em Cristo. Atualmente, Úrsula
e as 11 000 virgens estão na galeria dos santos de existência
duvidosa, não comprovada.
Fazer santos hoje envolve uma laboriosa rede no mundo católico.
Grandes congregações religiosas, como a dos beneditinos,
chegam a manter profissionais de plantão no Vaticano para
zelar pelo bom andamento de seus processos de canonização.
Até pouco tempo atrás, a defesa de uma causa consumia
mais de 70 000 reais, em razão dos custos com pesquisas de
documentos e as constantes viagens a Roma. Agora é possível
aprovar um santo com metade desse dinheiro. Isso abriu as portas
para candidatos de países e congregações mais
pobres. "A simplificação do processo mudou o perfil
dos eleitos", afirma o frei italiano Sergio Mariano Foralosso, autor
de uma tese de mestrado sobre a distribuição geográfica
das causas dos santos.
Em seu trabalho, Foralosso analisou centenas de processos do Vaticano
entre 1895 e 1975. Até o final do século XIX, metade
dos santos eram italianos e apenas 13% deles não tinham origem
européia. Vinte anos atrás, o quadro já era
bastante diferente. A porcentagem de santos não-europeus
já havia dobrado. "As reformas recentes e a disposição
do papa João Paulo II acentuaram ainda mais essa tendência",
afirma Foralosso.
Com
reportagem de
Sérgio Ruiz Luz
Saiba
mais |
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