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PAOLA MARIA BOURBON DE ORLEANS E BRAGANÇA SAPIEHA

Ancestralidade materna: Europa
Ancestralidade genômica: européia (99,999999%)

"Já esperava, claro. Mas bem que gostaria de ter um pouco de mistura", suspira Paola. A tataraneta da princesa Isabel nasceu em Londres e, como se previa, é européia até a raiz do cabelo louro. Seu pai, o príncipe Sapieha, é de família nobre polonesa descendente de russos.

Selmy Yassuda

Alguns resultados eram rigorosamente previsíveis. Paola Maria Bourbon de Orleans e Bragança Sapieha, princesa descendente da família real brasileira pelo lado materno, cravou "europeu" em todas as categorias. Outros trouxeram surpresas irresistíveis. O modelo Paulo Cezar Fahlbusch Pires, apelidado na juventude de Zulu, numa brincadeira dos amigos surfistas com o bronzeado que adquiria sob o sol carioca, desmente os olhos verdes e os lábios finos. Geneticamente, é africano. Melhor ainda, essa herança foi passada pela mãe de nome sonoramente germânico. Explicação: Hannelore Fahlbusch é filha de alemão com brasileira e essa avó de Paulo Zulu tem sua origem na África. Tem mais. Nas últimas gerações, genes africanos freqüentaram com tal assiduidade a árvore familiar do modelo que, hoje, sua seqüência genética combina com as marcas típicas da África Ocidental. Já Vicente Paulo da Silva, o líder sindical Vicentinho, da Central Única dos Trabalhadores, um "mulato típico", tem origem provavelmente moura por parte de pai. A mãe vem de tronco africano, mas nas gerações mais recentes os genes euroasiáticos sobressaíram na família. Resultado: o perfil genético de Vicentinho é predominantemente europeu, o que lhe dá direito a um "diploma de branco".

 
Ana Araujo


ANTONIO CARLOS MAGALHÃES

Ancestralidade materna: Europa Ocidental
Ancestralidade paterna: Europa
Ancestralidade genômica: européia (99,999999%)

"Já sabia disso, embora, como bom baiano, desejasse uma pitada de mistura", diz o senador. A família do pai dele veio do norte de Portugal – os avós eram portugueses. E a da mãe também tem origem européia, "mas não sei precisar o lugar exato".

A salada brasileira é inesgotável. A índia Aigo, a jovem dançarina que durante uma rápida passagem pelo programa O+, da Rede Bandeirantes, teve a autodeclarada origem indígena apontada como golpe publicitário, agora pode provar: é descendente de índia, mesmo. Aigo (na carteira de identidade, Shirley Cristina Rocha) tem, portanto, direito de continuar a desfilar de cocar, peito nu e rebolado de pagodeira. Por sua vez, Susana Alves, a Tiazinha de lisa cabeleira de Iracema moderna, nunca pousou o pé na tribo. De ancestralidade materna africana, ela tem perfil europeu. Caso similar ao do ex-presidente José Sarney, cujas raízes remotas por parte materna vêm da África, pelo lado paterno misturam os três grandes troncos (europeu, asiático e africano) e, na mistura final, redundam também num "diploma de branco".

 


SUZANA ALVES

Ancestralidade materna: África Ocidental
Ancestralidade genômica: européia (99,99%)

Os pais de Suzana são de Cajazeiras, no interior da Paraíba. "Fiquei muito surpresa. Nunca imaginei que minhas características fossem totalmente européias. Se bem que sou muito branca. Minha pele é morena porque tomo muito sol desde os 13 anos. O teste me deixou curiosa por saber mais detalhes sobre minha ancestralidade."

Ricardo Fasanello/Strana

A visão do Brasil como um "laboratório de raças" está na base da formação nacional e mobilizou alguns dos mais importantes estudiosos no campo da sociologia e da antropologia. "Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo, a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena e do negro", escreveu Gilberto Freyre em Casa-Grande & Senzala. Freyre foi pioneiro na separação entre "raça" e "cultura" e também o primeiro a destacar a miscigenação como ponto positivo. Em 500 anos de História, o Brasil construiu no trópico um país de cultura riquíssima, colorida por uma luz toda especial nas festas, na culinária, na música. O Brasil está entre as dez maiores economias do mundo, e seu povo, com todas as dificuldades práticas trazidas por diferenças de renda e de educação, aprende rápido, exibe capacidade incomum de adaptar-se a novidades e de contornar o desastre. Essa é uma herança positiva que muitos pensadores da atualidade destacam. No passado, porém, a corrente dominante da inteligência nacional só via defeitos naquilo que é uma de nossas virtudes.

 

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