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Defenda sua pele no verão

Conheça o tempo correto de exposição
ao sol, de acordo com estudo feito com
praias do Nordeste

Fábio de Oliveira

Montagem sobre foto de Eduardo Pozella


Quem está fazendo as malas e arrumando a bagagem para curtir o verão de janeiro nas praias do Nordeste não pode esquecer-se do kit saúde para a pele. É muito simples e fácil de carregar: filtro solar, chapéu, camiseta, óculos escuros e guarda-sol. Aquele que usar esses apetrechos corriqueiros e limitar a duração da exposição ao sol no período de 10 horas da manhã às 3 da tarde poderá obter dois benefícios. No curto prazo, manterá a pele saudável. No chamado longo prazo, estará se protegendo contra doenças graves no futuro. Com base em séries históricas da incidência do sol nas capitais litorâneas do Nordeste, o Laboratório de Estudos em Poluição Atmosférica, do departamento de meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estabeleceu durações recomendadas para os banhistas nas praias, sem proteção adequada, de acordo com a cor da pele.

Assim, quem tem pele muito branca e olhos claros não deve expor-se por mais de dezoito minutos naquele horário crítico. Para a média das pessoas brancas, o tempo é de 24 minutos, seguido de 31 minutos para as de pele moreno-clara e 48 minutos para as morenas. A tolerância de quem tem pele negra, naturalmente, é maior. O levantamento vale para Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju e Salvador. Com um ligeiro acréscimo de rigor, o tempo de exposição admitido serve também para o Rio de Janeiro. Acima desses limites apresentados pelo estudo, só com protetor e muita prudência.

Houve um tempo em que as pessoas se torravam nas praias sem protetor algum. O sol era a cura para diversos males e, como fonte natural de "energia", não podia estar associado a nenhum malefício. No decorrer dos anos, os protetores passaram a fazer parte da cultura, mas os abusos continuaram. Os dermatologistas contam que um expediente comum é tentar fazer o tubo render mais do que deveria. Atenção: o protetor solar só cumpre o que promete na embalagem se a pessoa usá-lo em abundância, ficando com uma camada branca sobre a pele, como se fosse um fantasma. Mas quem faz isso? Outro erro é comprar um frasco com fator de proteção solar mais elevado e passá-lo no corpo apenas uma ou duas vezes durante o dia, e não quatro, como recomenda o fabricante. "Todo cuidado com a pele no verão é pouco", alerta o médico Marcus Maia, coordenador do Programa Nacional de Controle do Câncer de Pele, que se associou ao laboratório da Federal do Rio no estudo sobre os efeitos dos raios solares no Brasil.

Todo mundo sabe que a exposição exagerada pode levar ao câncer de pele. "Quanto mais queimaduras consecutivas, maiores as probabilidades de o problema aparecer", explica Marcus Maia. As projeções da Sociedade Brasileira de Dermatologia são pessimistas: anualmente há cerca de 100.000 casos de câncer de pele no Brasil, atingindo sobretudo os indivíduos de pele mais branca e olhos claros. Nos Estados Unidos, estima-se em 1,2 milhão o número de pessoas afetadas pela doença todos os anos. O desafio da sociedade agora é desenvolver um trabalho preventivo de âmbito nacional. O primeiro passo consistiu em estabelecer o índice ultravioleta (IUV), calculado para as capitais brasileiras e o Distrito Federal e divulgado diariamente na internet desde março. A radiação ultravioleta faz parte do conjunto de feixes emitidos pelo Sol, considerada um dos principais fatores responsáveis pelo surgimento do câncer de pele, entre eles o melanoma, o mais letal. O IUV é um número que fornece a previsão diária de ultravioleta recebido em determinado lugar da superfície da Terra, durante a hora de máxima iluminação solar, ou seja, em torno do chamado "meio-dia verdadeiro", entre 11h30 e 12h30, cujos efeitos maléficos na prática se estendem para o intervalo de 10 a 15 horas.

O índice aparece numa escala que vai de zero a 20. Nessa linha, estão expressos os riscos para a ocorrência de queimaduras solares. Se o valor registrado ficar entre zero e 2, a probabilidade de se verificar queimaduras é "mínima". Entre 3 e 4, índice das praias de Fortaleza no mês de julho, o risco de queimadura é "baixo". Já quando se registram 5 ou 6, vira "moderado", caso de Salvador também em julho. Entre 7 e 9, o perigo de haver queimaduras de pele já fica preocupante (Florianópolis no mês que vem) e leva a etiqueta de "alto". Na faixa de 10 (capitais do Nordeste em janeiro), é "muito alto".

Uma vez estabelecido o IUV, fez-se outro cálculo para fixar o tempo necessário para a pele começar a sofrer queimadura, a partir do qual se torna necessário tocar a sirene da sensatez e lançar mão de algum tipo de proteção. Para muitas pessoas, pode ser mesmo a hora de deixar a praia e refugiar-se sob o teto de um bar, de uma casa ou do hotel. "Estamos trabalhando no refinamento da previsão", anuncia Luiz Maia, meteorologista da UFRJ e responsável pelos dados do índice. Nos Estados Unidos, o IUV está disponível desde 1994. No Brasil, o desafio é torná-lo conhecido para estimular o abrigo contra os efeitos nocivos do sol.

 
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