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Edição 1 778 - 20 de novembro de 2002
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Aprendiz de feiticeiro

O novo Harry Potter é melhor que
o primeiro,
mas ainda está longe
de cumprir suas promessas

Isabela Boscov

 
Fotos divulgação
Harry enfrenta novos perigos, dos quais o elfo Dobby (à dir.) tenta salvá-lo: o elenco decepciona


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Estação VEJA: Especial Harry Potter

Nesta sexta-feira, estréia no país, exatas 52 semanas após o original, o segundo episódio das aventuras do bruxinho mais célebre da atualidade. Assim como no livro da inglesa J.K. Rowling, em Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber of Secrets, Estados Unidos, 2002), Harry e seus amigos, Ron e Hermione, se preparam para o segundo ano do curso de bruxaria da escola Hogwarts. Lá, são esperados pelo sortimento habitual de amigos e inimigos – como, respectivamente, o professor Dumbledore (Richard Harris, morto no mês passado) e o esnobe Draco Malfoy, que detesta o colega famoso. Obviamente, também o vilão-mor da série, Lorde Voldemort, aguarda o órfão com mais uma artimanha – desta vez, o mistério gira em torno de uma câmara que guarda algo capaz de petrificar os incautos. Nem parece, em suma, que um ano se passou desde Harry Potter e a Pedra Filosofal – o que é bom por um lado, e nem tão bom assim por outro.

Para os fãs de Harry – e só no Brasil o primeiro filme foi visto por quase 5 milhões de pessoas –, é claro que é uma ocasião a comemorar. O filme é um bocadinho melhor do que o primeiro. O diretor americano Chris Columbus retorna ao trabalho mostrando-se ligeiramente mais fiel ao tom puxado para o lúgubre de Rowling e investe tudo o que pode na ação. Até demais. A Câmara Secreta tem quase três horas de duração, o que constitui um teste de resistência para a criançada (em deferência a ela, também, o filme terá 375 cópias dubladas e apenas 75 legendadas). Como da primeira vez, a meta foi preservar ao máximo os eventos relatados no livro, para não desapontar aquela parcela volumosa da platéia que sabe as histórias de cor. E a produção, claro, continua impecável, como pode ser conferido na animação do elfo Dobby, que tenta desastradamente salvar Harry de uma tragédia.


A cena que não poderia faltar, da partida
de quadribol: aposta na ação

O que provoca essa sensação de que quase não há distância entre A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta, porém, é o fato de não só as qualidades mas também os defeitos do primeiro filme terem sido mantidos. A saber: o elenco infantil, incluindo-se aí o protagonista, Daniel Radcliffe, continua simpático, mas não melhorou nadinha no quesito interpretação. Quando Kenneth Branagh está em cena como o vaidoso professor Gilderoy Lockhart, a discrepância entre o seu timing humorístico e as reações inanes dos atores mais jovens chega a ser desconcertante. Também o roteiro deixa a desejar. Na verdade, a trama de A Câmara Secreta não passa de uma sucessão de pequenas aventuras que mal se conectam. Parece exagero reclamar de algo como falta de tessitura dramática num filme destinado a entreter as crianças, mas desenhos como Toy Story ou Shrek mostram que esse não é um cuidado supérfluo.

É claro que estúdio nenhum haveria de espinafrar um diretor que iniciou uma franquia com a segunda maior bilheteria da história (a primeira ainda é de Titanic), de quase 1 bilhão de dólares. Mas justamente por Harry Potter ser uma série tão lucrativa é que há que zelar pela sua longevidade. No próximo episódio, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, haverá troca de guarda. Columbus passa a assinar como produtor, enquanto a direção será entregue ao mexicano Alfonso Cuarón, de E Sua Mãe Também e do extraordinário A Princesinha. Aí, quem sabe, Harry passará a ser igualmente interessante para as crianças e para os espectadores mais crescidinhos.

   
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