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Vizinho
triste
O
Filho da Noiva é um belo
melodrama sobre o desalento
que tomou conta da Argentina

Isabela
Boscov
Divulgação
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Darín,
Alterio e Norma: saudade do que a Argentina não chegou a
ser
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Veja também |
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Dentre
a nova leva do cinema latino-americano, a produção mais
sólida, e também a de timbre mais melancólico, é
a que vem da Argentina. Um bom exemplo é O Filho da Noiva
(El Hijo de la Novia, Argentina, 2001), que estréia
nesta sexta-feira no país. Nesse melodrama, o ator Ricardo Darín
(de Nove Rainhas) é Rafael, um quarentão estressadíssimo
que tenta manter à tona o restaurante herdado dos pais enquanto
finge para si mesmo que tem uma vida. Rafael concede ao pai, à
filha e à namorada a sua presença física, mas seu
espírito está sempre em outra freqüência. Da
mãe, que sofre do mal de Alzheimer, ele foge, para não ter
de comparar a realidade com suas lembranças. Rafael também
dorme pouco e fuma muito. Ou seja, está no caminho de um infarto.
Quando ele sobrevém, os dias passados numa UTI o convencem de que
algo tem de mudar. A questão é o quê.
O
Filho da Noiva não esconde que seus personagens são
alegorias do desalento por que passa a Argentina. Rafael, evidentemente,
é o símbolo de uma existência que se tornou tão
áspera que seu único propósito parece ser resistir
à crise do momento e cerrar os dentes para enfrentar a próxima.
O diretor Juan José Campanella, entretanto, tem outras metas que
não a simples constatação, e é aí que
entram os pais de Rafael, estupendamente interpretados por Héctor
Alterio e Norma Aleandro. Em 1984, os dois protagonizaram A História
Oficial, que tratava de outra convulsão da crônica argentina
a ditadura militar dos anos 80. Aqui, eles aparecem como emblema
de um país ideal que não vingou, mas que nem por isso não
deixou frutos. Quando o pai de Rafael diz que quer casar na Igreja com
a mulher desmemoriada por ser comunista, ele a tinha privado dessa
satisfação , o filho a princípio reluta. Depois,
vê aí um sentido e um rumo possível. Campanella, que
tem uma bem-sucedida carreira na televisão americana, baseou o
enredo na história real de seus pais, e o narra com limpidez, delicadeza
e senso de oportunidade. Tocados com o drama dos personagens e o seu próprio,
os argentinos gastaram o pouco que tinham para fazer de O Filho da
Noiva um sucesso de bilheteria. Foi um bom investimento.
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