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Aprendiz
de feiticeiro
O
novo Harry Potter é melhor que
o primeiro,
mas ainda está longe
de cumprir suas promessas
Isabela Boscov
Fotos divulgação
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| Harry
enfrenta novos perigos, dos quais o elfo Dobby (à dir.)
tenta salvá-lo: o elenco decepciona |

Veja também |
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Nesta
sexta-feira, estréia no país, exatas 52 semanas após
o original, o segundo episódio das aventuras do bruxinho mais célebre
da atualidade. Assim como no livro da inglesa J.K. Rowling, em Harry
Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber
of Secrets, Estados Unidos, 2002), Harry e seus amigos, Ron e Hermione,
se preparam para o segundo ano do curso de bruxaria da escola Hogwarts.
Lá, são esperados pelo sortimento habitual de amigos e inimigos
como, respectivamente, o professor Dumbledore (Richard Harris,
morto no mês passado) e o esnobe Draco Malfoy, que detesta o colega
famoso. Obviamente, também o vilão-mor da série,
Lorde Voldemort, aguarda o órfão com mais uma artimanha
desta vez, o mistério gira em torno de uma câmara
que guarda algo capaz de petrificar os incautos. Nem parece, em suma,
que um ano se passou desde Harry Potter e a Pedra Filosofal
o que é bom por um lado, e nem tão bom assim por outro.
Para os fãs de Harry e só no Brasil o primeiro filme
foi visto por quase 5 milhões de pessoas , é claro
que é uma ocasião a comemorar. O filme é um bocadinho
melhor do que o primeiro. O diretor americano Chris Columbus retorna ao
trabalho mostrando-se ligeiramente mais fiel ao tom puxado para o lúgubre
de Rowling e investe tudo o que pode na ação. Até
demais. A Câmara Secreta tem quase três horas de duração,
o que constitui um teste de resistência para a criançada
(em deferência a ela, também, o filme terá 375 cópias
dubladas e apenas 75 legendadas). Como da primeira vez, a meta foi preservar
ao máximo os eventos relatados no livro, para não desapontar
aquela parcela volumosa da platéia que sabe as histórias
de cor. E a produção, claro, continua impecável,
como pode ser conferido na animação do elfo Dobby, que tenta
desastradamente salvar Harry de uma tragédia.
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A
cena que não poderia faltar, da partida
de quadribol: aposta na ação |
O
que provoca essa sensação de que quase não há
distância entre A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta,
porém, é o fato de não só as qualidades mas
também os defeitos do primeiro filme terem sido mantidos. A saber:
o elenco infantil, incluindo-se aí o protagonista, Daniel Radcliffe,
continua simpático, mas não melhorou nadinha no quesito
interpretação. Quando Kenneth Branagh está em cena
como o vaidoso professor Gilderoy Lockhart, a discrepância entre
o seu timing humorístico e as reações inanes dos
atores mais jovens chega a ser desconcertante. Também o roteiro
deixa a desejar. Na verdade, a trama de A Câmara Secreta
não passa de uma sucessão de pequenas aventuras que mal
se conectam. Parece exagero reclamar de algo como falta de tessitura dramática
num filme destinado a entreter as crianças, mas desenhos como Toy
Story ou Shrek mostram que esse não é um cuidado
supérfluo.
É
claro que estúdio nenhum haveria de espinafrar um diretor que iniciou
uma franquia com a segunda maior bilheteria da história (a primeira
ainda é de Titanic), de quase 1 bilhão de dólares.
Mas justamente por Harry Potter ser uma série tão
lucrativa é que há que zelar pela sua longevidade. No próximo
episódio, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, haverá
troca de guarda. Columbus passa a assinar como produtor, enquanto a direção
será entregue ao mexicano Alfonso Cuarón, de E Sua Mãe
Também e do extraordinário A Princesinha. Aí,
quem sabe, Harry passará a ser igualmente interessante para as
crianças e para os espectadores mais crescidinhos.
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