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Edição 1 778 - 20 de novembro de 2002
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Por que milhões de brasileiros
resolveram procurar um
romance pela internet

Daniela Pinheiro


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A executiva paulistana Esther Jagosehit, 30 anos, é um mulherão. Loura, alta, magra, tem olhos azuis, sólida formação intelectual e ganha o suficiente para levar uma vida para lá de confortável, com freqüentes viagens ao exterior, carro do ano e casa própria. Esther provoca tanto furor entre o público masculino quanto mexe com as mulheres a presença do ator Renato Bizone, herdeiro do grupo Brasimac, um império que fatura anualmente 100 milhões de reais. Aos 27 anos, sempre citado em colunas sociais, ele ostenta um currículo amoroso que inclui a apresentadora do Fantástico, Glória Maria, e uma dezena de modelos. Alguém diria que ambos estão procurando um relacionamento pela internet? Pois, pasme: eles estão. A presença nos sites de namoro de gente como Esther, inscrita sob a alcunha de "garota do campo", e Bizone, que usa o apelido "boyIIgirl", aponta para um curioso fenômeno: a internet deixou de ser refúgio para quem sempre teve problemas amorosos para se tornar uma eficiente ferramenta mesmo para quem nunca encontrou dificuldade em arrumar namoro.

 
Fotos Claudio Rossi

"Muita gente estranha quando eu digo que estou inscrita em um site de namoro. Sei que a maioria pensa: 'Ah, coitada, teve de ir para a internet porque está encalhada'. Pois eu digo: isso é ridículo. Nunca fiquei encalhada ou sem namorado na minha vida. O que ocorre é que eu simplesmente cansei de dar tiro n'água. Cheguei a um ponto em que não tenho mais idade nem paciência para ficar contando a história da minha vida ou tentando mostrar quanto sou legal para um zé-ninguém que eu tenha conhecido em um bar. Pela internet, consigo peneirar exatamente as pessoas que procuro, que pensam como eu, que querem o mesmo que eu."
ESTHER JAGOSEHIT,
executiva, 30 anos

Atualmente, quase todo mundo tem um amigo, um parente, um vizinho que conheceu alguém pela internet. Esse tipo de encontro se tornou assunto recorrente em qualquer mesa de bar. A percepção da mudança no perfil de quem procura namoro pontocom pode ser amparada por dados significativos. Estima-se que cerca de 3,5 milhões de pessoas estejam inscritas nos sites de relacionamento em todo o país. É um número que corresponde a quase 10% dos solteiros brasileiros. Estudos recentes apontam que, em três anos, pelo menos 50% dos desimpedidos dos países do Primeiro Mundo vão conhecer um parceiro on-line. A conversa poderá parar no estágio eletrônico. Algumas poderão ir adiante. É por isso que a procura pelos sites especializados só cresce. Nos últimos meses, foram lançados cinco sites, somando um total de mais de vinte no Brasil. O maior deles, o www.parperfeito.com.br, fatura só com a mensalidade dos inscritos mais de 1 milhão de reais por mês. Basta uma olhada rápida nas fotos dos pretendentes on-line para ter a medida de como a galeria de tipos mudou. Ali não estão mais só os fora-de-forma, os nerds ou os carentes profissionais. Há gente atlética, bonita e estudada. No site www.comovai.com.br (300.000 inscritos), 65% dos usuários têm curso superior. No www.almasgemeas.com.br (700.000 inscritos), boa parte das fotos exibidas nos perfis dos inscritos foi feita em viagens internacionais. No ParPerfeito, a maioria dos usuários é formada por profissionais das áreas de comércio e administração de empresas.

Houve um tempo em que discotecas e bares de paquera eram a grande esperança dos corações solitários. Era sentar a uma mesa com amigos, pedir as bebidas e aguardar. Dali a pouco chegava um "torpedo" (bilhete de paquera entregue pelo garçom) ou alguém com uma conversinha fiada. Era preciso muita paciência e disposição para manter um papo. Ainda assim, a chance de engatar um romance quase sempre beirava o zero. É essa a questão de quem está em busca de um namoro on-line. A maioria absoluta das pessoas que se propõem a sair com alguém que conheceu na internet está cansada de gastar tempo e saliva com gente que acredita não valer a pena. "As pessoas não se casam com o namorado de escola, adiam o casamento por causa da vida profissional e, muitas vezes, a carreira as obriga a mudar de cidade – o que significa abrir mão do tradicional círculo de conhecidos", diz a psicanalista paulista Anna Verônica Mautner. "Soma-se o fato de trabalharem muito, sobrando pouco tempo para se socializarem. As horas disponíveis acabam sendo muito preciosas."

