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Não
dá, Canadá
Canadenses encaram polêmica
literária como guerra
Liane
Neves
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| Scliar:
ele saiu no lucro |
Depois
de vinte dias de efervescência, parece estar chegando ao fim a polêmica
literária entre o canadense Yann Martel e o gaúcho Moacyr
Scliar. Na semana passada, o primeiro telefonou a Scliar para dizer que
"sentia muito" pela confusão. O brasileiro, por sua vez, garantiu
que a idéia de processá-lo por plágio estava descartada.
Scliar, aliás, acabou saindo no lucro: já foi contatado
por várias editoras estrangeiras interessadas em lançar
seus livros. O imbróglio começou quando Martel recebeu o
prestigioso Booker Prize, da Inglaterra, pelo romance Life of Pi ("A
Vida de Pi"). Como ele se apressou em revelar, o mote do livro vinha de
uma obra de Scliar, cujo resumo ele teria encontrado numa resenha assinada
pelo escritor americano John Updike há pouco mais de dez anos.
Os termos usados por Martel para fazer essa confissão, contudo,
foram infelizes. Ele parecia sugerir que Scliar era um "autor menor".
Para piorar, sua história era mal contada, já que a tal
resenha de Updike nunca existiu, como VEJA descobriu. O assunto logo se
tornou obrigatório nos suplementos literários, que passaram
a discutir a possibilidade de um plágio. Foram muitas reportagens,
não apenas no Brasil, mas também na Europa, nos Estados
Unidos e, claro, no Canadá que saiu em defesa de Martel
de maneira desajeitada. Um jornal do país, o National Post,
chegou a sugerir desmioladamente que o episódio era "um novo capítulo
na ira brasileira contra o Canadá". Segundo essa tese, o pobre
Martel estaria pagando o pato pelas recentes disputas comerciais entre
os dois países, envolvendo aviões e carne bovina. Parodiando
a opinião de Obelix sobre os romanos, esses canadenses são
mesmo muito loucos.
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