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de mágica
O americano Paul Auster joga
com os seus
truques literários
em O Livro das Ilusões
Carlos
Graieb

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Meses
atrás, a enorme rede americana de livrarias Barnes & Noble
descobriu que as obras de Paul Auster estavam entre as mais furtadas de
suas lojas. Não é uma surpresa. Ladrões de romances
formam um grupo peculiar. Sem desculpá-los, pode-se ter alguma
simpatia por eles, que parecem acreditar que a ficção é
um gênero de primeira necessidade, pelo qual vale a pena arriscar
a pele. Como escreveu certa vez o crítico Alberto Manguel, eles
agem como "amantes enlouquecidos". Ora, é para esse tipo de pessoa
que Auster sempre escreveu: os que levam a literatura muito a sério.
Não é diferente em O Livro das Ilusões (tradução
de Beth Vieira; Companhia das Letras; 312 páginas; 37 reais), que
chega nesta semana ao Brasil e no qual o autor se mostra em ótima
forma.
Quando
sua família morre num acidente aéreo, David Zimmer cai em
depressão profunda. Pensa em suicídio diante da TV até
que, um dia, um comediante do cinema mudo consegue arrancar-lhe um riso.
Pela primeira vez em meses, Zimmer sente que está vivo. Resolve
estudar os filmes do ator, um certo Hector Mann, que sumiu em 1929, sem
deixar rastros, depois de uma carreira meteórica. Ele visita museus,
recolhe material sobre a vida de Mann e depois publica um livro. Então,
do nada, chega uma carta dizendo que Mann está vivo e gostaria
de encontrá-lo. Incrédulo, Zimmer hesita. Mas então
uma mulher misteriosa aparece em sua casa, com um revólver em punho,
e o obriga a inteirar-se da verdadeira história do ator.
Esse é um velho truque da ficção policial. Para mudar
a direção de um enredo, brincou certa vez Raymond Chandler,
um dos criadores desse gênero, basta "fazer um homem irromper pela
porta com uma arma na mão". É o tipo de brincadeira que
os leitores de Auster gostam de encontrar. E O Livro das Ilusões
traz muitas outras. Há ecos de obras do próprio Auster,
como O Quarto Fechado e Palácio da Lua (no qual Zimmer
aparece). Há descrições minuciosas de filmes, citações
das Memórias de François Chateaubriand, alusões à
filosofia do irlandês George Berkeley. Há simetrias e coincidências.
Tudo isso transforma o romance numa espécie de quebra-cabeças
em que as peças podem ser arranjadas de várias maneiras.
Como convida a mais de uma leitura, trata-se de um bom livro para levar
para a prisão.
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