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Cidade das crianças

Unicef aponta município do ABC paulista
como um exemplo no cuidado com a garotada

Anna Paula Buchalla

Rogério Voltan

O ABC paulista, principal pólo industrial brasileiro, tem muita história para contar. Ali nasceu a indústria automobilística nacional. Foi também o berço do Partido dos Trabalhadores. Recentemente, um time de futebol da região, a Associação Desportiva São Caetano, ou simplesmente Azulão, conseguiu uma vaga na semifinal do campeonato nacional. Nada, porém, supera a boa notícia divulgada na semana passada pelo Unicef, órgão das Nações Unidas para a Infância e Adolescência. São Caetano do Sul é uma das cidades brasileiras que mais dão atenção a suas crianças. Dos 5.507 municípios pesquisados, ficou em terceiro lugar no ranking. Perdeu para as minúsculas Águas de São Pedro, estância hidromineral no interior de São Paulo, e Nova Olímpia, no Paraná.

Cidades pequenas com 1.750 e 5.200 habitantes, respectivamente, reúnem condições mais do que favoráveis para dar bom atendimento médico e boa educação a seus pequenos. É aí que São Caetano se destaca. O município tem cerca de 140.000 moradores, dos quais quase 11.000 com até 6 anos de idade. "A cidade é um modelo para outras de médio e grande porte", afirma Manuel Buvinich, coordenador do levantamento do Unicef.

O trabalho da entidade teve como foco os cuidados de saúde e educação dispensados a meninos e meninas de até 6 anos. Os pesquisadores se basearam em quatro parâmetros para chegar ao chamado índice de desenvolvimento infantil, o IDI: o número de crianças vacinadas e matriculadas nas escolas, o nível de escolaridade dos pais e o porcentual de gestantes que, durante o pré-natal, visitaram o médico mais de seis vezes. Em São Caetano, 35% do orçamento destina-se à educação – 10% a mais do que prevê a Constituição. Não há ali uma só criança fora da sala de aula.

Além disso, não há divisão entre a atuação dos profissionais do ensino e da saúde. Três vezes por ano, médicos e dentistas visitam as escolas para ver como está a saúde das crianças. Checam também, uma por uma, as carteiras de vacinação. É norma das creches mudar, de tempos em tempos, alguns móveis de lugar só para estimular o desenvolvimento cerebral dos bebês. O trabalho baseia-se em pesquisas segundo as quais os primeiros três anos de vida são determinantes na capacidade de aprendizagem, memória, raciocínio, habilidades lingüísticas, sociais e afetivas.

São Caetano, Águas de São Pedro e Nova Olímpia são ilhas de excelência no país de tão decantadas desigualdades regionais. Metade das cidades pesquisadas (a maioria nos grotões do Norte e Nordeste) não tem o devido cuidado com seus pequenos. Em boa parte desses municípios, em média, menos de 50% das crianças estão vacinadas, creches não existem e o atendimento pré-natal não atinge sequer 15% das gestantes. Tem-se ainda um longo caminho pela frente. Árduo, sem dúvida. Mas possível, como mostram esses três bons exemplos.

 

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