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O mestre da delicadeza

Exibição em Londres revela as
maravilhas
de JAR, o joalheiro
que detesta aparecer

 
Fotos Jarjewel
Flores, animais e figuras geométricas: temas recorrentes moldados em diamantes, safiras e rubis nas cintilantes criações de Rosenthal

Imaginem-se dois salões em semi-escuridão, cheiro de perfume no ar. Neles, aconchegada em duas vitrines compridas, uma profusão de pedras preciosas, finamente trabalhadas em cores fortes e formas delicadas. São flores, animais, estrelas que se metamorfoseiam em broches, brincos, anéis e colares de tirar o fôlego, a beleza de cada peça ressaltada pela luz brilhante das lanternas entregues na entrada aos visitantes. As jóias são obra de Joel Arthur Rosenthal, ou JAR, americano de 59 anos radicado em Paris, um mito no mundo da ourivesaria. Poucas pessoas, fora dos círculos multimilionários, conhecem esse homem temperamental e obsessivo, considerado por muitos especialistas como o maior joalheiro da atualidade. Menos gente ainda tem acesso a suas produções: são no máximo uns 250 clientes, que consomem peças únicas, a preços que variam de 50.000 a 1 milhão de dólares. A aura de Rosenthal e seu horror a aparecer – ele nem sequer se deixa fotografar – criaram o clima ideal para a exposição inaugurada no começo do mês na Gilbert Collection, o mais novo museu de artes decorativas de Londres, onde podem ser admiradas cerca de 400 peças emprestadas por clientes. "Trata-se da única janela jamais aberta para o mundo muito particular de um joalheiro cujos clientes fazem parte de um exclusivo clube internacional", proclamou François Curiel, presidente da Christie's européia, que patrocina a exposição.

Rosenthal não tem arroubos de inovação – ao contrário, seu estilo clássico evoca comparações com grandes joalheiros do passado, como Fabergé. O encanto de suas jóias nasce da obsessão pelos detalhes, do domínio técnico e do clima onírico. Nas suas mãos, a base de cada peça praticamente desaparece sob a levíssima trama de pedrinhas multicoloridas. Flores são uma de suas idéias fixas. Diamantes amarelos, safiras, turmalinas, citrinos e granadas moldam as pétalas de um par de broches em forma de rosas. A helicônia, com um pedacinho de haste, compõe-se de rubis, diamantes e mais granadas e turmalinas. A deslumbrante orquídea negra é uma sinfonia de diamantes, salpicados aqui e ali de safiras e rubis. Fascinado pela natureza, Rosenthal também dá forma a animais de proporções milimetricamente precisas. O broche de cabeça de zebra em ágate rajado ostenta rédea e penacho de diamantes. Delicadas borboletas multicores parecem voar no escuro de uma das vitrines da exposição. Outras formas fascinam Rosenthal pela precisão geométrica, como se vê nos brincos-lustres, duas pequenas cascatas de ouro branco e vermelho, ou no par em formato de gaiola de diamantes contendo uma pequena esfera de rubis. Perfeito até na cauda, em que diamantes vão se esmaecendo sob o fundo preto, mais um estupendo par de brincos evoca estrelas cadentes.

O joalheiro nunca faz propaganda e é considerado uma pessoa "difícil", sinônimo educado para língua ferina somada à total aversão à publicidade. Mesmo assim, a simples divulgação boca a boca – aí incluídas as bocas de princesas, herdeiras e artistas – movimenta o pequeno ateliê, sem placa nem vitrine, na Place Vendôme, em Paris, onde Rosenthal em pessoa recebe quem bem quer. Gwyneth Paltrow só foi atendida com apresentação da cliente Kate Capshaw, a mulher de Steven Spielberg (e comprou uma deslumbrante gargantilha de diamantes). Marella Agnelli é cliente preferencial, mas dizem que o marido, Gianni, foi convidado a se retirar quando ousou acender um charuto no salão. A pequena equipe do joalheiro produz apenas setenta ou oitenta peças por ano. Formado em filosofia em Harvard, ele abriu o ateliê em Paris em 1977, depois de decidir abruptamente que queria tornar-se joalheiro. A exposição em Londres comemora justamente os 25 anos da JAR. "Espero fazer cócegas nos olhos dos visitantes", diz Rosenthal. Fará, certamente, mais que isso.

 

É UM SAPO? NÃO, É UMA BOLSA

Corcoran Gallery of Art


Quem disse que bolsinha de festa é tudo igual? As criadas pela estilista húngara radicada nos Estados Unidos Judith Leiber, definitivamente, não são. Cobertas de minicristais colados manualmente, em um processo que pode demorar até cinco dias, ou feitas de tecido, madeira, conchas e peles exóticas, as bolsinhas de Judith têm formatos inusitados: de urso polar, tomate, porco, melancia, Buda, sapo, ouriço-do-mar, pingüim. Desde Nancy Reagan, todas as primeiras-damas americanas tiveram a sua. Também foram usadas para presentear estrangeiras, como Raíssa Gorbachev e Indira Gandhi. Rosane Collor comprou a sua – um cachorrinho – e com ela compareceu à festa de 50 anos do marido, em 1999. Na última entrega do Prêmio Emmy, uma versão mais recatada, retangular, brilhou nas mãos da jornalista de moda Maria Menounos, do programa Entertainment Tonight. Admiradas e cobiçadas pelo que têm de singular, ou criticadas por quem vê nelas um delírio kitsch, as bolsinhas de Judith Leiber são tratadas como obra de arte na exposição de cerca de 150 peças que a galeria Corcoran, de Washington, mostra até o fim de dezembro. Da exposição fazem parte duas divertidas minaudières, como são chamadas essas bolsas-enfeite, uma em forma de sapo, da coleção pessoal de Judith, e outra imitando ouriço-do-mar, emprestada pelo Metropolitan Museum of Art. Também estão lá a bolsa-Millie, a cadela de estimação dos Bush, e a bolsa-Socks, o gato da família Clinton (Hillary ganhou três bolsas de presente durante o governo do marido, mas tentou negar). Judith não desenha mais desde 1999, mas sua empresa continua reproduzindo alguns modelos e produzindo novos. Quem for à Corcoran poderá adquirir, de lembrança, uma bolsa-leãozinho, edição limitada que, na promoção, sai por 3.500 dólares.

 
AP
Ana Araujo

Minaudières em formatos inusitados: até cinco dias para colar cristal por cristal

Rosane na festa: atenção garantida

 

   
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