 

"Passei por um momento em que estava absolutamente viciado na internet. Ficava madrugadas conversando com dezenas de mulheres, rolava um clima ótimo. Só tive o prazer de falar com gente bacana. Minha experiência de conhecer alguém ao vivo também foi excelente. Eu digo: há muita gente interessante on-line. Ela era maravilhosa, charmosa, uma gata. Eu adorei. Na hora, não fazia a mínima diferença se tínhamos sido apresentados por um amigo em comum ou se tínhamos apenas nos falado pelo computador. Acho muito saudável viver essa fantasia do pré-encontro. Você fica imaginando a pessoa, como ela é, com quem se parece. O encontro é sempre uma surpresa."
RENATO BIZONE,
ator, 27 anos

Esse tipo de questão aflige quem é bonito e quem não é. Quem é gordo e quem é magro. O alto e o baixo. "É por isso que pessoas que tradicionalmente nunca imaginaram marcar um encontro pela internet migraram para o ciberespaço. Depois de terem caído por terra os estereótipos de que a internet é lugar de gente desinteressante, não há como não aderir", diz a paulistana Marly Kotujansky, uma das sócias do site Comovai, que fatura 300.000 reais por mês. É verdade. Por ser possível escolher com exatidão o tipo de pessoa que se está procurando, a sensação de eficiência na paquera parece ficar saciada. A possibilidade de fazer essa pré-seleção é um dos aspectos positivos. Você simplesmente descarta aquele sujeito que assumiu ser um consumidor voraz de livros de auto-ajuda ou a garota fumante sem precisar ter gasto horas contando onde passou a infância ou qual é sua opinião sobre a culinária japonesa. Outra vantagem: através dos sites de namoro, é possível conhecer gente de profissões e cidades que jamais se imaginou. Na vida real, a chance de uma geóloga de Ribeirão Preto conhecer um barítono paraense é mínima. Se estão inscritos em um site na internet, eles podem receber um e-mail dizendo que a afinidade entre ambos é de 100%. E está feito o contato.


"O que acho fantástico é a possibilidade infinita de encontros. Dá para marcar sete jantares com sete mulheres diferentes em uma semana. É uma loucura", diz o empresário Alexandre Boz, 32 anos, um adepto fervoroso de paqueras pelo ICQ, o mais popular programa de mensagens instantâneas da rede. Curiosamente, ele compara a escolha de uma eventual paquera a uma ida ao shopping. "Você vai vendo aquelas fotos, lendo aqueles perfis e escolhendo. Parece que está indo às compras. Descarta essa, guarda aquela. Eu não tenho problemas de relacionamento. Ao contrário. Estou saindo com várias mulheres, nenhuma que conheci na internet, mas acho a engrenagem fascinante. É quase entretenimento", diz. Na avaliação dos especialistas, a internet também tem desempenhado papel fundamental na tradicional guerra dos sexos. Protegidos pelo anonimato, os homens costumam ser mais sensíveis e as mulheres mais ousadas na hora de paquerar on-line. Eles se sentem confortáveis em mandar poesias ou cartõezinhos virtuais, enquanto elas ficam mais à vontade para expressar sua sexualidade sem repercussões machistas. "É muito saudável deixar esse lado transparecer. Ainda que isso esteja sendo mantido no plano virtual, pode ser um bom passo para que esse comportamento seja adotado nas relações cara a cara", diz o psiquiatra Ronaldo Pamplona da Costa.

Os encontros pela internet subverteram a ordem de como se engata um namoro. Se na paquera tradicional a aparência física é um desempatador, nas conversas on-line se torna um mero detalhe. Como as primeiras conversas são anônimas, as pessoas se sentem mais propensas a ser honestas e a deixar transparecer suas emoções. "Mesmo que dê errado, a pessoa se sente menos ofendida. Ela foi recusada pelo discurso, não pela aparência. Não se sente ferida narcisisticamente. É como se dissesse: 'Não fui eu o recusado, foi a personagem que criei'. Isso é interessante", comenta o psicanalista carioca Joel Birman. A vendedora carioca Carolina Campos, 22 anos, ressalta outro aspecto: "Passei horas falando com pessoas interessantes quando eu já estava de pijama, descabelada, sem maquiagem. É uma maravilha não precisar gastar um tempão para se arrumar e conhecer alguém", diz ela, que já varou madrugadas nos sites de paquera do UOL até conhecer o namorado em uma das salas de bate-papo.

 
Oscar Cabral

"Comecei a teclar com algumas pessoas sem maiores intenções. Eu tinha acabado de me mudar de cidade, estava meio sozinha e aquilo ali foi uma grande companhia para mim. Passava um tempão conversando on-line. O que eu mais gostava era poder trocar mil idéias, como se você estivesse num barzinho, sem precisar me emperiquitar toda. Ficava em casa à noite, de pijama, descabelada, mas me sentia num compromisso social. Um dia, comecei a falar com um sujeito que me pareceu especial. Ele tinha tudo a ver comigo, era inteligente e bem-humorado. Hoje, estamos namorando."
CAROLINA CAMPOS,
vendedora, 22 anos

 



   
 
   
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