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Batuta emergente

O maestro brasileiro Roberto
Minczuk assume cargo na
prestigiada Filarmônica
de Nova York

Sérgio Martins

 
Claudio Rossi
Minczuk, à frente da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo: ascensão meteórica

Apenas dois maestros brasileiros já ocuparam cargos em grandes orquestras estrangeiras: Eleazar de Carvalho, que regeu a Filarmônica de Berlim e foi diretor artístico da Sinfônica de Saint Louis, e Isaac Karabtchevsky, que comandou a Tonkünstler Orchestra, de Viena, e foi diretor musical do Teatro La Fenice, de Veneza. Desde a semana passada, o paulistano Roberto Minczuk integra essa seleta lista. Ele foi confirmado no posto de regente associado da Filarmônica de Nova York, a maior e mais rica orquestra americana. Seu nome será incluído oficialmente nas temporadas de 2003 e 2004, cobertas pelo seu contrato, e várias apresentações ficarão a seu cargo – as primeiras, em abril do ano que vem. Além disso, Minczuk se tornará uma espécie de braço direito do titular da Filarmônica, o respeitadíssimo Lorin Maazel. Uma oportunidade inestimável para um maestro de apenas 35 anos, e com menos de uma década de profissão.

Minczuk começou a reger em meados da década passada. Trompista de formação, nos anos 80 ganhou reconhecimento em orquestras como a Gewandhaus de Leipzig. Diz ele que foi por insistência do pai, José Minczuk, e da mulher, Valéria, que se mudou para o pódio. Suas primeiras experiências com a batuta deram-se à frente das sinfônicas de Brasília e Ribeirão Preto. Em 1997, ele se tornou diretor artístico adjunto da Sinfônica do Estado de São Paulo – cargo que ainda ocupa, com um salário de 12.000 reais por mês. De 1998 em diante, apadrinhado sobretudo por Kurt Masur, que o regera em Leipzig, ele começou a receber convites para apresentar-se no exterior. A própria Filarmônica de Nova York já havia atuado sob sua direção.

Apesar da ascensão meteórica, Minczuk ainda tem um bom caminho a percorrer. Alguns atributos diferenciam uma estrela da regência dos maestros simplesmente bons. O primeiro, óbvio, é uma sensibilidade musical fora do comum. Minczuk, acreditam os especialistas, possui esse talento. "Ele é um artista espetacular", afirmou Maazel ao apresentar seu novo discípulo em Nova York. Suas interpretações de compositores românticos como Gustav Mahler e Richard Strauss têm sido muito elogiadas, e podem ser consideradas sua especialidade. Mas ele domina um repertório bastante variado, que inclui também brasileiros, os quais procura divulgar (no ano que vem, lançará CDs com as Bachianas Brasileiras, de Villa-Lobos, e trabalhará na compilação da obra sinfônica de Tom Jobim).

A autoridade para comandar é outro atributo essencial de um maestro. Ao menos num episódio de sua carreira, Minczuk já demonstrou que não está para brincadeiras. No ano passado, ele foi o responsável pela demissão de sete músicos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. "Roberto Minczuk certamente sabe agir como um ditador", diz um dos demitidos, que o acusa de ter temperamento irascível e uma boa dose de estrelismo (no que não é desmentido por outros colegas). O maestro se defende. "Eu gosto de seriedade em meu trabalho, e isso é tudo", diz ele. O terceiro atributo para um sucesso excepcional no pódio é uma certa habilidade política, para manter os mecenas que sustentam as grandes orquestras dispostos a abrir a carteira. Esse trânsito entre o pessoal do dinheiro é algo que Minczuk poderá tentar conquistar nos próximos dois anos.

   
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